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Wednesday, November 4, 2026

Eleições nos EUA: quem são os grandes vencedores

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    • Author, Rafael Abuchaibe
    • Role, BBC Mundo
  • Published

  • Tempo de leitura: 7 min

Além de recuperar o controle das duas casas do Congresso, o partido conseguiu vencer disputas importantes por cargos estaduais, como governos e prefeituras, em estados que votavam nos republicanos havia décadas.

Analistas nos Estados Unidos concordaram que o resultado representa uma manifestação de rejeição da população a diferentes políticas do governo de Donald Trump e ao aparente desinteresse do Partido Republicano em exercer o controle político.

Os preços dos combustíveis, em especial, impulsionados pela guerra no Irã, enfureceram eleitores, que em muitos lugares decidiram apoiar em massa candidatos democratas na tentativa de mudar o cenário econômico.

O resultado também trouxe mudanças históricas: a eleição de um senador democrata no Estado republicano do Kansas pela primeira vez desde 1932, a eleição da primeira mulher negra para o governo da Geórgia e a chegada da primeira governadora latina ao Texas.

A BBC faz um balanço das vitórias democratas mais marcantes da noite.

James Talarico - Senado, Texas

James Talarico sorri e acena para a câmera.

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Ao vencer a disputa pelo Senado no Texas, James Talarico se tornou o primeiro democrata a conquistar uma cadeira na Câmara Alta pelo estado desde 1988

Uma das disputas mais importantes foi por uma cadeira no Senado pelo Texas, vencida pelo democrata James Talarico, de 37 anos.

Com a vitória, Talarico se tornou o primeiro democrata a conquistar uma cadeira na Câmara Alta pelo Estado desde 1988.

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Ainda nas primárias democratas, o deputado estadual derrotou uma adversária bastante conhecida: a deputada federal por Dallas Jasmine Crockett.

Desde que conquistou a indicação do partido, manteve a liderança nas pesquisas, apesar de uma intensa ofensiva de anúncios negativos contra sua candidatura. Grande parte dessa campanha foi financiada pelo homem mais rico do mundo, Elon Musk, cuja empresa, a SpaceX, tem sede no Texas.

Neto de um pastor, Talarico passou um período no seminário e usou seus conhecimentos da Bíblia em seus discursos, fazendo frequentes referências ao confronto entre Davi e Golias.

"Estamos enfrentando nossos próprios Golias", disse em um de seus eventos de campanha, em Lubbock. "Aos bilionários que fazem grandes doações, aos interesses corporativos específicos e a todo o establishment de Washington: o poder de vocês é real, mas o nosso também é."

No passado, a força dos democratas no Texas já foi superestimada. Em 2018, o deputado federal Beto O'Rourke bateu recordes de arrecadação de campanha, atraiu grande atenção nacional e, por fim, perdeu para o senador texano Ted Cruz por pouco mais de dois pontos percentuais.

Jon Ossoff - Senado, Geórgia

Ossoff em um ato de campanha.

Crédito, Getty Images

O senador democrata Jon Ossoff garantiu a reeleição ao derrotar o candidato republicano Mike Collins na Geórgia, consolidando o controle democrata nesse Estado-chave.

Ossoff, uma das figuras em ascensão no Partido Democrata, apresentou seu adversário como aliado de um "presidente fracassado" e fez do aumento do custo de vida um dos temas centrais de sua campanha. A Geórgia votou em Trump em 2024.

Durante a campanha, o republicano Collins responsabilizou o ex-presidente Joe Biden pelo aumento do custo de vida e defendeu seu apoio à guerra de Trump no Irã.

Diante de pesquisas que indicavam uma vantagem confortável de Ossoff na disputa, os republicanos transferiram recursos da Geórgia para outras eleições.

Brian Kemp, governador republicano da Geórgia, que não podia concorrer à reeleição, era o favorito para enfrentar Ossoff na disputa pelo Senado, mas recusou o convite.

Analistas políticos suspeitam que Kemp evitou entrar na disputa por receio da crescente projeção nacional de Ossoff, que, segundo rumores, estaria considerando uma candidatura à Presidência em 2028.

Ao longo da campanha, Ossoff minimizou essas especulações e afirmou repetidamente que não tem "nenhum interesse" em concorrer à Presidência.

Sua mensagem eleitoral foi centrada na economia e nas preocupações dos eleitores com o custo de vida, apontado pelas pesquisas de boca de urna como a principal questão para muitos deles.

Keisha Lance Bottom - Governadora, Geórgia

Keisha Lance Bottoms comemora a vitória em seu comitê de campanha.

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Keisha Lance Bottoms é a primeira mulher negra eleita governadora de um estado na história dos Estados Unidos

A ex-prefeita de Atlanta, Keisha Lance Bottoms, conquistou uma vitória histórica na disputa pelo governo da Geórgia e se tornou a primeira mulher negra eleita governadora de um Estado na história dos Estados Unidos.

Além disso, Lance Bottoms devolveu ao Partido Democrata um governo estadual que estava sob controle republicano desde 2003.

Sua adversário era o empresário do setor de saúde Rick Jackson, que contava com o apoio do presidente Trump.

Durante a campanha, Lance Bottoms concentrou seu discurso na economia, destacando os preços elevados em meio ao conflito com o Irã. Ela também associou seu adversário à construção de centros de dados e ao governo Trump.

De todo modo, a expectativa é que o mandato não seja fácil, já que as duas casas da Assembleia Legislativa estadual permanecem sob amplo controle republicano.

Na reta final da campanha, ela recebeu o apoio de grandes nomes do partido, como o ex-presidente Barack Obama, que visitou o Estado para acompanhá-la em um evento de campanha.

Gina Hinojosa - Governadora, Texas

Gina Hinojosa acena para o público do palanque, com uma grande bandeira do Texas ao fundo.

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Com Gina Hinojosa e James Talarico, o Texas registra uma onda democrata histórica

Gina Hinojosa não apenas se tornou a primeira governadora latina do Texas, como também chegou ao cargo derrotando o governador republicano Greg Abbott, que estava havia mais de dez anos no poder.

Com isso, devolveu o governo estadual aos democratas pela primeira vez desde 1994.

Filha de uma imigrante mexicana, Hinojosa cresceu na fronteira entre os dois países, em Brownsville. Durante a campanha, disse que só sentiu o chamado para entrar na política em 2012, quando foi anunciado o fechamento da escola primária de seu filho.

Foi então que decidiu se candidatar a uma vaga no conselho escolar, do qual acabou se tornando presidente.

Em 2016, foi eleita para a Câmara dos Representantes do Texas. Quando anunciou sua candidatura ao governo do Estado, era vista como uma candidata de pouca expressão.

Hinojosa baseou suas propostas na promessa de reduzir os preços e nas críticas à estratégia migratória do governo Trump.

Sua campanha ganhou força impulsionada pela candidatura de James Talarico, agora senador eleito.

Após essa jornada histórica, os dois se tornaram os rostos mais visíveis da onda democrata não apenas no Texas, mas em todo o país.

Adam Hamilton - Senado, Kansas

Adam Hamilton, candidato democrata ao Senado dos Estados Unidos pelo Kansas, reage aos resultados eleitorais em sua suíte em um hotel Marriott em Overland Park, no Kansas.

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Hamilton se torna o primeiro senador democrata pelo Kansas desde 1932

Desde 1932, o Estado do Kansas não elegia um senador do Partido Democrata. Em 2024, Trump venceu no Estado com uma vantagem de 14 pontos percentuais.

Agora, o pastor de uma das maiores congregações religiosas do país, Adam Hamilton, torna-se o primeiro senador democrata pelo Kansas em 94 anos.

Ele derrotou o senador Roger Marshall — que mantém estreita aliança com Trump — e afirmou ser o único candidato capaz de superar a divisão política.

Hamilton criticou duramente seu adversário pelo aumento dos preços, agravado pela guerra tarifária iniciada por Trump, além da alta nos preços dos combustíveis provocada pela guerra no Irã.

Abdul El-Sayed - Senado, Michigan

Abdul El-Sayed sorri diante de um púlpito com a inscrição "Abdul para o Senado. Obrigado, Michigan". Ele veste um terno sem gravata, com a camisa aberta. Ao fundo, aparecem várias bandeiras dos Estados Unidos.

Crédito, Salwan Georges/Getty Images

Legenda da foto, Abdul El-Sayed, filho de egípcios, se tornou a primeira pessoa muçulmana eleita para o Senado dos EUA

Abdul El-Sayed se tornou a primeira pessoa muçulmana eleita para o Senado dos Estados Unidos, após ser declarado vencedor no Michigan, em uma das disputas mais acirradas da eleição. Sua vitória garante que a cadeira permaneça nas mãos dos democratas.

El-Sayed derrotou seu adversário republicano, Mike Rogers, que recebeu apoio inesperado de última hora da rival democrata que havia enfrentado El-Sayed nas eleições primárias.

A disputa foi uma das mais acirradas das eleições de meio de mandato. Trump fez referências aos atentados de 11 de setembro e chegou a chamar El-Sayed de "jihadista", sem apresentar qualquer prova, o que provocou uma forte reação contrária e acusações de islamofobia.

Os apoiadores de El-Sayed foram ao delírio quando ele subiu ao palco para comemorar a vitória, relata Nada Tawfik, da BBC.

El-Sayed, de 41 anos e filho de imigrantes egípcios, representa o que muitos consideram a ala mais à esquerda do partido. Ele já manifestou apoio a pautas como a criação de um sistema público de saúde e a abolição do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).

Também defendeu o fim da ajuda militar dos Estados Unidos a Israel sem condições e conta com o apoio de nomes conhecidos do movimento dos socialistas democráticos, como o senador por Vermont Bernie Sanders e a deputada federal por Nova York Alexandria Ocasio-Cortez.

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