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Wednesday, September 23, 2026

Em primeiras imagens, filhote de onça-pintada brinca e interage com câmera no Pantanal de MT

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A filhote de onça-pintada Maia, foi registrada por câmeras de monitoramento do Instituto Impacto na Pousada Piuval, em Poconé , a 104 km de Cuiabá. As primeiras imagens mostram a filhote de aproximadamente 4 meses de idade explorando o ambiente e interagindo com um tronco. Ao g1, o médico-veterinário Paul Raad explicou que os registros ajudam a acompanhar o crescimento e o desenvolvimento de Maia (assista acima).

Ao g1, Paul explicou que a identificação da filhote também levou em conta o histórico de acompanhamento da família e a observação dos animais em conjunto.

“Ela está naquela fase de começar a brincar, explorar o mundo e desenvolver as habilidades que vai precisar no futuro como predadora. A gente tem registros bem detalhados dela brincando com a mãe e também explorando o ambiente. Como ela nasceu sem irmãos, ela acaba encontrando outros elementos para brincar, como um tronco, por exemplo", disse.

Os primeiros registros de Maia foram feitos quando ela tinha aproximadamente três meses. Nessa idade, a filhote começa a ganhar mais autonomia e a interagir com elementos do ambiente. Paul acrescentou que, como nasceu sem irmãos, Maia usa o próprio ambiente para desenvolver comportamentos importantes para a vida adulta.

Além da relação entre mãe e filha, os pesquisadores usam o padrão de manchas da pelagem para diferenciar cada onça. As marcas das rosetas são únicas e permitem reconhecer os animais ao longo do monitoramento.

“A gente consegue identificar as onças pelo padrão de manchas, que é único para cada indivíduo, como se fosse uma impressão digital. Então, a Nina tem um padrão, a Baía tem outro e a Maia tem o dela. O fato de a gente ter registrado a Maia junto com a Baía foi fundamental para confirmar essa relação", detalhou.

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🐾Maia faz parte de linhagem acompanhada

Nina é mãe de Baía, que é mãe de Maia — Foto: Montagem/g1

Baía, a mãe de Maia, nasceu em 2019 e é monitorada pelo Instituto Impacto desde que era filhote. Os pesquisadores acompanharam o animal ainda jovem, quando ela estava com Nina, e continuam registrando a trajetória da família.

Paul explicou que o acompanhamento de diferentes gerações ajuda a entender a permanência da espécie em uma área próxima às atividades humanas.

“Essa é uma população muito importante porque está numa região de conflito, onde existem atividades humanas muito próximas. A gente está falando de uma população de onças-pintadas que fica na região da Transpantaneira, a cerca de 10 quilômetros de Poconé, cercada por áreas de pecuária e agricultura. Então, acompanhar essas diferentes gerações é muito importante para o projeto", acrescentou.

Para o projeto, o nascimento de uma nova filhote também permite observar a reprodução e a permanência das onças na região. Paul considerou que a presença das três gerações fornece informações relevantes a respeito da reprodução e a ocupação do território pela população.

“Ver a Nina, a Baía e agora a Maia, que é uma nova geração, mostra que a população está conseguindo se reproduzir e ocupar esse ambiente. É um indicativo de que ainda existem condições para essas onças sobreviverem ali, apesar de toda a pressão das atividades humanas", afirmou.

Maia é a quarta geração dessa família acompanhada pelo instituto. O histórico permite aos pesquisadores observar o comportamento dos animais ao longo do tempo e compreender como eles ocupam uma área próxima às atividades humanas.

📹Câmeras acompanham aprendizado da filhote

As câmeras de monitoramento são usadas para registrar comportamentos que dificilmente poderiam ser observados de perto. Os equipamentos permitem acompanhar os animais sem interferir diretamente na rotina deles.

À medida que os filhotes crescem, as mães podem diminuir a exposição deles. Por isso, Maia pode aparecer com menos frequência nas câmeras nos próximos meses. Segundo Paul, esse comportamento está relacionado à proteção dos filhotes durante uma fase de maior vulnerabilidade.

“Os filhotes podem desaparecer das imagens conforme vão crescendo. As mães costumam esconder os filhotes porque eles são muito vulneráveis, principalmente nessa idade, e existem riscos de predadores e também de machos adultos", explicou.

🐆 Nome foi escolhido por visitante

Os registros de Maia também chamaram a atenção de pessoas que acompanham o trabalho realizado no Pantanal. O nome da filhote surgiu a partir da sugestão de uma visitante francesa, que contou aos pesquisadores que tinha uma neta chamada Maia.

O acompanhamento agora deve continuar para observar o crescimento, a saúde e o desenvolvimento dos comportamentos necessários para a vida adulta. Paul explicou que as novas imagens devem ajudar os pesquisadores a acompanhar as próximas etapas da vida de Maia e a entender como ela se desenvolve sob os cuidados de Baía.

“Agora, o nosso foco é continuar acompanhando o crescimento dela, a saúde, o desenvolvimento e principalmente esse processo de aprendizagem das presas naturais. A gente espera que ela continue crescendo, explorando e desenvolvendo as habilidades que vai precisar como predadora", concluiu.

Primeiras imagens de Maia, filhote de onça-pintada brincando e interagindo no Pantanal de MT — Foto: Instituto Impacto

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