Elétricos usados desvalorizam 50%, mais que o triplo dos carros a combustão
Os carros elétricos usados do ano-modelo 2022 acumularam desvalorização de 50,46% até outubro de 2026, segundo o Índice BV Auto (IBV Auto), divulgado nesta sexta-feira, 6. A perda supera a registrada por híbridos e veículos a combustão comparáveis.
O mercado de usados enfrenta maior concorrência com modelos novos e desaceleração dos preços, conforme avaliação de especialistas do banco BV.
O levantamento mostra que, enquanto os elétricos de 2022 perderam aproximadamente metade do valor, os híbridos do mesmo ano acumularam desvalorização de 25,73%. Já os automóveis a combustão comparáveis registraram perda de 15,64%.
Entre os veículos do ano-modelo 2023, a diferença também foi expressiva. Os elétricos acumularam desvalorização de 47,24%, contra 29,12% dos híbridos e 23,34% dos modelos a combustão.
O IBV Auto é calculado a partir de dados de transações de veículos financiados pelo banco BV. O indicador considera os valores negociados, o volume de operações e características dos modelos para acompanhar a evolução dos preços dos automóveis leves usados no Brasil.
Por que os carros elétricos estão perdendo tanto valor?
A trajetória de desvalorização dos elétricos é compatível com a queda dos preços dos veículos novos e com políticas comerciais mais agressivas das montadoras que atuam nesse segmento. A maior concorrência pressiona os valores de revenda dos automóveis usados.
Apesar de os elétricos continuarem com as maiores perdas acumuladas, a desvalorização se intensificou também em outras categorias. Em outubro, os híbridos apresentaram o maior agravamento das perdas entre os veículos dos anos-modelo 2022 e 2023.
Na análise dos últimos seis meses, tanto os híbridos quanto os automóveis a combustão também aprofundaram suas perdas, indicando que a pressão sobre os preços não está restrita aos veículos elétricos.
O movimento ocorre em paralelo à expansão dos eletrificados no mercado brasileiro, já que elétricos e híbridos alcançaram 16% das vendas de veículos leves no primeiro semestre de 2026, praticamente o dobro da participação registrada um ano antes.
Carros populares ficam mais caros
Apesar das perdas registradas entre os elétricos, os preços dos carros usados avançaram 0,15% em outubro, metade da alta de 0,30% observada em setembro. No acumulado do ano, o IBV Auto registra valorização de 4,02%, abaixo dos 4,42% verificados no mesmo período de 2025.
Em 12 meses, o índice acumula alta de 4,91%, ante 5,12% em setembro. Os números indicam uma desaceleração dos reajustes, mas não uma queda generalizada dos preços.
O economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, explica que o comportamento reflete fatores econômicos e a concorrência no setor automotivo.
"O ritmo mais moderado da atividade e a concorrência com os veículos novos ajudam a conter os reajustes no mercado de usados. Mas esse movimento não é uniforme: os modelos populares mais antigos ainda sustentam parte da alta, enquanto os de maior valor enfrentam maior pressão competitiva. O resultado é uma inflação mais baixa nesse mercado, embora os preços ainda avancem no agregado", detalhou.
Entre os modelos que mais contribuíram positivamente para o índice em outubro estão o Ford Fiesta, com valorização de 4,83%, o Fiat Uno (+3,37%) e o Volkswagen Fox (+2,92%). Na direção contrária, o Chevrolet Tracker caiu 2,01%, o Jeep Renegade recuou 1,74% e o Toyota Corolla perdeu 1,33%.
Em agosto, o mercado de carros usados havia registrado queda de 0,01%, com diferenças importantes entre modelos e regiões do país.
Preços dos usados caem no Sul e sobem no Norte
As diferenças também aparecem no recorte regional. Em outubro, o Norte apresentou a maior alta entre as regiões brasileiras, de 0,54%, enquanto o Sul registrou queda de 0,33%.
Entre as 27 unidades da Federação, 19 tiveram valorização dos automóveis usados e oito registraram retração. Mato Grosso liderou as altas, com avanço de 1,09%, enquanto Minas Gerais apresentou a maior queda, de 0,82%.
No acumulado de 12 meses, os maiores aumentos ocorreram no Rio de Janeiro (+6,24%), em Alagoas (+6,12%) e em Sergipe (+5,98%). As menores altas foram registradas no Espírito Santo (+2,89%), em São Paulo (+2,91%) e no Pará (+3,09%).
Para Jamil Ganan, vice-presidente de Varejo do banco BV, as diferenças regionais estão relacionadas às características dos veículos negociados em cada mercado.
"O mercado de usados reúne veículos de diferentes faixas de preço, com condições de oferta e concorrência próprias. A composição das negociações em cada região ajuda a explicar as diferenças nos resultados", esclareceu.
"A expectativa é que a acomodação dos preços continue até o fim do ano, com comportamentos distintos conforme o modelo e o segmento", acrescentou Ganan.
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