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Saturday, October 17, 2026

Do tratado ao arranque canhão: Iúri sagra-se campeão mundial

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As coisas não correram tão bem no omnium, onde acabou por não conseguir melhor do que a nona posição, as coisas foram ao sítio no scratch, com a conquista de um bronze que foi a terceira medalha conseguida em Mundiais. No ano que se seguiu ao evento que mudou toda uma carreira, como foram os Jogos Olímpicos de Paris com um título olímpico no madison com Rui Oliveira e uma prata no omnium, Iúri Leitão conseguiu voltar ao pódio nos Campeonatos do Mundo de Santiago do Chile. Aí, com a prova a decorrer de madrugada em Portugal, todos acordaram por cá com a melhor notícia possível. Agora, esse foi um ponto comum. 

Iúri Leitão defende medalhas olímpicas no omnium e madison nos Mundiais de pista em Xangai

Iúri Leitão começava este sábado a participação nos Mundiais de Xangai, já depois das duas medalhas de bronze de Tata Martins no scratch e de Carlos Manuel Salgueiro na corrida por pontos (disciplina onde a Seleção nunca tinha conseguido subir ao pódio), com uma competição de omnium onde começava como favorito. Primeira competição, neste caso ainda de madrugada em Portugal (5h27), primeira boa notícia: o português ganhou a prova de scratch, acabando com menos uma volta do que o japonês Kazushige Kuboki e do que o checo Adam Krenek. Curiosidade: quando se sagrou campeão mundial em Glasgow-2023 também ganhou os 40 pontos do scratch, então à frente de Oliver Wood e Tim Torn Teutenberg (ao contrário do que aconteceu por exemplo em Paris-2024, quando não foi além de uma sétima posição no arranque).

Iúri Leitão na liderança do Omnium ????

???????? Ao fim de duas provas, Iúri Leitão é líder na classificação do Omnium do Campeonato do Mundo de Pista. O português venceu o scratch e foi terceiro na tempo race. #Shanghai2026 #SNPista #FPCiclismo pic.twitter.com/pENH2zUDaZ

— Federação Portuguesa de Ciclismo (@FedPortCiclismo) October 17, 2026

O primeiro passo estava dado, o segundo não iria demorar. Duas horas e meia depois, Iúri Leitão voltava à pista para a time race. Queria defender a liderança, queria somar o máximo de pontos, cumpriu todos esses objetivos mesmo não ganhando: o alemão Tim Torn Teutenberg, que ficara em sétimo no scratch, venceu com uma soma de 28 pontos, à frente do espanhol Sebastian Mora Vedri (nono no scratch) e do português. Com esses 36 pontos da terceira posição, Iúri Leitão liderava o acumulado com 76 pontos, mais oito do que Tim Torn Teutenberg e mais 12 do que o belga Fabio Van Den Bossche, que tinha Sebastian Mora Vedri por perto. O “fosso” até ao top 30 já era mais de 30 pontos, mas havia ainda muita concorrência.

???? Men Elite Omnium – Tempo Race 2/4

Tim Torn Teutenberg takes the tempo with a lap gained, but scratch winner Iúri Leitão leads the overall after 2 races.

After 2/4:
1. ???????? Leitão – 76 pts
2. ???????? Teutenberg – 68 pts
3. ???????? Van den Bossche – 64 pts#Shanghai2026 #TrackCycling pic.twitter.com/dfV7fjgjyw

— UCI Track Cycling (@UCI_Track) October 17, 2026

Seguia-se a prova de eliminação, que como se viu em Paris-2024 é sempre um risco (na altura, o português ficou confuso com o barulho que havia no velódromo, não se apercebeu da sineta para volta a eliminar e acabou por ficar no “corte” mais cedo do que esperava). Iúri quis jogar pelo seguro e voltou a estar exemplar, com uma estratégia de sucesso que o foi protegendo de eventuais obstáculos inesperados até entrar no top 10, onde acabou por ser eliminado por Tim Torn Teutenberg e Henry Hobbs, que ganhou e somou os 40 pontos. Assim, e com três provas cumpridas, o português mantinha-se na liderança com um acumulado de 112 pontos, mais seis do que o germânico e mais 12 do que o britânico, que ascendeu à terceira posição. Fabio Van Den Bossche seguia com 96, ao passo que Sebastian Mora Vedri já tinha apenas 86 pontos nesta fase.

Iúri Leitão, que em fevereiro se sagrou campeão europeu em Konya pela primeira vez no omnium (juntando scratch e madison foi o sexto ouro em Europeus), estava perto de voltar ao pódio em Mundiais para alargar um currículo fabuloso com apenas 28 anos, que contava já com duas medalhas olímpicas (ouro no madison e prata no omnium em 2024), três medalhas em Mundiais (ouro no omnium em 2023, prata na eliminação em 2021 e bronze no scratch em 2025) e 11 medalhas em Europeus (ouro no scratch em 2020, 2022, 2024 e 2025, na corrida por pontos em 2025 e no omnium em 2026, prata na eliminação em 2020, na corrida por pontos em 2021 e no madison em 2023 e bronze no omnium em 2020 e no madison em 2021), contando apenas com grandes provas internacionais como sénior (antes ganhara duas nos Sub-23).

Chegou, deixou os outros a ver e acabou a vencer: Iúri Leitão sagra-se campeão da Europa no omnium depois de dominar três das quatro provas

Chegava a prova decisiva, com Iúri Leitão a liderar ainda antes do arranque “oficial” como que a deixar uma mensagem a toda a concorrência. No entanto, com muita estratégia à mistura, os dois primeiros sprints para os pontos acabaram por deixar de fora os três da frente da classificação, com Sebastian Mora Vedri e Fabio Van Den Bossche a aproveitarem para se aproximar da zona de medalhas. Estava na hora de mexer, com o português a ganhar três pontos no terceiro sprint e a alargar a vantagem com Hobbs com dois e Teutenberg com um e a não desacelerar, somando de seguida mais cinco pontos à frente do germânico, ficando no acumulado com dez na frente (120-110). Problema? Aproveitando um período de descompressão, Fabio Van Den Bossche lançou-se na frente, foi buscar os 20 pontos extra da volta de avanço e passou para a frente com mais quatro pontos. Solução? Dar também uma volta de avanço, algo que alcançou depois de fugir do grupo dos primeiros, acelerar como um verdadeiro campeão e ir buscar os 20 pontos que lhe confirmaram mesmo o segundo título mundial de uma forma categórica em Xangai na terceira medalha para Portugal.

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