Exposição grátis retrata vida de Luis Fernando Verissimo e bastidores de sua produção
São Paulo Uma exposição gratuita inaugurada no Centro Cultural Fiesp reúne até fevereiro mais de 300 itens que retratam a vida e o ofício de Luis Fernando Verissimo, escritor e cartunista que foi um dos grandes humoristas do país, morto em 2025, aos 88 anos.
Traçar um caminho biográfico que jogue luz nos grandes amores de Verissimo e na capacidade dele se expressar em tantas linguagens é o que propõe Isa Pessoa, curadora da mostra, que conheceu de perto o escritor ao editar por anos suas publicações para a editora Objetiva. Ela partiu de um vasto acervo doado por Lúcia Helena Massa, viúva do autor, à Universidade do Vale do Rio dos Sinos, a Unisinos, em Porto Alegre.
Filho do também escritor Érico Verissimo (1905 - 1975), Luis cresceu nos Estados Unidos quando o pai lecionava na Universidade da Califórnia. Apesar da influência familiar, foi a música que o cativou na juventude.
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Entrou na adolescência durante a ascensão do jazz, nos anos 1950. Admirador de Louis Armstrong, queria tocar trompete. Não conseguiu estudar o instrumento e partiu para o saxofone, decidido a ser Charlie Parker, segundo conta Pessoa. Na mostra, é possível ver exemplares de discos de sua coleção e ouvir algumas faixas a partir de um tablet.
Ilhas espalhadas pelo salão da exposição mostram cadernos da infância do autor, cartas, originais e alguns materiais de trabalho, como a réplica da máquina de escrever que herdou do pai e instrumentos de desenho.
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Está exposto, por exemplo, um exemplar do Patentino. Irreverente desde cedo, o escritor criou na juventude, com sua irmã, Clarissa Verissimo, o jornaleco nomeado a partir do termo gaúcho para privada, em que a dupla mirim criticava os adultos ao redor.
Além de livros e outros textos, têm grande espaço na mostra os originais de suas charges. Eles expõem o processo criativo de Verissimo, que utilizava técnicas modernas para a época para montar suas páginas, como sobrepor à folha original um papel mais transparente e criar uma camada separada para a coloração.
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Suas criações mais marcantes também estão presentes: As Cobras ganharam uma grande escultura e é possível deitar-se no divã do bronco Analista de Bagé. Personagens como o detetive Ed Mort e a Família Brasil estão em desenhos e charges. O próprio escritor aparece na exposição como um boneco inspirado em suas caricaturas.
Seções da mostra exibem ainda vídeos com depoimentos do escritor ou sobre ele, com participação de Fernanda Torres, Claudia Abreu, Chico Buarque e Milton Hatoum.
Traçando Veríssimo
Centro Cultural Fiesp – av. Paulista, 1.313, Bela Vista, região central. Ter. a dom., das 10h às 20h. Até 28/2. Grátis
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