Moraes acusa Mendonça de estar a serviço de grupo político; ministro diz que é mentira
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, acusou o seu colega, ministro André Mendonça, de ter "medo da Polícia Federal" e afirmou que ele está a serviço de um "grupo político que quer dar um golpe nesse país".
"Quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que colocasse um colega na colaboração premiada. Vamos chamar aqui testemunhas que eu vou indicar", disse.
Nesse momento os ministros começaram a discutir e Mendonça afirmou que as falas de Moraes eram "mentira".
"Pode chamar quem quiser, vão mentir", disse Mendonça.
O bate-boca aconteceu durante a sessão que analisa a Petição 16662, que aborda se a conduta do ministro Alexandre de Moraes no caso do Banco Master pode ser investigada.
Moraes: "Eu tenho testemunhas de que o ministro André, em reunião, disse."
Mendonça: "Mentira!"
Moraes: "Mentira?"
Mendonça: "Pode chamar quem quiser, vão mentir"
Mendonça, relator do caso do banco Master, retirou o sigilo de um relatório da PF que reunia mensagens entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, e um número atribuído a Moraes.
O documento apontava conversas em que Vorcaro teria pedido ao ministro ajuda para tratar de investigações com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Moraes reagiu e pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a abertura de investigação contra Mendonça, alegando suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa, crime de responsabilidade e favorecimento de grupos políticos na condução das relatorias. O ministro afirmou que a atuação do colega poderia representar interferência na condução das investigações da Polícia Federal.
O embate escalou após Mendonça determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. A decisão foi posteriormente suspensa pelo ministro Flávio Dino, que determinou o retorno dos dois dirigentes aos cargos e levou o caso ao plenário do STF.
O julgamento não decidirá se Moraes é culpado ou se deve responder a uma ação penal. O que estará em análise é se existem elementos suficientes para autorizar a abertura de uma investigação sobre os fatos apontados em um relatório de 218 páginas elaborado pela Polícia Federal (PF).
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.