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Monday, September 28, 2026

Mensagens contradizem proposta de delação de Vorcaro sobre Toffoli

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Vorcaro diz que combinou um pagamento de R$ 35 milhões pela fatia do resort Tayayá em 2021, mas ficou devendo R$ 15 milhões. Segundo ele, os valores totais não foram pagos porque o ministro se afastou dele, devido a críticas de amigos.

Naquele ano, a Reag, também investigada no caso Master, usou um fundo de investimento, o Arleen, para comprar cotas dos irmãos de Toffoli, por R$ 20 milhões. Mensagens mostram Vorcaro cobrando o repasse de mais R$ 15 milhões três anos depois, em 2024.

Além disso, Toffoli e Vorcaro tiveram encontros desde 2023, antes, portanto, do segundo pagamento. A PF mapeou 12 ocasiões em que o ex-banqueiro esteve com o ministro de outubro de 2023 a fevereiro de 2025, na relação intermediada pelo ex-deputado federal Fábio Faria.

Procurado, o ministro Toffoli não respondeu.

O ministro enviou uma nota divulgada em fevereiro de 2026. Nela, afirma que a Maridt é "uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado", com declarações anuais à Receita Federal. Maridt Participações é uma empresa presidida por um irmão do ministro.

O texto afirma ainda que "todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado" e que todos os atos da empresa e de seus sócios estão declarados à Receita "sem nenhuma restrição".

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O que diz a proposta

Em sua versão, Vorcaro teria reencontrado o ministro no início de 2025, num evento de um amigo em comum. Foi lá, segundo a proposta de delação, que o empresário Alberto Leite o abordou e ofereceu comprar sua parte no Tayayá.

Toffoli também estava nesse evento, mas, com ele, Vorcaro diz que conversou pouco. Ou seja: Leite e Vorcaro, segundo o então banqueiro, negociaram suas participações no resort num evento em que o ministro estava presente, mas não o convidaram para a conversa.

Só depois disso Vorcaro diz que teria começado a cobrar seu cunhado, Fabiano Zettel, para pagar os R$ 15 milhões restantes.

"Após essa decisão de venda do investimento para Alberto Leite, ocorreram trocas de mensagens nas quais 'cobrava' Fabiano Zettel para complementar o restante do investimento", diz o texto. Zettel operava os pagamentos do então banqueiro.

Cobrança começa em 2024

As mensagens estão num relatório da PF (Polícia Federal), como mostrou a revista Piauí. São anteriores em dez meses ao que a proposta de delação descreve, e desmentem a versão do encontro com Leite.

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Em 24 de maio de 2024, horas após receber uma ligação de Toffoli, Vorcaro escreve a Zettel: "Você nao resolveu o aporte no fundo. Tayayá. Estou em situação ruim", cobrou.

Eram dois assuntos que Vorcaro e Zettel tratavam como parte de uma mesma negociação: um novo aporte de R$ 15 milhões e a transferência do fundo Arleen para um terceiro.

Em um diálogo posterior, Zettel disse que estava apenas aguardando um advogado dizer para quem o fundo deveria ser transferido para encerrar o negócio.

A proposta de delação apresenta Alberto Leite como alguém que surgiu no início de 2025, num evento social, com uma iniciativa espontânea de compra.

Nas mensagens, a história é outra. Em 5 de novembro de 2024, Vorcaro diz a Leite: "Estou pronto pra executar aquele deal que falamos." Leite responde "beleza" e diz estar na Espanha.

Poucos minutos depois, na mesma noite, Vorcaro diz a Zettel que "aquele FIP Tayayá tem que passar pra um amigo que vai comprar". FIP é a sigla para Fundo de investimento em Participações. Em seguida, dá o nome: "Alberto".

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Em 27 de dezembro de 2024, Vorcaro pede ao cunhado o contrato de venda: "Preciso fazer contrato de venda do fundo Tayayá." Determina prazo de pagamento em até 180 dias e, sobre o comprador, escreve: "Sem nome." Em 19 de fevereiro de 2025, Zettel informa: "Alberto Leite concluído! Tá todo feliz."

O que mudou na delação

O anexo sobre Toffoli foi reescrito entre a primeira e a terceira versão da proposta de delação. O UOL comparou os dois textos.

Na versão final, o acordo de R$ 35 milhões passou a ser descrito como "compromisso inicial verbal". Foi acrescentada a informação de que o contrato assinado cobria apenas os R$ 20 milhões da entrada.

Também foi acrescentada uma frase sobre a parcela restante: "Como a segunda parcela, de R$ 15MM não havia sido formalizada, não era possível que a empresa do ministro fizesse qualquer cobrança ou notificação."

A empresa referida é a Maridt Participações, presidida por um irmão do ministro.

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Saiu do texto uma frase em que Vorcaro negava haver contrapartida por parte do ministro: "A operação se tratou de investimento e venda sem qualquer contrapartida ou pedido relacionado ao ministro Dias Toffoli."

Foi retirada também a afirmação de que, no período, não havia "causas específicas de interesse do colaborador ou do Banco Master com o ministro Dias Toffoli" — as mensagens mostram que isso não é verdade.

As mensagens mostram que Vorcaro tinha uma expectativa de que o ministro votasse a seu favor em um caso envolvendo direitos creditórios de usinas do setor sucroalcooleiro, que representavam um patrimônio bilionário para o Master.

Na primeira versão, Vorcaro dizia que faria o investimento "mesmo se não fosse ligado ao ministro Dias Toffoli". Na última, diz que a operação "se tornava ainda mais interessante por ser relacionada ao Dias Toffoli".

Mudou ainda a explicação para ter pago a segunda parcela. Antes, ele dizia que "entendeu ser bom para o negócio". Depois, Vorcaro afirma que decidiu pagar "a fim de cumprir a palavra dada ao ministro, por se tratar de quem ele é".

Por fim, as mensagens deixaram de figurar na lista de provas de corroboração do anexo. Na primeira versão, os dois primeiros itens eram as conversas com Fábio Faria e as cobranças a Zettel.

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O que diz a defesa de Vorcaro

A defesa de Daniel Vorcaro disse que "repudia a divulgação de supostos anexos que estariam relacionados a tratativas de colaboração premiada que não foi celebrada".

"A defesa não confirma o conteúdo do material divulgado, cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas."

"O material preliminar da colaboração foi disponibilizado a um número restrito de autoridades que possuem dever legal de confidencialidade. A defesa reafirma que Daniel Vorcaro possui informações personalíssimas e relevantes para o caso e segue disponível para contribuir com as autoridades."

Reportagem

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