Myanmar. Ex-Presidente mostrada a obter carta de Carlos III

Aung San Suu Kyi recebeu uma carta do rei britânico Carlos III, informaram as autoridades de Myanmar (antiga Birmânia), que divulgaram as primeiras fotos da antiga líder em dois meses.
Numa mensagem publicada na rede social Facebook, a porta-voz da presidência de Myanmar utilizou pela primeira vez a expressão “detida especial” para se referir a Suu Kyi, deposta num golpe militar em 2021.
Dirigentes do Ministério do Interior de Myanmar reuniram-se com Suu Kyi na segunda-feira para entregar um pacote contendo dois livros sobre solos, “um envelope selado e uma comunicação diplomática selada, enviada pelo rei Carlos III, do Reino Unido”.
O Reino Unido é a antiga potência colonial da então Birmânia, e Carlos III é conhecido pelo grande interesse pela jardinagem e pelo ambiente. A mensagem é acompanhada por duas imagens que mostram Suu Kyi a encontrar-se com dois homens, que aparecem de costas.
As fotos parecem ter sido tiradas num ambiente semelhante ao das últimas imagens divulgadas da ex-líder, quando se encontrou com um representante da Cruz Vermelha, em agosto. Tratou-se do primeiro encontro com um dirigente estrangeiro a ser tornado público desde que Suu Kyi foi destituída em 2021.
O golpe militar desencadeou uma guerra civil ainda em curso, que já fez mais de 100 mil mortos, segundo a organização não governamental ACLED.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido não confirmou se diplomatas britânicos solicitaram a entrega do pacote pessoalmente, ou se lhes foi negada a autorização para o fazer.
O Reino Unido condena a detenção, que classifica de arbitrária, de Suu Kyi, de 81 anos, laureada com o prémio Nobel da Paz, e pede a sua libertação imediata.
“Fui extremamente indulgente com ela”, declarou, numa entrevista à revista Time, publicada em setembro, o Presidente de Myanmar, Min Aung Hlaing, antigo chefe do exército que inicialmente tomou o poder em 2021.
Em agosto, o Governo de Myanmar rejeitou um novo apelo da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) para a libertação “total e incondicional” de Suu Kyi.
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, Myanmar descartou também a necessidade de um enviado especial da organização para o país.
A ASEAN apresentou, em abril de 2021, um plano de paz para o país do Sudeste Asiático com o objetivo de pôr fim às hostilidades e iniciar o diálogo entre as partes em conflito, a ser facilitado por um enviado especial da organização.
Desde então, Min Aung Hlaing tem sido impedido de participar em reuniões de alto nível por não ter cumprido o plano.
Suu Kyi está a cumprir pena em prisão domiciliária num local não revelado na capital, sob acusações que os seus apoiantes e grupos de defesa dos direitos humanos consideram ter motivação política.
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