Sequência de tornados no Sul reacende dúvidas sobre risco e proteção
O Sul do Brasil registrou uma sequência de tornados nos primeiros dias de novembro. De segunda (2) a quarta (4), ao menos cinco ocorrências foram confirmadas em sete municípios dos três estados da região.
Em Maringá, no interior do Paraná, o fenômeno recebeu classificação F2, com ventos estimados entre 180 km/h e 250 km/h, segundo o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná).
Os registros também incluem Chapecó, Xanxerê e Rio Negrinho, em Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, um tornado passou por áreas de Erval Grande, Itatiba do Sul e Barra do Rio Azul.
Em meio ao desastre natural, o interesse pelo fenômeno no Google atingiu, em 2026, o maior nível para o período de 1º de janeiro a 5 de novembro desde o início da série histórica, em 2004. Os dados são de um levantamento do Google Trends.
Na comparação com o mesmo intervalo de 2025, o interesse de busca pelo assunto cresceu 50%. Segundo o levantamento, as pesquisas aumentaram principalmente a partir de agosto.
Nas 24 horas até as 13h30 de quinta-feira (5), o interesse por Chapecó nas buscas cresceu 160% no Brasil. Em Santa Catarina, as buscas por "tornado" subiram 500%, enquanto por "Defesa Civil" cresceram 190%.
Como se forma um tornado?
Tornados são colunas de ar em rotação que conectam a base de uma nuvem de tempestade ao solo. A maioria está associada às chamadas supercélulas, tempestades caracterizadas por correntes de ar ascendentes em rotação.
Uma combinação de umidade, instabilidade atmosférica e mudanças na velocidade e na direção dos ventos conforme a altitude pode favorecer essas tempestades e a formação de tornados. Nem toda supercélula, porém, produz o fenômeno.
O que é um tornado F2?
A classificação F2 faz parte da escala Fujita, utilizada para estimar a intensidade dos tornados. A escala tem seis categorias, de F0 a F5.
Um tornado F2 pode arrancar árvores, destruir telhados, danificar construções e lançar objetos a grandes distâncias. Os ventos são estimados com base nos estragos, e não necessariamente medidos diretamente.
Foi essa a classificação atribuída pelo Simepar ao tornado que atingiu Maringá (PR) em 2 de novembro, com ventos estimados entre 180 km/h e 250 km/h.
Qual é a diferença entre tornado, ciclone e furacão ?
Os fenômenos têm características e dimensões diferentes.
O tornado é uma coluna de ar em rotação que conecta uma nuvem de tempestade ao solo. Costuma atingir áreas relativamente pequenas e durar poucos minutos, embora alguns episódios persistam por mais tempo.
O ciclone é um sistema atmosférico de baixa pressão, com circulação de ventos ao redor de seu centro. Pode se estender por centenas ou milhares de quilômetros e durar vários dias. Existem diferentes tipos, como os tropicais e os extratropicais.
Já o furacão é um ciclone tropical com ventos sustentados de pelo menos 119 km/h. Essa denominação é usada em regiões como o Atlântico Norte e o Pacífico Nordeste. Ele se desenvolve sobre águas oceânicas quentes.
Quantos tornados já foram registrados no Brasil?
Não há uma contagem nacional consolidada que reúna todos os tornados registrados no país. Pesquisadores e instituições mantêm levantamentos próprios, com períodos e critérios diferentes.
Um levantamento atribuído ao projeto Prevots identificou 524 registros entre julho de 2018 e agosto de 2026.
Já um estudo da UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa) identificou 581 tornados no Brasil entre 1975 e 2018, dos quais 411 ocorreram nos três estados do Sul.
Quais foram alguns dos tornados mais fortes registrados no Brasil?
Dois dos episódios de maior intensidade documentados no país ocorreram em 7 de novembro de 2025, no Paraná. Os tornados que atingiram Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava foram classificados como F4 na escala Fujita, após análise técnica do Simepar.
O tornado que passou por Rio Bonito do Iguaçu percorreu aproximadamente 75 km e atingiu diferentes municípios. Ele alcançou intensidade F4 na área urbana da cidade.
Outro tornado percorreu cerca de 44 km e atingiu intensidade F4 no distrito de Entre Rios, em Guarapuava. A classificação foi definida a partir de evidências como destruição de construções e vegetação e arremesso de objetos pesados.
Como se proteger de um tornado?
A recomendação é procurar abrigo em uma construção segura e permanecer longe de janelas, portas de vidro e áreas externas. Dentro de casa, o ideal é ficar em um cômodo interno, como um banheiro ou corredor, no pavimento mais baixo, protegendo a cabeça e o pescoço.
Quem estiver ao ar livre deve priorizar a busca por uma construção segura. Se não houver abrigo acessível, deitar-se em uma depressão no terreno e proteger a cabeça pode ser uma medida de último recurso. É preciso evitar locais alagados ou sujeitos à rápida elevação da água.
Também é importante ficar longe de árvores, postes e estruturas que possam cair e acompanhar os alertas emitidos pela Defesa Civil.
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