Fim das bets vira aposta de Lula após Senado não votar fim da 6x1

Lula acertou ao chamar as bets de "tumor". O problema é que esse tumor cresceu sob os olhos do Estado por anos, alimentado por propaganda, patrocínio e omissão. Michel Temer abriu a porta em 2018. Bolsonaro deixou o vício crescer solto enquanto andava de jet ski. Lula tentou primeiro domesticar o cassino com regulamentação, o que não funcionou.
Só em 2025, famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para essas plataformas. E, segundo o Datafolha, 46% dos apostadores jogavam sonhando com dinheiro para pagar contas básicas. É o retrato perfeito da perversidade: tirar dinheiro de quem já não tem dinheiro prometendo que aquilo vai resolver sua falta de dinheiro.
Agora, vem um chororô de clubes, influenciadores, empresas, veículos de comunicação, economistas libertários. Mas o futebol não vai acabar porque perdeu patrocínio de bet, o jornalismo não vai morrer porque deixou de vender anúncio de cassino, influenciador terá que encontrar outro produto para empurrar aos seguidores.
Sim, a medida será judicializada com tantas ações quanto estrelinhas do céu e conchinhas do mar. E o Congresso Nacional pode ignorar a MP ou desidratá-la depois da eleição. Ou seja, a decisão de hoje pode ser modulada. Mas uma coisa precisa ficar clara: proibir uma máquina desenhada para explorar desespero financeiro não é paternalismo. Paternalismo foi proteger durante anos o faturamento das empresas enquanto famílias eram trituradas.
O governo tentou, quase no final do primeiro tempo, substituir a "bala de prata" que era esperada com o fim da escala 6x1, proposta que está sufocada em alguma gaveta de Davi Alcolumbre, no Senado Federal, após pedido de Flávio Bolsonaro. Mas, o que importa para as famílias, é que, finalmente, agiu.
Escândalo não é fechar as bets agora, mas deixá-las abertas por tanto tempo.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.