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Monday, September 28, 2026

Nossa Senhora Aparecida e bets pautam a reta final da eleição

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A reta final do primeiro turno foi pautada por dois assuntos que não estavam no radar das campanhas um mês atrás. O primeiro é a proibição das bets e o segundo é o boato de que Flávio Bolsonaro quer tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

Os dois temas dominaram o dia 25 de setembro, a nove dias da eleição, quando o governo publicou a medida provisória e o ministro André Mendonça, do TSE, mandou cinco plataformas removerem os posts sobre a santa, a pedido da campanha do senador. A ordem era liminar e, neste domingo (27), o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), a derrubou e mandou restabelecer as publicações, por falta de motivação e proporcionalidade, sem se pronunciar sobre o conteúdo delas.

No monitoramento em mais de 100 mil grupos públicos de aplicativos de mensagens, somado ao debate no X, no Instagram e no YouTube, a inteligência de narrativas da Palver mediu as duas conversas em separado, com cada rede lida na própria régua.

O primeiro contraste é de tamanho. As bets dominaram a conversa em todas as redes, dos aplicativos de mensagem à televisão, com pico no dia da assinatura. A padroeira foi o assunto mais forte apenas no X e, em todas as outras redes, ficou atrás das bets.

A proibição das bets é aprovada pela maioria de quem toma posição. Por autor único, o índice de menções positivas à medida é de 65% nos aplicativos de mensagem, 73% no X, 75% no Instagram e 81% no TikTok. O YouTube é a exceção, com 52%, e a imprensa fica do lado oposto do público. No rádio e na TV de primeira linha, onde quem opina é comentarista ou entrevistado, o apoio é de 26%, e depois da assinatura da MP a crítica na TV subiu de 70% para 86%, com o argumento de que a proibição empurra a aposta para o mercado ilegal ganhando espaço sobre o de que a medida é eleitoreira.

O crédito pela medida, porém, fica muito abaixo do apoio a ela. O índice de menções positivas a Lula, dentro da mesma conversa, é de 38% nos aplicativos de mensagem, 51% no X, 54% no Instagram e 33% no YouTube, entre 20 e 30 pontos abaixo da aprovação da proibição. Há ainda uma fatia de 13% a 23% que ataca Lula pela "hipocrisia" ou pelo calendário sem se opor ao fim das bets.

No tema da padroeira, a versão que acusa Flávio é a majoritária, mesmo depois da retratação da GloboNews e da ordem do TSE. Entre quem toma posição no período posterior à ordem, afirma que Flávio quer tirar o título 71% nos aplicativos de mensagem, 72% no X e 60% no Instagram. O contraponto cresceu, mas segue minoritário em 4 das 5 redes de conversa, e só no YouTube predomina, com 58%. Entre quem afirma a versão, o plano é atribuído a Flávio ou à família por 75% nos aplicativos de mensagem e por 91% no X depois da ordem.

A ordem de remoção produziu dois efeitos que a campanha não pretendia. O primeiro é em relação ao enquadramento da reação. Ela é criticada por 76% a 94% nas redes, e a palavra usada é censura. O segundo é o de volume da discussão. A fatia da conversa dobrou em diversas redes após a decisão. A decisão que mandava apagar a versão ampliou a circulação dela.

A contraofensiva funcionou em um ponto preciso. Entre quem desmente a versão, a culpa migrou da imprensa para o PT. Nos aplicativos de mensagem, o PT, o governo ou a esquerda passaram de 40% para 88% das atribuições, e no X de 59% para 85%. A campanha de Flávio conseguiu transferir a autoria do boato, sem conseguir que o boato deixasse de ser espalhado.

Os dois temas deslocaram a atenção na reta final. Até a semana passada, o debate estava concentrado no caso Master e na crise do STF, assuntos em que o governo era cobrado. Ao longo da semana, foi se deslocando às bets e à padroeira.

Dentro dos dois temas, não há ganho direto para a imagem de Lula, que continua com um saldo negativo de menções. Mesmo assim, para o governo, discutir Nossa Senhora e bets é melhor do que discutir STF e corrupção. É com essa pauta que a campanha entra na última semana antes do primeiro turno.

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