Lula deve defender pacificação em pronunciamento à nação


Depois de dizer que, findada a eleição, não tem mais adversários e que governará para todos, o presidente Lula deve usar o pronunciamento anunciado para a próxima semana para defender a pacificação do país. A semana foi marcada por acirramento de eleitores bolsonaristas que passaram a defender boicotes e demissões de eleitores lulistas, além do aumento da violência política. A ideia é falar de futuro e encerrar a disputa eleitoral.
Na quinta-feira, Lula afirmou aos eleitores que, na próxima semana, fará um pronunciamento oficial da Presidência, além de uma live para o "Exército do Lula", canal de WhatsApp mantido pelo deputado André Janones (Rede-MG) com mais 10,5 milhões de usuários. A data do pronunciamento ainda não está definida, assim como o texto do discurso presidencial.
Mas é esperado que Lula, além de agradecer pelos 64,2 milhões de votos, defenda a união do país em torno do desenvolvimento e da melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. Pautada para entrar em votação na terça-feira, a PEC da Segurança Pública deve ser citada pelo presidente como ação prioritária do governo na reta final deste terceiro mandato.
A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) e a carta golpista em que ele chegou a se intitular "presidente eleito" devem continuar fora da pauta de Lula. A ordem no Planalto é ignorar o senador derrotado nas urnas. Na avaliação do entorno do presidente, a leitura é que o governo não deve tratar desse tema para não validar de nenhuma forma a ação de Flávio, que é criticada em sua própria base.
O Planalto avalia também que a carta de Flávio lida à nação é considerada golpista até pelos meios de imprensa. Além das críticas da opinião pública e dos próprios aliados no país à atuação de Flávio, os petistas veem ainda no apoio de Donald Trump ao senador um pouco de má-vontade do americano. Por isso, o presidente também pode manter um tom ameno ao falar sobre soberania.
Reportagem
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