PF abre 2º inquérito sobre Flávio Bolsonaro, sobre suspeita de lavagem de dinheiro
A Polícia Federal (PF) instaurou um segundo inquérito sobre o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (RJ), desta vez para apurar seu suposto envolvimento em suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, seu amigo. Tomaz diz que não teve acesso ao inquérito.
Procurada, a campanha de Flávio Bolsonaro não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
O inquérito chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 8 de outubro, foi autorizado, e o relator sorteado para o caso foi o ministro Alexandre de Moraes. A abertura da investigação foi noticiada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela EXAME.
O senador já é alvo de uma outra investigação da PF, sobre os valores multimilionários destinados por Daniel Vorcaro supostamente usados para financiar o filme Dark Horse, biografia de Jair Bolsonaro.
Na novo caso, os agentes da PF investigam se o advogado Willer Tomaz controla uma casa de apostas, a Rede Loto, primeira bet que obteve autorização estadual do governo do Rio de Janeiro para operar. A investigação surgiu a partir de um inquérito da PF no Rio Grande do Sul que apura a relação entre fintechs e bets.
Os agentes obtiveram a quebra de sigilo telemático de Tomaz e, ao analisar os dados, encontraram vínculos de proximidade com o senador. Por isso, a investigação precisou ser levada ao STF. Há menção a pagamentos de viagem do senador efetuados pelo advogado.
Como a EXAME mostrou, Willer é um dos proprietários de um jato particular do qual Daniel Vorcaro foi cotista. O avião é o mesmo usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, e que chegou a ter uma cota oferecida como pagamento ao escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro.
Em nota, o advogado afirma que tomou conhecimento do inquérito pela imprensa. "A defesa já requereu acesso aos autos e prestará todos os esclarecimentos às autoridades", disse em nota.
"Todas as empresas e participações do advogado são lícitas, identificadas em registros públicos e informadas em sua declaração de imposto de renda. Não há sócios ocultos, contas não declaradas nem patrimônio escondido. A Rede Loto, integralmente detida pela Cathedral, nunca lançou operação de apostas. O senador Flávio Bolsonaro jamais teve acesso ou poderes sobre conta de qualquer empresa do advogado. A relação entre os dois é de amizade entre famílias, e amizade não é crime", afirma Willer Tomaz.
O advogado afirma, ainda, que "causa estranheza" que documentos sigilosos e desconhecidos pela própria defesa "sejam divulgadas de forma seletiva a seis dias do segundo turno".
"A defesa confia que a investigação, conduzida com acesso aos autos e contraditório, demonstrará a regularidade de todas as operações", conclui o documento.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.