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Tuesday, October 6, 2026

Lula diz carregar 'promiscuidade' do STF na campanha e chama Flávio Bolsonaro de 'cara do sistema'

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O presidente Lula (PT) disse nesta segunda-feira (5) que carrega na campanha o desgaste causado pela crise de imagem do STF (Supremo Tribunal Federal). Também afirmou que seu adversário na eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), é "a cara do sistema".

"Ele [Flávio Bolsonaro] é a cara do sistema. Nós não explicarmos isso para a sociedade é um grande defeito nosso. Só tem um candidato que é antissistema, que somos nós. Não tem outro. E estamos carregando nas costas uma coisa muito grave que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois dessas denúncias", disse o presidente da República.

Tanto Flávio Bolsonaro quanto Lula buscam encarnar o discurso "antissistema", mas de formas diferentes. O candidato do PL enquadra como "sistema" a elite política e judiciária do país, enquanto Lula coloca nessa categoria a elite econômica.

O presidente da República manifestou o interesse de participar de debates televisionados no segundo turno. Ele faltou a todos os organizados na campanha de primeiro turno. Seu grupo político argumentava que não seria proveitoso um formato com muitos candidatos, onde o tempo para cada um falar seria pequeno.

"Agora é importante ter debate na televisão, porque agora é tete a tete", disse o petista.

O chefe do governo voltou a defender uma reforma no Judiciário. Além disso, disse que ministros da Suprema Corte não estão acima da lei. "Quando você chega numa situação em que a Suprema Corte está sob a desconfiança da sociedade, algo é muito grave", afirmou.

Lula deu as declarações em reunião com aliados realizada em Brasília. Foi a primeira atividade de campanha do petista após terminar o primeiro turno da eleição presidencial em segundo lugar, atrás de Flávio Bolsonaro.

Petistas dizem acreditar que o presidente da República sofreu desgaste político por causa da crise desencadeada pelo escândalo do Banco Master no STF. Lula não é citado no caso, mas foi próximo de ministros do Supremo ao longo de quase todo o atual mandato.

A análise entre petistas é que essa proximidade fez com que o eleitor associasse Lula ao caso Master. Além disso, o desgaste do STF deu força aos ataques feitos pela direita bolsonarista ao tribunal há anos.

Lula reconheceu publicamente que o público ao qual ele pode recorrer para tentar aumentar sua votação no segundo turno é limitado.

O petista mencionou o grande avanço que teve entre o primeiro e segundo turno na eleição presidencial de 1989, e depois ressalvou: "Naquele tempo também tinha mais público para a gente disputar. O público está menor. Hoje os chamados neutros estão menores".

Além disso, o chefe do governo pregou contra a abstenção recorde na votação deste ano. A ausência do eleitorado historicamente prejudica mais os resultados de Lula do que de adversários. O motivo é que os setores mais pobres da sociedade, onde o apoio ao petista é maior, são justamente os que têm mais chances de não comparecer às eleições.

"Tem uma coisa que nós temos que trabalhar, são 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu com essas pessoas? Eles perderam o sentido de responsabilidade? Eles não foram convencidos? Eles não gostam dos candidatos? Porque se fosse assim, teria surgido uma terceira via, e não surgiu terceira via", questionou Lula.

Em parte de sua fala, Lula disse que lhe foi sugerido "fazer mais selfies". De acordo com um dos presentes na reunião, o presidente se referia à sugestão do governador do Piauí, Rafael Fonteles, reeleito em primeiro turno.

O governador havia feito a indicação pelo entendimento de que o presidente deveria marcar maior presença nas redes. Lula disse, em tom de brincadeira, que se pudesse ficaria em casa "só fazendo selfies", mas que sua equipe precisava entender que a população é movida a paixões.

A reunião foi aberta pelo coordenador da campanha, Edinho Silva. Também falaram na reunião os eleitos Marília Arraes (PDT), como senadora em Pernambuco, Elmano de Freitas (PT), reeleito ao governo do Ceará, e Luizianne Lins (Rede), eleita ao Senado no Ceará.

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