Austrália passará a prender turistas com visto expirado

O Governo da Austrália indicou esta sexta-feira que irá passar a colocar os turistas que ultrapassem a duração autorizada dos seus vistos em detenção administrativa, no âmbito de um endurecimento das políticas de imigração do país.
Na quinta-feira, o ministro do Interior, Tony Burke, tinha anunciado restrições aos vistos de estudante e de férias-trabalho, afirmando querer demonstrar que o Governo “controla” a imigração.
Burke indicou, nomeadamente, que serão criadas 250 novas vagas em centros de detenção e recrutados mais 100 agentes para sancionar pessoas que permaneçam no país para além do período autorizado pelos seus vistos.
O ministro adjunto dos Negócios Estrangeiros, Matt Thistlethwaite, precisou esta sexta-feira que os titulares de simples vistos de turismo também poderão ser colocados em detenção caso excedam o prazo de permanência autorizado.
“Consideramos que esta medida dissuasora garantirá, evidentemente, que as pessoas respeitem as condições” da sua estadia na Austrália, declarou à emissora News24.
A medida foi criticada pelo Conselho Australiano da Indústria do Turismo, que representa milhares de profissionais do setor. A diretora da organização, Erin McLeod, afirmou recear pelo impacto na imagem do país.
A responsável advertiu, em declarações à agência France-Presse, que a detenção de turistas poderá “tornar-se verdadeiramente prejudicial”, uma vez que o turismo representa uma componente importante da economia australiana.
Organizações de defesa dos direitos humanos manifestaram igualmente preocupação, com Rebecca Eckard, do Conselho Australiano para os Refugiados, a considerar ilegal a vertente “punitiva” da medida e a alertar para insuficiências no acesso a cuidados de saúde nos centros de detenção.
Segundo as autoridades, existem atualmente cerca de 77.000 pessoas a permanecer na Austrália apesar de os seus vistos, de todas as categorias, terem expirado.
O Governo trabalhista pretende reduzir o saldo migratório anual para 225.000 pessoas, face às atuais 292.000, neste país com cerca de 28 milhões de habitantes.
Na quinta-feira, Burke negou que este endurecimento da política migratória esteja relacionado com a ascensão do partido de extrema-direita One Nation, ao qual as sondagens atribuem 25% das intenções de voto, argumentando que as medidas respondem à crise habitacional que o país enfrenta.
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