Amadora-Sintra. Doentes urgentes esperam 12 horas

O tempo de espera para doentes urgentes no serviço de urgência do Hospital Fernando Fonseca, mais conhecido como Amadora-Sintra, atinge quase as 13 horas na manhã desta quarta-feira, segundo os dados disponíveis no portal de monitorização dos tempos de espera do SNS. A urgência do hospital está sob grande pressão, sendo que, pelas 8 horas, mais de 80 doentes esperavam por uma primeira observação médica.
A situação mais grave é dos doentes triados com pulseira amarela, e, por isso, considerados urgentes. Estes doentes enfrentam um tempo de espera de 12h46 na urgência geral do hospital Amadora-Sintra, muito superior ao tempo de espera definido pelos critérios da triagem de Manchester, que define que os utentes com pulseira amarela devem ser vistos por um médico num período máximo de uma hora.
Esta terça-feira, a SIC dava conta do caso de uma idosa de 96 anos que esperou mais de 16 horas para ser observada por um médico no serviço de urgência, depois de lhe ter sido atribuída a pulseira verde.
De acordo com os dados do portal de monitorização dos tempos de espera do SNS, os doentes com pulseira amarela que estão em observação no Amadora-Sintra estão nessa situação há 24 horas.
Ministra admite “instabilidade” na equipa de urgência e elevada pressão
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, admitiu esta terça-feira que as próximas semanas vão ser de grande pressão nas urgências de Lisboa e Vale do Tejo, sobretudo no Hospital de Amadora-Sintra. “Temos uma situação de falta de recursos humanos naquela ULS [Unidade Local de Saúde], de muita falta de enfermeiros e de médicos, concretamente na urgência. As próximas semanas serão de grande pressão em LVT e concretamente no Amadora-Sintra”, disse a governante, à margem de uma visita a Porto de Mós.
Segundo a ministra, houve “várias mudanças” e “isso criou instabilidade na equipa de urgência” do Amadora-Sintra. “Estamos a fazer tudo aquilo que nos compete enquanto Governo a procurar conseguir trazer de novo profissionais para uma urgência” que classificou como a “mais sobrecarregada do país”, garantiu Ana Paula Martins, classificando a zona coberta pela urgência do Amadora-Sintra como “a zona do país com maior pressão assistencial”, devido sobretudo à falta de cobertura da população por médicos de família.
Temos mais de 240 mil pessoas ali só nestes concelhos sem médico de família e isso causa uma pressão assistencial sobre as urgências muito grande”, reconheceu.
O Observador questionou a ULS Amadora-Sintra sobre quantos médicos e enfermeiros fazem parte, neste momento, da equipa dedicada da urgência, quantas saídas de profissionais se registaram nos últimos meses (bem como o que está a ser feito pelo Conselho de Administração para reforçar a capacidade da urgência) e aguarda resposta.
Noutras urgências da área de Lisboa e Vale do Tejo, os tempos de espera para primeira observação de doentes urgentes são, também, elevados na manhã desta quarta-feira. Nos hospitais do Barreiro e de Santa Maria, por exemplo, os tempos de espera para doentes triados com pulseiras amarelas ultrapassam as sete horas.
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