O novo recurso de reuniões do ChatGPT vai te ajudar nas suas tarefas — mas tem uma ‘pegadinha’
A OpenAI lançou na terça-feira (6) o plugin Meetings no aplicativo de desktop do ChatGPT, em versão beta para assinantes dos planos Pro e Business, por enquanto só no Mac.
A ferramenta grava reuniões online e conversas presenciais sem que um bot entre na chamada, cruza a transcrição com as anotações do usuário e com dados de aplicativos conectados, como Gmail e Slack, e devolve um resumo com tarefas sugeridas. Windows, iOS e Android estão previstos para depois.
Com isso, registrar o que foi dito deixou de ser trabalho de alguém. Cabe ao gestor decidir quem é avisado da gravação, onde o conteúdo fica guardado e o que de fato acontece depois da reunião. As informações foram retiradas de Inc.
Da ata ao follow-up com um clique
O plugin permite revisar e editar as tarefas sugeridas e disparar cada uma com um clique, para que o ChatGPT redija um e-mail, atualize um plano de projeto ou prepare uma ligação de vendas. As anotações ficam no ChatGPT Space, um espaço colaborativo em que podem ser mantidas privadas ou compartilhadas com o time.
O plugin se apoia no Record, recurso de gravação lançado no ano passado e que continua disponível numa versão mais simples.
O mercado já estava cheio. Google, Microsoft e Zoom têm transcrição por IA nas próprias ferramentas de reunião. A Otter.ai passou de US$ 100 milhões em receita recorrente anual em março de 2025, e a Granola captou US$ 125 milhões, com valuation de US$ 1,5 bilhão, em março deste ano.
A aposta da OpenAI é o contexto: o resumo parte do que o ChatGPT já sabe sobre o usuário e o trabalho dele.
O gargalo continua sendo a reunião
Resumir melhor não resolve uma reunião que não decide nada. Levantamento da Econet mostra que 34% dos profissionais brasileiros participam de seis ou mais reuniões por semana, e 47% dizem que reuniões são a maior frustração do dia de trabalho. A mesma reportagem lembra estudo da Harvard Business Review, segundo o qual 83% das reuniões são consideradas improdutivas pelos gestores que participam delas.
Uma ferramenta que transforma conversa em lista de tarefas ajuda nesse ponto, mas a lista só vale se alguém definir quem responde por cada item e em que prazo. Essa parte continua sendo gestão.
Quem avisa que a reunião está sendo gravada
A própria OpenAI diz que o usuário deve verificar as leis locais e obter os consentimentos adequados antes de gravar outras pessoas, e que a responsabilidade pelo cumprimento da lei é de quem grava. A tela de gravação exibe um lembrete para perguntar antes de gravar terceiros.
Na prática, o aviso nem sempre acontece. Pesquisa feita pelo Pollfish em julho com 500 trabalhadores americanos, encomendada pelo escritório Kolmogorov Law, apontou que 33,4% já tiveram um assistente de transcrição por IA em reuniões de trabalho. Entre os 167 que passaram por isso, 25,1% nunca foram consultados, e 18,8% do total descobriu depois que uma reunião tinha sido gravada sem o seu conhecimento.
A amostra é pequena e americana, mas descreve o tipo de situação que uma ferramenta sem bot visível torna mais provável, já que não há um participante extra na tela para denunciar a gravação.
Para onde vai o que foi dito na sala
Os detalhes de configuração mudam conforme o plano. De acordo com a OpenAI, o áudio é usado só para a transcrição e apagado em seguida, enquanto transcrições e resumos seguem as regras de retenção das demais conversas.
Em contas Business, Enterprise e Edu, esse conteúdo fica fora do treinamento de modelos por padrão. Em contas Pro, Plus e Free com a opção de melhorar o modelo ativada, transcrições podem ser usadas para treinamento, com possibilidade de revisão humana.
Há ainda um limite prático para o mercado brasileiro: a OpenAI informa que o recurso funciona melhor em inglês e que a precisão em outros idiomas varia. Reuniões de diretoria, de negociação ou de RH em português merecem checagem antes de qualquer resumo virar ata oficial.
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