ESPNAfter another playoff disappointment, what's next for Fever?ESPN DeportesGignac vs Cardozo, ¿qué lugar ocupan entre extranjeros?The Jerusalem PostUnited grounds pilot who praised October 7 massacre after reports of reinstatement - reportInquirerIlocos Sur’s 9th most wanted person fallsZDF heuteAktuelle Pressemitteilungen des ZDFUOLJustiça Federal suspende liminar que adiava derrubada de bet até fim das eleiçõesSouth China Morning PostTrump slams Norway and Nobel committee after missing out on Peace Prize中国新闻网两部门联合发布依法惩治文物犯罪典型案例The Sydney Morning HeraldAlbanese dips toe back into comedy after ‘melon’ podcast gaffeSözcüSosyal medyaya yeni düzenleme! Resmî Gazete'de yayımlandıNew Straits TimesBrazil police rescue 13 children held hostage, assailant deadConsequenceGeordie Greep Denies Rape Allegation During Vancouver Concert [Updated]
The Daily Newsstand · Free, Always
Saturday, October 10, 2026

OE 2027: o que o dinheiro não resolve

Translate

O Orçamento do Estado para 2027 reservou para a habitação um lugar discreto. Tão discreto que foi preciso um jornalista perguntar por ela para que o ministro das finanças lhe desse três minutos e dois segundos de importância. Miranda Sarmento respondeu que o governo decidiu aumentar para 59 mil as 26 mil casas inicialmente previstas para entrar no mercado até ao final da década. Informou também que o Estado conta com um reforço de 1,2 mil milhões de euros para este efeito, uma vez que os dinheiros do PRR só garantiam 16 mil casas. Como é que estes números se distribuem ao longo dos anos? Pode ser que o governo saiba nitidamente o que pretende fazer. Para quem o ouviu, não ficou claro. De resto, Miranda Sarmento remeteu sobretudo para programas anteriores e iniciativas em curso, algumas em fase de discussão. O reforço de investimento em habitação pública é relevante, mas inscreve-se num compromisso plurianual. A política de habitação do governo não se confunde com a política orçamental para a habitação.

Miranda Sarmento reconhece que o problema central é o desequilíbrio entre a oferta e a procura. E referiu-se ao boletim económico do Banco de Portugal que apresenta gráficos reveladores. Duas constatações. Por um lado, pela primeira vez em várias décadas, a oferta é inferior à procura; nas décadas antecedentes, a oferta foi sempre superior. Por outro lado, a procura actual é inferior à das décadas de 1980 e 1990. Traduzindo, a novidade está na insuficiência da oferta e não num crescimento sem precedentes da procura. Quem acompanha as publicações do negócio imobiliário pode espantar-se com os números, mas não cai para trás com a surpresa. Há anos que a redução de casas no mercado vem fazendo títulos e motivando severas preocupações. O diagnóstico dos investidores e do ministro permite deslocar a discussão dos preços para as condições em que se produzem e disponibilizam as casas.

Convém admitir que o problema gravíssimo de habitação que o país enfrenta – e que a Europa inteira enfrenta, com maior ou menor intensidade, por vezes com raízes comuns – exige respostas públicas e privadas. Aumentar a oferta não depende exclusivamente de investimento público e de incentivos fiscais, apesar de eles serem necessários. As regras urbanísticas condicionam a construção, encarecem as casas e restringem a capacidade de resposta – tanto privada quanto pública. A revisão das regras obriga a escolhas sobre os níveis de exigência que a sociedade está disposta a financiar. Podem e devem ser mantidas as regras que definem exigências de segurança, como estabilidade, electricidade, combate a incêndios ou resistência sísmica; e também as regras de salubridade, como águas e esgotos. Mas há margem para descer as exigências de conforto, como o ruído, o desempenho térmico ou as redes fixas de telecomunicações. A esmagadora maioria de nós vive em casas que não atingem o grau de exigência das regras em vigor; as nossas casas não seriam hoje aprovadas num licenciamento. Em que é que ficamos? Deixamos as pessoas viver em tendas e barracas, ou em casa dos pais até aos 40 anos, mas não descemos as exigências para tornar possível construir-lhes casas?

Neste capítulo da habitação, há um desajuste que não funciona a favor dos governantes nem dos governados. As regras são estabelecidas superiormente pelo governo da República e depois pelas câmaras, através de Planos Directores Municipais e outros instrumentos de planeamento territorial. Mas as políticas são executadas principalmente pelos municípios, e é no plano municipal que os erros e as queixas causam estragos. Não há uma receita aplicável ao país inteiro: o território apresenta realidades distintas. Reabilitação, alteração dos edifícios, mobilização de património público podem ser respostas em áreas urbanas consolidadas. Disponibilidade de solos e reforço de acessibilidades são instrumentos ao alcance das zonas em expansão. O conhecimento destas realidades, da economia e das economias locais, da indústria da construção e dos negócios imobiliários deve preceder a definição de orientações políticas. Até para evitar a habitual chuva de “medidas”.

O governo português reconhece a necessidade de aumentar a oferta de casas, mas não se percebe até onde está disposto a alterar as condições que a limitam. Estamos perante uma emergência, e a abundância de programas, pacotes e discussões sectoriais que os ministros tiram do bolso não substitui uma orientação política forte. As alterações legislativas e regulamentares são consequência dessa orientação. E as decisões fundamentais para a habitação exigem mais cabeça do que verba.

View the original on Observador Desporto →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.