Um pescador de palavras e um lápis que tece teias

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Sejam bem-vindos ao programa "A Nossa Cultura". O meu nome é Martim Madeira e continuamos aqui no Teatro Viriato, nesta exposição "O Teatro Também é a Nossa Casa". Estamos com a Ângela Rocha. Já vimos uma das janelas desta maquete, uma janela impressionante do arquivo, uma homenagem a todas as pessoas que passaram nestes 25 anos do Teatro Viriato. Passamos agora para outra janelita, que está aqui nesta fachada principal, que é o Depósito das Palavras. Vemos um senhor que me parece ser um pescador, que está a pescar palavras. Temos aqui um fio preto com vários relevos que faz parecer com que, de fato, sejam letras. E depois temos um livro no qual esse pescador está sentado em cima. Tudo isto, claro, em miniatura dentro desta maquete. Parece que a tinta das palavras está a cair para o chão e que este pescador está a pegar estas palavras, está a pescar estas palavras. Este Depósito das Palavras é uma homenagem a todos os escritores e dramaturgos deste teatro.
Exatamente. Ou seja, não só homenagear as pessoas que fazem este teatro, mas também as diferentes profissões que são envolvidas para a criação de cada espetáculo. Neste caso, esta janela intitulada Depósito das Palavras é uma homenagem aos dramaturgos e escritores, à palavra em si, que utilizamos majoritariamente no teatro. E é um jogo cíclico criado, porque nós, na verdade, temos sempre o mesmo armazém de palavras. É como se houvesse um lugar no nosso imaginário em que temos todas as palavras do mundo e que depois as pessoas, na sua ideia em particular, as vão pescando e organizando de determinada forma, e é isso que cria toda a diversidade de textos e de ideias que nós podemos utilizar. Mas a base é sempre a mesma, são as palavras que estão organizadas de formas diferentes e que criam tantos significados diferentes. E, portanto, aqui houve uma espécie de tradução dessa ciclicidade, os livros que dão as palavras para este depósito e os pescadores que vão tentando voltar a agarrar nas palavras e ressignificar esse lugar. Mas é um depósito comum, coletivo e que toda a gente tem acesso.
Uma fonte de inspiração, no fundo, onde as palavras têm diferentes significados e há uma espécie de reciclagem. Passamos agora aqui para a fachada do lado esquerdo, isto porque há uma janelinha que diria que se pode ligar a este depósito das palavras. Temos aqui a teia do escritor. Lá está, palavras, os dramaturgos, os escritores, são eles que geralmente vão pescar estas palavras e dão novos significados. E vemos aqui uma teia de aranha onde temos vários piones. Está um lápis preso a esta teia de aranha com várias palavras. Portanto, esta teia com as palavras presas nos piones e o lápis preso a esta teia. O que é a teia do escritor?
Isto é uma forma, mais uma vez, metafórica. Eu gosto sempre de não ser demasiado literal nos significados que podemos ter. E neste caso foi uma interpretação do trabalho dos dramaturgos, que na sua escrita, na verdade, é como se o seu lápis fosse a aranha em si, que vai tecendo toda uma trama que liga os diferentes pontos, seja as personagens, o local, o enredo, a problemática, e que vai cosendo através desta teia os diferentes fatores que intervêm no texto e na história do teatro, para que se crie esta trama, este enredo, que depois nós temos acesso no espetáculo.
Portanto, de fato, curioso o lápis ser a aranha. Agora percebe-se ainda mais esta teia do escritor, porque pelo menos o que percebo é que o lápis está a capturar estas palavras e esta interligação de que os dramaturgos vão buscar as palavras e criam depois toda a obra com uma reciclagem de palavras, com várias inspirações, para depois dar um novo significado a essas palavras e também um novo significado talvez às peças, não sei se também tem a ver, porque de fato há várias interpretações, tal como também há várias interpretações desta maquete e vamos continuar a ver essas interpretações e estas janelinhas. Temos então aqui esta homenagem aos escritores do teatro e então vamos depois ver as outras janelas e continuar com estas janelinhas nesta maquete do Teatro Viriato, nesta exposição de "O Teatro Também é a Nossa Casa".
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