Terapia de amigas: viver sozinha e dizer não

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Não é fácil, eu sei. Mas, amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume. Olhem, amigas, estou muito contente de estar aqui. Estava cheia de vontade. Eu estava a vir para aqui no carro e a rever aquilo que queria dizer e estava mesmo: "Estou bem entusiasmada, estou numa felicidade."
Terapia.
É, terapia. Da última vez eu deixei como título "Terapia de Amigas", resultou e foi isso que foi. Foi mixórdia.
Terapia de Amigas 2.0 hoje.
É isso, vamos fazer outra vez. Estou a precisar. Quem quer começar? Rosa, espinho e cimento.
Quem começa? Vai tu, que da última vez comecei eu.
Podes? Pronto.
Então vá, Rosa. Foi a minha palestra que eu fiz entre o último episódio e este. Ou seja, o que aconteceu? Houve um evento que estava ligado ao meu trabalho full time e eu tinha que fazer uma palestra. E eu sempre disse que eu sou uma pessoa que eu nasci para ser público. Ou seja, eu sou zero a pessoa do palco, sou zero a pessoa de estar a falar. Porque uma coisa é estar aqui a fazer conteúdo para a internet, em que estamos nós, está o ambiente controlado. Estás num palco e de repente as pessoas a olhar para ti. Eu era daquelas que ia suar bem. Então eu disse que sim, queria me desafiar a fazer isso. E depois nos segundos antes de tu entrares, que não é os segundos, é a meia hora antes em que estás à espera de entrar. Pensei: "Não acredito, por que me fui meter nisto? Eu vou gaguejar, não vou saber falar, isto vai ser horrível, vou transpirar." Só que depois entrei, foi tranquilo o tempo todo. E eu pensei: "Não acredito nisto. Isto afinal é fixe, eu gosto de fazer isto." Não estou a dizer que fui incrível, e que fui grande cena em cima do palco, não é isso, mas eu consegui desfrutar do processo. Pronto, isto foi uma nova descoberta minha que eu nunca pensei que ia ser esta pessoa.
E acabaste de certeza com a adrenalina de: "Eu sou capaz, quero mais."
Ya. E agora meto-me mais vezes em cima do palco, vamos embora.
A sério?
Sim.
Sabes uma coisa mesmo gira disso de nós fazermos uma coisa que nos sentimos desconfortáveis antes a fazer, é que não só para tu teres essa sensação quando acabas, mas no futuro, quando tiveres outra situação, absolutamente nada a ver com isso, pode não ser um palco, mas quando tu estás com esse medo outra vez, tu vais te lembrar da sensação do fim desse palco.
100%.
Então dá-te muito mais força e vontade para fazer.
É isso.
Eu acho que isso é o mais giro de tu cumprires uma coisa que é desafiante e que é fora da tua zona de conforto.
Porque dá-te confiança para depois fazeres cenas, é sempre assim. Eu acho que o desporto também tem bem esse lado.
Ya, o meu espinho também vai ser um bocadinho nessa ótica, porque eu ainda estou com esse medo, neste momento.
De passar o palco?
Não é do palco. É relativamente ao desporto, eu estou a viver esse medo.
Então diz aí o teu espinho.
Pronto, imaginem, eu vou correr a minha meia maratona no domingo. Portanto, hoje estamos a gravar. Isto vai sair depois, mas nós estamos a gravar terça-feira, eu vou correr no domingo. E a minha rosa, queria falar sobre a preparação da meia, porque sinto-me superconfiante e sinto que sou capaz, porque eu comprometi-me a fazer um objetivo. Eu já fiz duas meias maratonas, esta vai ser a terceira. Mas comprometi-me para esta para correr abaixo de duas horas, o que significa que é correr tipo a 5:40, que para mim é rápido e é um desafio muito grande, não correr a meia, mas correr a meia a este ritmo. Ou seja, eu sinto-me confiante e sinto que estou mesmo bem na corrida, mas eu não sei se sou capaz. Porque eu nunca fiz aquilo, é uma coisa nova para mim.
Faz sentido.
Não correr a meia, mas àquele ritmo. Eu vou ter de aguentar muito tempo em esforço, num ritmo que não é confortável para mim. E eu estou com esse medo de não ser capaz, porque eu sei que eu preciso dessa sensação do fim. E cada vez que eu me imagino a passar a meta é tipo, imagino a dopamina e excitada. "Consegui e fui capaz." Mas eu penso muitas vezes, se eu não conseguir fazer abaixo de duas horas, ninguém quer saber do meu tempo, tipo no one cares, mas eu vou ficar mesmo triste comigo.
Porque é um desafio pessoal para ti e eu percebo que fiques e eu percebo 100% essa sensação e esse pânico. Mas lá está, é ultrapassar depois esse pânico, no final, quando tu conseguires ultrapassar, é que vais perceber. "Ya, pois é, eu consigo fazer tudo." E quando acabares, vais sentir ainda: "Ok, ainda tenho mais capacidade de fazer."
Mas isso a wheel vai sempre a fasquia e faz parte. Nem sempre vamos conseguir, e eu acho que vais conseguir, preparaste-te muito para isso, mas nem sempre e no desporto, é um desporto, não és só tu e as tuas sapatilhas, há outros condicionantes. Tipo fadiga, whatever, pessoas a aparecer. E sempre que tu vais elevando a fasquia, torna-se mais difícil e existe uma probabilidade maior, porque antes tu se calhar para fazeres 5 km, na tua cabeça tu pensavas: "Eu não sou capaz." Hoje em dia tu olhas para trás e consegues ver que toda a gente é capaz de fazer 5 km e que tu conseguias. E agora tu olhas para isso e pensas: "Se calhar posso."
Ainda estava ontem a ver também aquele vídeo. Este fim de semana foi o Ironman e a Joana Fonseca, que é treinadora da OOS, que vai também correr comigo em Valência, ela foi fazer o primeiro e ela tinha um objetivo de tempo. Logo para o primeiro já tinha o objetivo que era correr abaixo de dois horas. Maluca! E eu estava a ver o vídeo, ela tem 22 anos, ela é muito mais nova, e eu estava a ver o vídeo dela no YouTube, ela estava com uma energia de, apesar de não estar a dizer isso, estava com uma energia de derrotada, porque ela fez 06h06 ou lá o que foi.
Meu Deus, só 01 min e seis.
Eu vi o post dela, ela estava logo a falar sobre isso. E minha cabeça de toda a gente é: "What? Tu conseguiste isto."
E eu estava a ver o vídeo a pensar: "Foi surreal o que tu fizeste. E estás aí a sentir-te mal contigo porque ninguém sabe, ninguém quer saber, mas tu definiste contigo que ias fazer abaixo de seis horas e não conseguiste." Mas eu percebo, porque ela treinou um ano e foi com aquela expectativa. E eu percebo perfeitamente. É first world problem eu não fazer abaixo das duas horas, mas se eu não fizer, eu vou passar mal.
Mas eu acho que aí uma diferença que é ela ir e estar a fazer pela primeira vez e a pôr o limite do tempo. Tu não estás a fazer pela primeira vez, estás a perceber? Não é tudo pela primeira vez ao mesmo tempo, é um bocadinho diferente.
Sim.
Porque às vezes tu lançaste para demasiados objetivos também pode correr mal. Aqui não é o caso.
Sim, eu acho que estou megapreparada para este objetivo. Pronto, mas é o facto de tu saberes que fizeste tudo. Nós gostamos de controlar tudo. Então aquilo que esteve no meu controle, eu controlei. Agora já não posso controlar e tenho medo.
Isso é a parte mais bonita do desporto, eu acho.
Do desporto e do resto, o teu exemplo também é a mesma coisa. Tu preparas-te ao máximo. Sei lá, quando fiz o espetáculo ao vivo também, preparas-te ao máximo para subir a palco. Depois o que acontece lá, as outras variáveis já não estão em teu controle.
Ya.
Tens de ir com medo.
Sim, e eu acho que isso faz parte. E depois tu vais ultrapassar este e depois tens que inventar um novo objetivo qualquer pra ultrapassar. Faz parte.
Acham que é preciso ter sempre?
Eu vou dizer que sim, mas é porque eu também sou meio maluca dos objetivos. Tu achas que não?
Não, eu acho que nem tem que ser uma coisa, pode ser as minimetas diárias. Mas eu acho que é importante tu seres uma pessoa que presta atenção à evolução. Acho que se tu perdes essa vontade de fazer melhor ou fazer mais, e nem precisa de ser coisas propriamente que te tragam mais chalota. Tu fazeres mais coisas e melhor aquela coisa, acho que é mesmo importante pra tu teres a frente pra tua vida.
Eu acho que é um túnel, é um propósito. Eu acho que, pelo menos nisso aqui da corrida, é um perfeito exemplo. Eu já tive fases em que estou ansiosa que acabe isto, que é esta preparação do Iron X, para poder aproveitar a corrida e só sair de casa e correr. Eu não gosto disso. Porque depois, no dia a dia, se o teu objetivo for só sair de casa e correr, há dias em que não vai acontecer de sair de casa e correr. Eu adorei esta preparação, o ciclo da meia, porque tu tens que fazer as quatro vezes. Ponto final.
É verdade.
É túnel. Tens um propósito, tens um caminho a seguir, e eu preciso.
Eu no outro dia estive a treinar para fazer os 10 km e estava a fazer aqueles treinos para fazer os 10 km e não queria saber de tempos para nada. E eu também sempre disse que eu não corro rápido e não corro. Ok, fiz. Agora, os próximos objetivos que eu tenho, eu ia dizer profissionais, desportivos, ainda falta algum tempo, eu estou só a correr porque me apetece, mas não consigo. Agora eu já estou a fazer minimetas comigo de velocidade para ficar mais rápida a fazer isto e aquilo. Eu acho que faz superparte do bicho que nós somos.
E eu acho que é o tipo de cabeça também. Eu acho que nós aqui temos este tipo de cabeça que é ter um objetivo para fazer cenas acontecer. E há outras pessoas que se calhar não são assim e se calhar não precisam tanto.
Há imensa gente que vive o desporto numa de: "eu gosto, então vou sair de casa e vou correr duas horas porque gosto."
Mas eu acho que isso tem que ser forte. Ou seja, essa base, tu fazeres as coisas porque gostas e ser leve, eu acho que é mesmo importante. Acho que não tens que estar sempre no sprint com uma pressão sobre essas coisas.
Sim, nós vamos fazer o Hybrid Day juntas, que é um próximo objetivo este ano. Vamos fazer em dezembro. E para mim, eu vou mudar os meus treinos, também estou entusiasmada para isso, porque vai ser um estímulo novo, mas não tenho propriamente um objetivo que vá ser uma coisa louca.
É isso, é fazer as coisas de uma forma leve e desfrutar das coisas. Ou seja, tu estiveste com isso de preparar a tua palestra esse momento. Claro, com seriedade, vou cumprir este objetivo, mas provavelmente também com a leveza que é: "Olha, bora."
Não, claro, e tens que ter esse lado, porque senão ficas maluca. Também não dá, tem que ser um intercalar dos dois. E depois há fases e fases. Por exemplo, se agora estás a preparar pra meia maratona e estás nessa coisa mais, não é restrita, mas tens esse tempo mais específico, se calhar depois no objetivo a seguir tens que estar mais tranquila.
Sim, mas imagina, esta semana aqui chama-se a taper week, que é a semana em que tu tiras a carga toda de treinos. E eu estou nesta semana para ir fresquinha para a prova. Então eu tive semanas, estava tipo 50 e tal quilômetros por semana, e agora esta semana é bué leve, até assusta. Tu ires fazer uma prova tão intensa e estás praticamente a não te mexer. Mexes-te um bocadinho, mas é muito diferente. Pronto, eu estou nesta semana e como eu sinto que já fiz tudo, já fiz tudo que tinha para fazer pra meia, eu já estou a pensar no próximo e estou tipo: "Será que eu agora quero correr abaixo não sei o quê?" Ainda nem sequer fiz este. É tão ridículo. Será que eu quero correr uma maratona? Sentei-me com o Chat a fazer brainstorm de objetivos desportivos pro próximo ano.
Isso é muito bom.
Mas eu acho que isso é uma cabeça boa.
Antes ser assim do que ser ao contrário.
É mesmo.
Pronto, acho que a minha semente, para fechar o meu também, a minha semente também é isso, tenho estado a pensar no próximo ano e acho que apesar de achar que se calhar sou um bocado exigente, acho que quero ter objetivos já definidos até o final do ano, desportivos, pra ter algum tipo de orientação, porque eu gosto desta estrutura, gosto de rigidez. Adorei ter um treinador, adorei ter um plano pra seguir e achei que ia tirar a magia da corrida, não tirou. Eu sou assim.
Mas é bué fixe tu saberes como é que tu és.
Pois é. 100%.
Cada pessoa saber como é que é, o que se adapta, porque às vezes nós estamos numa bolha de toda a gente corre, toda a gente faz isto, toda a gente quer ser freelancer ou quer ser isto ou acorda às 06:00. Toda a gente agora acorda às 06:00 e faz skincare coreana. Se calhar a minha cena não é acordar às 06:00. E tu saberes qual é a tua melhor forma de estar na vida e que te faz melhor.
Sim, acho que a questão é de experimentar muita coisa para descobrir isso. Teve aqui a Mia sentada a dizer: "Não sou disciplinada, não gosto disso, não gosto de rigidez, gosto de sair e correr 18 km." Isso para mim é impensável. Eu gosto de ter um plano a seguir. E sei que, imagina, por exemplo, também experimentar vários desportos, estás nessa fase, também experimentares o Iron X, a corrida, tu vais descobrir aquilo que tu gostas mais. E eu sinto que pra mim é corrida de longa distância, 10 km, meia maratona, está a ser a minha distância preferida, porque eu também fui a semana passada correr pela primeira vez em pista, que são treinos super-rápidos, velocidade. E gostei, acho divertido, mas não é a minha cena. Eu prefiro sair e correr 16 km. Eu gosto mais disso pra minha cabeça, tiro mais proveito de uma corrida longa. Então acho que é isso, é experimentares, passares por várias coisas que tu vais descobrindo aquilo que funciona pra ti. E anda bem, se sou assim, se gosto de rigidez e resulta.
É isso. E eu dou muito relate nisso. Eu também prefiro ter um plano e seguir o plano e cumprir as coisas do que andar à toa. Aliás, pra mim andar à toa dá ansiedade, eu tenho que admitir. Porque se eu não tiver um plano pra cumprir, uma cena ali fechada, eu fico ansiosa com não saber qual é que é o plano de ação a seguir. E há pessoas que é o contrário, que se tiverem uma cena muito rígida, desistem. Pronto, portanto, é cada um descobrir a sua cena.
Mas tu não tens partes da tua vida em que faz sentido ter rigidez e outras não?
Eu acho super.
É importante teres partes em que são tipo YOLO para poderes também...
Mas vocês não sentem que é mais rigidez e o YOLO é mais pequeno? Para mim é muito mais pequeno.
Eu acho que pode variar durante a fase do ano. No verão estás muito mais YOLO, vais gerindo.
Eu preciso de ar.
No verão se calhar estás mais...
Eu acho que é bom. É na imprevisibilidade das coisas também algumas decisões, pessoas e experiências também acontecem.
Eu sou assim em viagem, vem uma proposta: "Queres viajar para ali?" Eu gosto de ser a pessoa que diz que sim. E aí acho que não estou a ser uma pessoa focada em rigidez.
Não, é dizer que sim às oportunidades e às coisas que aparecem. Isso não é rigidez.
Olha, isso é um grande exemplo. Muita gente me perguntava quando eu fui viver para Lisboa: "Gostas mais das pessoas de Lisboa ou do Porto? As pessoas de Lisboa são mais fechadas."
Clássico de pergunta.
Super.
É mesmo.
E uma coisa que eu percebi de viver quatro anos em Lisboa foi que as pessoas em Lisboa, pelas condições de vida e como a cidade está feita, não têm tempo e são muito mais mecânicas. A quantidade de coisas que eu faço um dia no Porto é totalmente diferente da quantidade de coisas que eu consigo fazer um dia em Lisboa, porque é tudo mais difícil em termos logísticos, de distância e tudo mais. Ou seja, as pessoas em Lisboa, no seu dia a dia, não têm tempo. Não têm tempo para parar cinco minutos no café e falar com a senhora do balcão, não têm tempo para estar mais abertos àquilo que pode surgir no dia e estar ali numa conversa de chacha ou prestar atenção à outra pessoa. E eu acho que isto tem super a ver, que é se nós estivermos rígidos num mecanismo de "eu agora faço isto e a seguir faço isto" e não dermos tempo para olhar para o que está a acontecer do outro lado e dar cinco minutos de conversa, e estou a usar esta metáfora, mas depois as coisas boas que podem surgir desse momento inesperado podem não acontecer.
Mas eu acho que isso é tu estares a estimar o tempo da tarefa em menos do que o que precisas. E se tu fores uma pessoa assim de agenda, como eu sou, então se a tarefa vai demorar meia hora, põe uma hora, que é para tu teres espaço para imprevistos.
Sim, mas eu aqui nem sequer estou a falar de tempo. Eu estou a usar a metáfora do tempo, mas é sobre tu conseguires, no teu processo, por exemplo, da meia maratona, conseguires não estar tão obcecada com aquela meia maratona ao ponto de, e tu estás a conseguir fazer isso, obviamente, mas há muita gente que fica tão obcecada com o resultado final, que deixa de olhar para as coisas que podem surgir pelo meio. Portanto, ao nível profissional, acontece imenso.
É quando tu tens um objetivo muito traçado que é: "Não, eu quero trabalhar naquele sítio, porque aquela é a minha empresa de sonho." E depois descobres às tantas que não, se calhar dá para fazer aquilo que tu queres noutro sítio, não sei onde, e as coisas podem ser um bocadinho diferentes. E quem diz profissional, até sei lá, de vida. É como eu, achei que ia namorar com um homem e ia casar com um homem e acabei com uma mulher.
E olha, se aparecia a mulher e tu dizias: "Não quero, porque eu sei que vou acabar com um homem."
Exato, é estares um bocado mais com o cérebro aberto. Isso faz sentido.
Eu acho que isso é superimportante.
Mas acho que nós as três somos assim, por isso é que também estamos a construir os nossos caminhos, mesmo a nível profissional. Deixamos que as coisas fluam. Mas eu acho que é bom para mim, na minha personalidade, ter estrutura, ter objetivos e ter planos definidos. Eu estava a treinar para a meia maratona de Valência. Entretanto, a Oicho diz-me que afinal já não vamos com eles à meia de Valência. Caiu-me tudo.
Tu e eu temos isto.
Eu defini comigo que ia ser esta prova e de repente, eu a falar com os meus amigos: "Devo ir na mesma tentar arranjar dorsal?" Eles tipo: "Calma, podes fazer outras meias maratonas." E eu: "Como? A minha agenda está planeada para eu fazer a de Valência. Nem pensar, eu vou a Valência der por onde der."
Mas acho que é o equilíbrio das duas coisas, porque aí é, tu queres fazer isso, então vais fazer acontecer. Está tudo bem. Não sei, acho que é diferente. Dá para ter os dois interligados. Dá para seres uma pessoa restrita e teres um plano de ação e teres espaço na tua vida para ires a coisas improvisadas.
Ya, se calhar é mais por aí.
E tu és essa pessoa, Fogo. Tu não és?
Sim, pois é.
Claro, claro que é.
E tu, qual é a tua rosa?
Olha, a minha rosa por acaso vai acontecer daqui a bocado, a seguir, quando eu sair daqui. Não, mas vou ter um grande desafio profissional para o qual já estou a trabalhar há muito tempo e é giro voltar a sentir, porque sinto que as coisas têm acontecido muito umas atrás das outras, e é giro voltar a ser uma coisa que ontem à noite dormi mal.
Dá aquele friozinho na barriga.
E que por mais que saibas que estás preparada e que andaste anos e anos a preparar-te para este momento que não sabias ao certo como é que ele ia ser, mas estar preparada para isso, mas ao mesmo tempo estar nervosa para isso. E é essa a minha rosa.
E vai correr bem.
Vai, de certeza, tenho a certeza absoluta. É que tens tudo para isso correr bem.
É mesmo giro quando é full circle moment, porque estes é que são mais difíceis, que é: "Fogo, era mesmo isto e está a acontecer." E lembras-te das coisas. Mas é bom tu estares no processo e estares a conseguir fazer essa reflexão.
Pois é.
E não só tipo: "E agora, será que fico para ficar mesmo? E será que isto vai ser a minha cena?" Estás a ver? Já pôr mais objetivos. É fixe tu estares a conseguir aproveitar e ver de fora isso também.
Senão não dás valor à coisa.
É isso.
Mas sabes que eu acho que vem de um lugar de alguém que já não o fez demasiadas vezes. Eu sinto que tantas vezes na minha vida aconteceram coisas profissionais ou até pessoais que eu não celebrei, que eu hoje, por exemplo, tirei a manhã, eu não trabalhei hoje de manhã
Quero estar com calma a preparar este, que não havia grande coisa para preparar, mas é tipo: "Deixa-me estar a usufruir deste dia, que vai acontecer uma coisa boa, que no final do dia, não sei se vai correr bem ou mal, mas eu quero usufruir desta experiência profissional, que é o atingir de um objetivo." E há uns anos atrás, e tu conheceste-me nessa fase, estava tão barata tonta que não conseguia usufruir de nada que eu conquistasse.
Ya. E isso é super importante.
Ou seja, não vem de eu agora ser o guru da celebração de coisas boas, é mesmo porque já aconteceu o mal.
Ya.
E é muito melhor assim.
Não, é uma sensação incrível, é que são minipassos todos os dias que tu não vês que estás a lá chegar. Depois há pequenas coisas que te dão tipo: "Está aqui, estás mesmo no caminho certo."
E pelo menos eu falo por mim, eu às vezes estou tão embaralhada na minha vida e estou sempre focada no "eu não tenho aquilo, não tenho aquilo outro, devia chegar acolá." E quando tu paras a pensar como é que era a minha vida há um ano, tu vês que há diferenças gigantes. E, portanto, ainda bem que tu já tens, no momento de agora, estar a perceber essa diferença sem teres que fazer o exercício, porque eu tenho que me obrigar bué a fazer isso.
Na minha vida também existe muito essa comparação. Às vezes eu dou stalk em perfis de pessoas que têm as coisas que eu quero ter e começo quase a ficar ali a ver.
Isso é normal, todos fazemos isso um bocadinho. E muitas vezes é inconsciente, nem sequer estamos a perceber que estamos a fazer isso.
É. Só que se tu não paras para ficar conscientemente a perceber: "Não, calma, eu há dois anos não estava aqui, nem pouco mais ou menos." E se não deres valor ao que construíste neste tempo todo, é muito tóxico, é mesmo muito mau.
E queremos coisas que se calhar às vezes nem queremos bem, mas já estamos a querer.
Olha, eu aprendi imenso isso contigo. Aprendo imenso isso contigo na minha vida.
Então.
Juro por tudo. A sério, eu acho que me tornei mais assim por tua causa. Até neste mundo, e pode existir em qualquer mundo. Até vou dar exemplo de outra área qualquer. És dentista. Tu és tanto assim, acho isto demais. És dentista. E todos os dentistas querem ter uma bata azul. E há um concurso das batas azuis e tu não ganhas. E ficas frustrado, mas tu nunca quiseste a bata azul. Só querias o que os outros queriam. E tu és muito assim, às vezes, neste meio de influencers ou criadores de conteúdo ou não sei o quê. E existem aqueles momentos, sei lá, Modas Lisboa e esse tipo de coisas.
Que eu deixei de todos, já para si.
Há uns anos atrás, eu lembro-me, toda a gente queria ir e quer ser convidado e quer não sei o quê. E tu às vezes dás por ti a não ser convidado para coisas que tu não queres, nunca quiseste. E é mesmo importante tu saberes.
Mas foi um processo para mim, porque esse exemplo da Moda Lisboa era uma coisa que eu, quando comecei, eu queria muito ser convidada.
Tu deste este exemplo, por isso é que eu me lembrei.
Eu este ano fui convidada para algum e eu assim tipo: " Não quero nada ir. Não, como é que eu vou dizer que não a isto?"
Mas isso é porque tu pensas: "Os outros estão lá todos e eu também tenho que pertencer e eu tenho que fazer parte daquilo."
Mas imagina, depois dá a volta e nesse fim de semana da Moda Lisboa eu estava a ter imensos eventos de desporto que se eu não tivesse ido, eu tinha sentido FOMO. Porque eu já quero pertencer a outra caixa.
É tu saberes bem onde é que tu queres estar. Isto até na vida pessoal às vezes acontece.
Claro.
Já me aconteceu não ser convidada para uma coisa qualquer de grupos de amigos ou de coisas e não sei o quê, e às tantas eu dou por mim e penso: "Se eu não fui convidada porque eu decidi me afastar destas pessoas, porque não me identifico."
E eu nem queria estar ali.
E eu não queria estar ali.
Porque isto reflete-se depois, muitas vezes, na parte pessoal, não estou a ser convidada porque não gostam tanto de mim.
É isso.
Pronto, isso aí já é o teu medinho, a tua insegurança a falar. Mas nós, adultas, conseguimos ter essa consciência e ainda bem. "Não, isto não define o meu valor. Eu também nem queria estar ali."
Não, mas eu acho que é mesmo importante até fazer essa análise para o bem e para o mal, que é: eu de fato não queria estar ali ou eu queria estar ali e eu não estou ali porque eu deveria ter feito isto. Eu acho que para os dois lados é mesmo bom teres humildade para olhar para as coisas realmente como elas são. E às vezes também há este lado que estávamos a falar de "sim, é ótimo, eu trabalhei muito para isto e tenho que olhar e parabenizar-me, dar uma palminha nas costas, porque eu fiz", mas também é importante, nós também falhamos, eu falho profissionalmente também. E pessoalmente também falho.
Em tudo.
Mas acho que é mesmo importante também ver isso.
Sim, mas se estás a falhar, então o que eu posso fazer para a próxima, se eu quero estar ali, se eu quero fazer aquilo, se eu quero trabalhar aquele projeto, o que eu posso fazer diferente agora?
Mas por acaso isso da falha é mesmo engraçado, porque há pouco tempo eu tive uma conversa com a minha psicóloga em que eu fui para lá e estava numa crise em que estava a dizer: "Eu estou a falhar com toda a gente à minha volta." Seja de amizade, de família, não sei o quê, porque não estava a arranjar tempo. E ela estava a me dizer: "Mas é normal falhar porque está focada noutras coisas." Portanto, às vezes tu até podes sentir isso, que estás a falhar, e é importante, se é uma coisa que tu queres muito, claro, tens que controlar esse falhar, mas ao mesmo tempo, se tu analisares tudo na tua vida, é inevitável que haja uma área em que tu estejas a falhar.
Claro, tu tens é que escolher onde é que queres falhar.
Exatamente, é isso.
E perceber onde é que naquela altura, o que te custa mais falhar.
Ou não falhar.
Mas eu acho que nós nunca vamos estar satisfeitos na totalidade, em nada. Nunca vamos conseguir chegar a todo lado. E isto é um mundo idílico que nós criamos na nossa cabeça que não é possível de acontecer. Estava a ter esta conversa esta semana, recebi um convite para uma cena de família e eu: "Fogo, eu estou sempre a falhar as cenas de família que eu queria ir. Estou sempre a falhar, porque eu não tenho estado muito cá. Tenho ido imenso a Lisboa, viagens, Valência, etc." Mas por que eu vou? E é muito este exercício, porque eu escolhi ir, porque eu quero ir, porque me vou divertir e porque me fez sentido tomar essa decisão. Por outro lado, eu também estou muito mais cá do que eu estava quando estava em Lisboa. Portanto, nunca vai dar para eu estar em todo lado, porque para eu estar ali a 100% sempre ali, eu vou ter de falhar a minha parte profissional Que eu adoro e quero, e a parte desportiva. Portanto, é preciso é encontrar um equilíbrio e estares bem com essas decisões.
Mas isso é que é o difícil, é tu estares em paz com as decisões. Eu não estou, eu admito que não estou. Eu adorava estar em paz, mas não estou, porque eu estou sempre a pensar, porque depois as pessoas também cobram. A minha família tem muito isso. Eu chego a casa dos meus avós, é logo a primeira coisa que eles me dizem.
E os meus avós também me cobram imenso.
É logo, nunca acaba.
"Já não te vejo há dois dias ou três." É porque eu vou lá todos os dias.
"Há dois dias que não apareces."
É bem, também cobrança de dois dias.
Quem me dera a mim como se fosse dois dias, mas é tipo dois meses ou pior. Portanto, não é bem isso, não é falhar.
Dizes-lhes isso a eles, o problema é esse.
Mas é porque tu agora estás cá ao pé e eles acham que lhes deves isso. E porque eles têm menos vida, ou seja, têm menos coisas com que se ocupar, portanto sentem mais a falta.
Não, mas é difícil, eu percebo. Para a cabeça é mesmo...
É bué complicado. E não sei se chegas a um ponto em que ficas mesmo tranquila com isso. Acho que não ficas. Depois quando tens filhos e não sei o quê, ainda é pior e é mais existido.
Sei que deve ser pior. Mas eu acho que é um exercício tu te sentires melhor com isso. Eu depois de ler o Lethem, eu pratiquei e pratico isso imenso na minha vida e tornei-me muito mais segura.
Pois, porque entramos nisto, é verdade.
Porque o meu cunhado estava a mandar uma boca, a brincar comigo, porque eu não fui ao aniversário do meu sobrinho. Ele fez um ano, porque eu estava a trabalhar e ele começou a brincar comigo e a mandar-me uns "estás sempre a trabalhar, nunca estás". Hoje em dia, eu sei que ele estava a brincar, mas mesmo que ele não estivesse a brincar, eu já estou super OK dele dizer isso. Porque eu sei, estou tranquila, sei que depois fiz isto, isto e aquilo. E muitas vezes com isso do cobrar, é tu conseguires aplicar isto. A pessoa achar isto é um problema dela.
É isso, eu estou a fazer o meu melhor, estou a tomar as melhores decisões que neste momento, com todas as variáveis que eu tenho, eu não podia fazer melhor. E acho que é um bocado assumir isso.
E uma coisa que eu já pensei também nisso é: tu não vais porque tu estás a trabalhar, mas por exemplo, as pessoas que estão emigradas não vão porque estão a trabalhar, porque foram trabalhar para outro sítio e ninguém lhes cobra a elas.
Mas cobram também.
Mas cobram menos, porque como não estão cá, é mais aceitável.
Assumem sempre que não contamos.
Cobravam-me menos quando eu estava em Lisboa, muito menos.
Porque assumem que não estás cá. Mas a mim quando eu estava em Lisboa também me cobravam. Mas eu continuo a não estar no sítio também. Vocês estão perto das vossas famílias, eu ainda estou a uma horita e tal, ainda é meio deslocado.
Depois acabas por falhar mais coisas.
Mas se eu vivesse em Londres ninguém me dizia nada. Eu sinto isso.
Não, eu percebo.
Mas não te diziam nada porque estás longe.
Mas é isso, não cobram porque aceitam e tu no fundo vais para Londres para trabalhar.
Mas tu cobras-te a ti. Ias-te sentir pior.
Ias ter mais saudades.
Não, claro, não estou a dizer que agora quero ir para Londres só para ninguém me cobrar. Eu estou só a dizer que é injusto.
Às vezes eu fico frustrada que é tipo: "Por favor, parem de me chatear. Quando eu estava em Lisboa, ninguém me chateava."
Eu não sinto cobranças nesta fase. Sentia mais quando estava em Lisboa. E aquilo que eu digo de me sentir mal porque estou a falhar certas coisas, porque não estou cá, é eu comigo, porque eu queria estar. É mesmo porque eu gostava de estar, é só isso. E não é sentir que estou a falhar, porque eu não sinto que estou a falhar, porque estou perto e estou a ir a várias coisas. É mais a cena de eu gostava de estar nas duas coisas ao mesmo tempo.
Mas eu acho que esse pensamento é saudável. O do falhar não é tanto, mas esse é OK, acho eu. Acho que isso faz parte.
Mas acho que isso vai ser a realidade sempre.
Pois é.
Mas vai ser a realidade na vida, mesmo que tu estejas geograficamente a viver na casa ao lado. Até porque um dia vais ter um marido, filhos, gerir duas famílias, Natais, essas decisões que tu vais estar sempre a falhar ou a faltar alguma coisa que tu querias.
Ya.
Aliás, isso que o Natal já acontece, eu tenho pais divorciados, tu também.
Também eu.
Há sempre ali uma altura que no 24 eu gostava de estar com os dois, mas não dá. É o que é.
Olha, e espinhos? Vocês ainda não disseram nenhum de vocês.
Vai o teu primeiro.
Já sei o meu espinho. Isto foi uma semana intensa, as últimas duas semanas. Pico de trabalho, eu sinto, e que muita gente está em high season agora até o Natal e na nossa área é assim. E eu percebi que ler livros de desenvolvimento pessoal funciona para umas coisas, mas não funciona para as outras. Que eu sinto que quando estou em muito stress de trabalho e muita coisa a acontecer, e também talvez pela minha educação, em que a minha família sempre foi muito ajudar uns aos outros e o teu problema, meu problema. Então eu acho que sempre fui muito habituada a dar como garantida a ajuda de outras pessoas para resolver os meus problemas.
OK.
E o que me acontece quando eu estou em muito estresse de trabalho, eu fico zero racional, muito emocional e com as pessoas mais próximas de mim, principalmente a minha família, eu acho que eles têm que me ajudar e que têm que salvar os meus problemas e fico muito reativa e pareço uma criança de cinco anos às vezes a falar ou a pedir ajuda. Eu não consigo, nesses momentos, ligar à minha mãe e dizer: "Mãe, eu estou debaixo d'água, eu preciso de ajuda, isto está a acontecer. Achas que me poderias ajudar?" E não levar a mal se a resposta for: "Inês, isso é para amanhã e amanhã já tenho isto." Eu sou tipo: "Mãe, olha, eu preciso..."
Se calhar até falas mal.
Falo super mal, depois desligo o telefone.
Mas não achas que isso é por não seres a irmã mais velha? Se calhar tua irmã não é assim.
A minha irmã não é assim.
Porque eu sou a mais velha, então eu sinto que eu não sou assim.
Mas eu sou a mais velha e eu sou assim.
És?
Sou. E eu acho que isto é de, como eu tenho muita confiança com a minha mãe e com a minha irmã, eu mais facilmente descarrego nelas. Ou seja, eu com as pessoas tenho alguns filtros. Eu não vou estar a falar mal de uma pessoa.
O meu pai não fala assim, eu falo com a minha mãe e com as minhas irmãs.
É isso, especificamente com elas as duas.
Eu também falo mal às vezes. É descarregar, mas não é tanto a busca por ajuda.
Mas às vezes também não sai.
Eu não peço. Eu às vezes exijo coisas que se eu pedisse, se calhar as pessoas conseguiam perceber melhor o que eu estava a querer dizer ou que eu precisava de ajuda.
Mas é uma descarga emocional que sai no momento, que é estares tão estressada com aquilo que dizes uma coisa e sai-te mal?
Sim. Eu precisava de ir a Lisboa. Eu tinha um problema que é: eu tinha que ir a Lisboa, ir e voltar no mesmo dia, porque no outro dia eu tinha uma viagem e eu precisava que alguém decidisse por mim como é que eu ia fazer a logística das viagens, como é que eu ia, como é que eu vinha, se fazia sentido eu ir de carro. Eu estava tão debaixo de água e com outras mil coisas a acontecer, que na verdade, o que eu queria era ajuda para decidir. Mas como eu não estava a ter discernimento de o fazer e de pedir essa ajuda de: "Olha, eu tenho este problema, ajuda-me aqui a resolvê-lo. O que é que tu achas? Tenho esta hipótese e esta." Eu liguei à minha mãe a dizer: "Olha, emprestas-me o carro, porque eu tenho que ir a Lisboa." E a minha mãe: "Ah, não dá." E eu: "Mas por quê?"
"Estás a pedir para ajudar a minha vida, a minha vida já está difícil." Eu sou assim também. Eu sou assim com a minha mãe.
Eu olhei para aquilo e pensei. A minha mãe depois fez aquilo que eu queria. Eu fui uma parva.
Era desnecessário.
Era completamente desnecessário.
Mas acho que isto vem de ter muita à vontade com estas pessoas e estas pessoas estarem sempre lá para nos ajudar. A minha mãe é essa pessoa, a minha mãe está lá para tudo o que eu preciso. Se eu lhe dizer: "Olha, preciso que tu venhas ao Porto amanhã", ela vem. E se eu preciso, não vai trabalhar para me vir ajudar. E eu acho que isso depois dá-nos aquele conforto de pita mimada, que é mesmo assim. E comportamo-nos como crianças. E descarregamos um bocado, porque estamos nas nossas vidas adultas, sérias, a tratar de coisas, depois temos que descarregar ali um bocadinho. Agora não é ok.
Não, claro que não é ok. Mas é isso, eu sinto que racionalmente tu sabes, mas o truque é tu nesses momentos conseguires gerir essa parte.
Sim, é muito difícil.
Sozinha, antes de descarregar.
Antes de descarregar.
Ya, eu fazia muito isso antes e agora eu acho que até evito falar com pessoas quando estou assim em crise de ansiedade.
Mas isso é o que eu digo.
Eu nem consigo ligar a ninguém, não consigo falar com a minha mãe.
Mas fica dentro de ti e tu consegues resolver?
Fico em modo resolução de problemas. Enquanto não resolver eu não vou chatear ninguém. Não sei, eu era um bocado assim, mas acho que o tempo e também começar a viver sozinha e crescer.
Cresce, amiga.
Crescer um pouco.
Mas já sabes, uma coisa que eu tenho é: eu liberto frustrações para a minha família. Eu tenho muito isso, que é estar num dia mega estressante, mil coisas que me aconteceram. Isto é horrível. A minha mãe está sempre a dar na cabeça por fazer isto, e bem. E de repente a minha mãe liga, começa a me perguntar: "Como é que foi o teu dia?" E eu começo a dizer: "Aconteceu isto, não sei o quê". Quando eu para mim parece que estou a reclamar com ela e não foi ela que fez nada para aquilo acontecer.
Mas eu acho que as mães gostam também de estar a par de tudo.
Não, a minha adora.
Eu também ligo praticamente todos os dias à minha mãe, ficamos uma hora em conversa que eu estou a contar todos os minidetalhes do meu dia.
Ai, a minha não é nada assim.
Eu sou, porque eu só estou com a minha família uma vez por semana, normalmente. Mas falo todos os dias com a minha mãe e ponho-a a par de todos os detalhes.
Eu também. Eu tenho com a minha mãe uma rotina que é: saio do trabalho e ligo-lhe do carro. É sempre assim e ela já está meio a contar.
Ya. Também tenho mais ou menos isso. É videochamada e às vezes estamos ali sem dizer nada, mas-
A fazer companhia.
Depois vou-me lembrando de coisas que surgiram que não interessam a menino Jesus, mas que lhe conto. Portanto, já não faço tanto isso durante o dia, por exemplo, porque quando chego ao final do dia já meio que resolvi todos os problemas e só lhe estou a contar como é que foi o dia.
Tenho que começar a fazer essa parte.
Pois, é isso, eu também preciso disso.
Eu também só costumo descarregar quando já estou mesmo high. Num nível que não é habitual, como é óbvio. Mas assusta-me quando tenho essas atitudes, que eu não me revejo.
Ya, percebo.
E custa-me cada vez mais quando isso acontece.
Eu lembro, por exemplo, na altura do espetáculo ao vivo, foi um momento em que eu tive uma crise e que até fui má com a minha mãe, que é tipo: "Tu não estás a perceber o meu problema", porque eu não estava a conseguir fechar uma convidada para o espetáculo ao vivo e estava a ser a maior frustração do meu mês. E eu estava a ligar à minha mãe cinco vezes por dia: "O que achas dessa pessoa? Estás a ver?"
"Por que não me dás razão?"
"E por que não me..." Estás a ver? Eu estava a descarregar todas as minhas frustrações que estavam por-
Tu queres que a pessoa responda "elite".
"Por que não dás uma solução?" Mas não havia solução. Eu, na verdade, só queria que alguém me ouvisse bater-se bolas comigo.
E às vezes há o problema de tu quereres que a pessoa te diga uma coisa que não é a realidade, ou seja, que ela não concorda ou não acredita ou whatever, e tu queres aquela resposta de elite.
Ya. Eu já estou debaixo de água e eu queria que tu me dissesses aquilo, que era para eu saber que tinha razão, porque eu estou na dúvida ainda. E ela diz outro. Caraças!
Isso eu percebo muito.
Então, Mónica, qual é o teu espinho?
Então, o meu espinho é uma coisa muito específica que me acontece agora que nunca me aconteceu antes. Eu sou uma pessoa que dorme bem. Eu chego à noite, chego às 22h30. E desmaio e caio para o lado. Eu adoro deitar-me na cama, é das melhores sensações. Desmaio e acordo no dia seguinte, pronto, como se nada tivesse acontecido. Só que agora há noites, sei lá, uma vez por mês em que acordo às 3h da manhã e fico acordada até às 5h. E fico a olhar para o teto. É horrível, é tão mau.
Isso é ansiedade.
Pois, exato. E eu já percebi em que dias é que isto me acontece. Pronto, fico a olhar para o teto, todos os meus problemas de repente aparecem naquele momento, fico a pensar neles e ficam no pior estado possível, mas coisas que nem são um problema, que eu invento assim frustraçõezinhas naquele momento. Penso em tudo, olho para o teto, fico frustrada. Já me aconteceu chorar, porque fico: "Eu queria dormir, não consigo dormir."
E depois é pior, porque andas no loop de "eu quero e não estou a conseguir." É horrível.
É horrível. Não, é isso. O que ajuda é respirar, é começar a fazer exercícios de respiração e estar a respirar, depois aquilo lá vai. E eu já percebi que isto acontece em que dias? Nos dias em que eu não desenho. Os dias em que eu não tiro um bocado para relaxar.
Já estás a associar isso.
Exato.
É encontrares o teu ritual pré-cama que resulte.
É, para relaxar do dia e não estar com estresse cá dentro.
Eu estou a tomar melatonina.
E que tal?
Está a ajudar. Está a ajudar bastante. Eu estava a ter muitas insônias. Aliás, o Planeta Sérgio sentou-se comigo no podcast e disse: "Andas a dormir mal?" E eu: "Como é que tu sabes?"
Ele leu nas cartas.
Ya. Disse que era ansiedade. Não, mas era efetivamente ansiedade, e é. Mas comecei a tomar melatonina e comecei a ter mais atenção aos hábitos que eu faço pré dormir. E a mim afeta-me imenso se eu como uma refeição muito pesada e vou para a cama, afeta-me imenso. Ou estar no telemóvel com estímulos. Eu estava com um vício horrível de Estou à noite em casa sozinha, até vou lavar os dentes a ver TikToks ou ouvir podcast ou coisas assim. Antes de me deitar.
A fazer tarefas.
Só para ter companhia.
Não, mas estar assim a lavar o dente e estar assim com o dedo do outro lado, isso também me deixa maldisposta. Eu também, mas eu odeio-me por fazer isso.
Não, é isso. Antes de ires para a cama, estás com esse ruído todo?
É.
Não.
Lava só os dentes, tipo chill.
Mas eu só faço isso desde que vivo sozinha, não fazia.
Eu também, porque é companhia.
É isso. Eu sou muito mais viciada em telemóvel quando estou sozinha do que estou com pessoas.
Também é 100%.
Quando estou com pessoas eu não uso o telefone.
É isso.
Não uso.
Só para responder a mensagens que é uma coisa rápida ou tem mesmo que ser, mas não é estar a fazer scroll com pessoas, nunca.
Sim, mas imagina, estou a preparar o pequeno-almoço, sabe-me super bem pôr a dar o podcast do Bruno Nogueira ou "Vós Cam", sei lá, ponho a dar para ter companhia enquanto estou a fazer o pequeno-almoço.
Mas é totalmente diferente um podcast do que estar no TikTok.
É isso. Agora estar em TikTok antes de ir para a cama, para estar ali "brain rot", é uma cena que desperta o cérebro, não faças isso. Portanto, isso, beber café até X horas do dia, não treinar cenas muito estimulantes até ao final do dia. Pronto, fazer algumas pequenas coisas e está a melhorar, principalmente a melatonina.
Pois, eu vou ter que experimentar uma coisa dessas.
Pode ser placebo, não sei.
Não, mas ajuda mesmo.
Ajuda, mas eu acho que os hábitos têm uma repercussão gigante.
E é ansiedade também. Estás a controlar a tua ansiedade.
É isso.
É um bocado isso, mas isso é difícil.
Não, mas é tratar da cabeça, é não estar louca antes de ir dormir, porque isto quando acontece eu deito-me estressada. Não posso ir dormir estressada. Porque lá está, como eu tenho muito sono, eu adormeço rápido, o problema é que depois acordo mais tarde. Se eu estiver a fazer as minhas cenas, tipo desenhar, o não me estressar, a partir de X horas não estar a responder a coisas de trabalho, eu durmo bem. Pronto, é isso que eu tenho a dizer.
Mas também eu acho que são fases. Eu também sinto que estive numa fase em que estava a dormir pior, depois melhor. Pronto, eu acho que isto também nós podemos tentar controlar ao máximo, mas ótimo se encontrares a tua rotina e desenhar for a solução. Vais ter que desenhar todos os dias da tua vida, meu Deus.
Não, mas é desenhar pouco, é desenhar cinco minutos. É relaxar o cérebro e não estar louca.
Sim, depois pode ser o desenho, deixar de ser o desenho e ser outra coisa.
É isso, que depois também vou mudar de moca, que eu sou assim das mocas e depois passa.
Olha, eu também já aproveito aqui a onda de viver sozinha e podcast e não sei o quê, porque é outro espinho que eu também queria trazer. É que eu tenho vindo a perceber, e nós já falamos aqui várias vezes sobre viver sozinha e sobre "ai, meu Deus, eu adoro ser independente, ter a minha casa". Eu tenho me sentido um bocado sozinha, às vezes.
Agora a minha amiga a dar-me razão. Agora!
E eu por acaso lembrei-me de ti, porque eu acho que é porque na altura, ou seja, no verão, está toda a gente com imensos planos, nunca paras em casa. E apesar de eu também estar em bué viagens e coisas assim, sinto que quando estou mais por cá, como o nosso trabalho é muito passado sozinha, o meu dia praticamente eu passo sozinha, só vejo o meu PT e pouco mais. Eu acho que depois à noite, quando eu não tenho planos, bate-me.
Mas eu acho que isso é normal, porque tu passas muito tempo sozinha. Por exemplo, eu vivo sozinha. Aliás, nós vivemos as três, não é? Mas como eu tenho uma vida muito fora de casa, eu quando chego a casa é tipo "ai, que alívio, eu quero é estar aqui". E depois eu tenho noites em que não estou em casa, tenho dias de fim de semana que estou os dias inteiros ocupados ou tenho alguém em minha casa ou está lá a minha namorada ou whatever. Portanto, eu acabo por não passar assim tanto tempo sozinha. Eu acho que viver sozinho só é fixe se tu tiveres muito tempo ocupado da tua vida e não estás tanto tempo sozinha, porque eu percebo aquilo que vocês sentem se tu tiveres muito tempo sozinha.
Sim, por exemplo, em Lisboa tenho os dias bué dinâmicos. Quando eu chego à noite, eu prefiro estar num hotel para estar sozinha do que estar em casa de amigas, porque pronto, tenho que estar ali na dinâmica de amigas, apesar de querer rever as minhas amigas, também me vai saber bem estar sozinha. Agora, se eu tiver um dia dinâmico aqui, também me vai saber bem, mas tendo um dia, lá está, sem nada, em que eu estou só no meu computador a gravar em casa sozinha, a falar sozinha para uma câmera. Depois chega a noite, ainda no outro dia estava tipo "vou ter uma noite merda se estiver aqui sozinha". Então chamei as minhas amigas para fazerem coxinha comigo no sofá e ver um filme.
Mas isso é 100% verdade.
Mas custa admitir.
A mim custou muito, na altura, principalmente porque eu comprei a casa, não sei o quê, não sei que mais, e estava toda feliz e a dizer a toda a gente que estava feliz. E depois quando eu dei por mim a dizer a mim própria, admitir a mim própria "eu não estou a gostar de viver sozinha". Foi difícil. Sinto que o processo também vai ajudando, o tempo vai ajudando e mais do que isso, tu vais te conhecendo tão bem que tu inconscientemente já vais gerindo e fazendo planos e já nem pensas: "ah, eu vou fazer isso, senão vou me sentir sozinha."
Não, mas eu também não quero estar a encher-me de planos.
Por causa disso.
Sinto-me mal, porque sinto que ao fazer isso estou a fugir de saber estar sozinha, que é tão importante.
Não, eu acho que também é importante perceber isso, que é de onde é que vem esse estar sozinha. Porque eu numa fase inicial, quando fui viver sozinha, eu sei que esse sentir-me sozinha vinha da falta de alguém.
Mas a mim não acho que seja isso.
Sim, ou seja, é importante perceber isso, porque hoje em dia, quando eu me sinto mais aborrecida de estar sozinha, é totalmente diferente.
É aborrecimento.
Não é por ter a falta de alguém.
É porque o estar com pessoas vai te acrescentar, porque se eu passei o dia todo sozinha, chega aquele momento que até me fazia sentido ter alguém.
Tu precisas de pessoas.
Precisava desse estímulo, dessa conversa.
E nem precisa de ser pessoas em tua casa, pode ser tu a sair de casa e estar com as pessoas.
Sim.
Eu percebo perfeitamente.
Porque eu acho que é a primeira vez que eu estou mesmo a viver sozinha. Em Lisboa tive sempre quarto alugado. Cheguei cá, estive pouquíssimos meses, depois comecei a namorar e de repente aquilo foi logo muito intenso. E acaba a relação e verão e coisas. E agora acho que é a primeira vez que estou mesmo a acalmar.
Tu nunca pensaste em ir trabalhar, sei lá, não é um cowork, mas uma coisa deste género em que outra pessoa está a trabalhar na cena dela e tu estás a trabalhar na tua, mas tens ali momentos de pausa em que falas com as pessoas? Isso pode te ajudar. Porque assim durante o dia saes de casa, vais fazer coisas, vês pessoas e depois à noite descansas.
A maior parte do meu trabalho é gravado em casa.
Precisas de estar em casa, é o que eu sinto também. Pois é.
É gravar campanhas, é gravar conteúdo, etc. É fácil estar em minha casa e ter tudo à mão e é ali que eu gravo É mais fácil.
Sim, eu percebo perfeitamente.
E vocês não passam tempo a editar ou a fazer coisas no PC? Não conseguem dividir de manhã, gravar, à tarde sair?
Isso acho que é uma boa dica: ter isso em consideração quando planeias a tua semana.
Normalmente eu gravo e edito.
Também eu. Assim fica, está fechado.
Está fechado. Fechas o assunto. Mas sim, pode ser uma solução, porque eu sinto também não tenho estado muito cá, então nas semanas em que estou está me a bater mais, porque de repente eu estou aqui duas semanas e são duas semanas em que tenho poucos estímulos durante o dia.
Pois, é altos e baixos.
Pronto. Aí bate mais.
Mas eu acho que isso é normal, acho que isso não é um problema, faz parte. Eu se estivesse na mesma situação, ia sentir o mesmo.
Mas custa a admitir, porque eu sou mega independente.
Não, mas os seres humanos são sociais, os seres humanos precisam de pessoas. É como aquela coisa quando se começa a romantizar muito. "Não, tens que viajar sozinha, tens que fazer bué cenas sozinha." Claro que tens, mas também tens que aprender a viver com pessoas e ter relações. Tem que ser um equilíbrio dos dois.
E porque depois também ficas mesmo muito mais agarrada a essas muletas de TikToks e coisa, porque tu precisas de pessoas, tu precisas de socializar, de falar.
E o TikTok e a net no geral dá-te a ideia que tu estás a socializar e não estás nada. Dá muito.
Sim, e há vezes que nem sequer te apetece, até estás em baixo e sabes que estar com pessoas te ia fazer bem e não te apetece, mas depois tu vais.
E ajuda muito. Eu tenho muito disso, mesmo.
Nesta semana tive o aniversário, não me apetecia nada. Estive em casa o dia todo, estava bué ronha a ver vídeos no YouTube.
Eu precisava melhor.
"Vou me arranjar pra ir pra um jantar. Não me apetece nada." Cheguei a casa, bem, ainda bem que fui.
Até parece que vais com mais energia.
Sim, total.
Sabem uma dica que me ajuda muito nisso, de às vezes sentir que estou sozinha, não sei o quê? A corrida eu tenho corrido quase sempre sozinha, mas os treinos de ginásio, eu ando num estúdio em que são aulas tipo de circuito e são outras pessoas. E as pessoas não são minhas amigas, mas sair de casa ao final do dia e ter esse treino em que tenho mais pessoas e de certa forma estás ali a socializar. Eu chego a casa e já estou pronta pra estar sozinha outra vez. Então ter alguns appointments em que não és tu sozinha, que envolve outras pessoas, também é fixe.
Eu fazia muito isso com a corrida, chamava gente, só que como agora também estava com treinos muito específicos, é difícil chamar uma pessoa pra fazer pra correr séries de whatever. Mas agora pra frente eu acho que posso também trazer, que eu gostava bué desses planos, só chamar uma amiga.
É isso, faz toda a diferença. Se tiveres um por dia, vais ver que deixas de sentir isso, do estar sozinha.
Sim, se calhar. Eu encho o meu dia todo de trabalho e nem penso nessa parte social. Depois há dias em que chega a noite e "ah!"
Diz-me lá, pra ficar gravado em podcast. Uma vez que contaste uma teoria de coisas que tu tens que ter no teu dia pra ser um dia feliz e equilibrado. Tens que ter...
Uma coisa pra alimentar o corpo.
Isso é superinteressante.
A alma e a mente. Não era?
E é mesmo verdade.
Mente é o quê? Tipo journaling.
Trabalhares, não é?
Eu acho que é escrita ou não.
Ou pode ser trabalhares. Mente, podes trabalhar, ler.
E a alma é um plano social, estar com alguém, fazer uma coisa que gostas, ver um vídeo no YouTube.
E isso muitas vezes falta. Pode adiantar sem dar conta.
Estamos a falar também de estamos em ansiedade, muita coisa a acontecer. É difícil no teu dia a dia tu parares e pensares nisso. "Espera aí, olha, hoje não fiz nada pra minha alma."
Não, claro.
É difícil, mas eu acho mesmo que é superimportante esse equilíbrio.
Isso pode ser a minha semente, pensar em pelo menos todos os dias ter alguma coisa social que seja. Estar com alguém, ver alguém.
Sim. Ela é um bicho das cavernas.
Bem, as pessoas estão a ficar com uma ideia minha.
Eu acho que também pode ser de tu como estás habituada a teres alturas em que tens muita coisa a acontecer, quando passas pro zero é que deve bater mais. Estás a perceber? Eu acho que é isso.
As vezes em que eu estou muitas vezes fora, quando estou fora, eu estou a pico.
Pronto, é isso.
De adrenalina. Eu chego cá, eu tenho uma queda, um contraste.
Exato, é isso.
Eu ontem não vi ninguém, a não ser o meu PT. Não falei com ninguém.
Mas ao menos estiveste com alguém.
Sim, mas foi uma pessoa.
Sim, é o PT. É da parte do corpo, não é da alma.
Não, eu fiz duas chamadas. Prontos, em videochamada.
Mas sim. Tens toda a razão. Tem um impacto gigante.
Nem tive consciência disso, mas soube-me bem ontem, porque estava a precisar.
Sim, mas eu às vezes era assim: adoro estar sozinha um dia, mais do que isso, não.
Hoje já é ótimo estar aqui.
Já libertei.
É um equilíbrio, por isso é que eu, por exemplo, tenho o problema contrário. Eu estou sempre com craving de estar sozinha, mas é porque eu sinto que os meus dias são todos muito intensos. É como aquela coisa que estavas a dizer, quando estás em Lisboa, à noite não queres estar em casa com pessoas porque precisas desanuviar. É fixe estar sozinho se durante o dia estiveste com pessoas. Tem que ser um equilíbrio, não pode ser só estar sozinho. Pois é isso.
Se eu fosse todos os dias pra um escritório das oito às seis, eu ia amar viver sozinha.
É isso. Pronto, que é o que me acontece, percebes?
Ia amar.
É isso.
É isso.
E depois em cima com os outros planos sociais, eu tenho uma cena que é: eu fico com saudades do meu sofá. Eu se tiver, imagina, um dia em que eu vou trabalhar e depois, à noite, tenho um jantar ou qualquer coisa. Dia seguinte também tenho qualquer coisa ao final da tarde, só chego a casa tipo nove. Já não vou ao sofá, janto e vou pra cama. Eu fico com saudades do meu sofá. Mas isto é porque está dias loucos, eu acho que não teria essas saudades se fossem dias normais.
Sim, mas faz sentido ter isso em consciência quando estou a planear a minha semana. Acho que faz sentido. Porque hoje, por exemplo, é um dia em que é dinâmico, estamos aqui, conversamos, estamos com pessoas. Então se calhar já faz sentido hoje ter uma noite mais chill. E se calhar já não vou sentir tanto porque já senti durante o dia.
Estamos já a criar aqui um monstro. Olha ela analítica, já está a pôr nos buracos da agenda.
Isto vai ser total a minha semente, eu vou ter tanta consciência disto no próximo episódio dou-vos updates. Outra coisa que eu queria falar com vocês e que também está como minha rosa é o Friendstorm. Eu gosto muito deste projeto.
Eu adoro!
Acho que é supergirio e vocês as duas vieram na última edição, portanto fizemos o segundo jantar. Pra quem não está a par, Friendstorm é basicamente um conceito que eu me lembrei, porque eu tenho muitas amizades individuais que eu acho que se dariam bem se estivessem no mesmo sítio e a conversar. E portanto, juntei estas pessoas, estas cabeças que eu sinto que são parecidas. A vibe é um bocado Para juntar, foi o serem pessoas que gostam de pensar fora da caixa e fazer coisas diferentes, pessoas proativas. Não tanto empreendedorismo, porque acho que nem toda a gente quer esse caminho, mas toda a gente pensa, de certa forma, fora da caixa. E são amizades que eu fui juntando e pensei em fazer estes jantares. Fizemos agora a segunda edição, fomos oito pessoas e acho que correu super bem. E aquilo que eu queria trazer como rosa, que tu também fizeste um post no LinkedIn sobre isso, que é a importância de nós nos rodearmos de pessoas certas, que para mim é chocante o impacto que um jantar de três horas tem na minha vida.
Mas é mesmo.
Eu comecei a tomar decisões, já mudei coisas reais que têm muito impacto na minha vida com base num jantar de três horas. E para mim, isto é surreal. E queria saber o que vocês acharam.
É que para mim é 100% igual. Eu senti uma diferença gigante. Eu até chego para já, chego desses jantares completamente excitada.
É uma energia.
Louca para fazer coisas, deito-me às 02:00 a.m., que não é nada a minha cena, porque estou no telemóvel a pensar em coisas, fazer isto, não sei o quê. E depois é o fazer mesmo a diferença, tu fazeres uma coisa na prática que mudas. O jantar foi na semana passada e já toda a gente aqui fez coisas que tinha que fazer. Eu acho isso incrível. E isso, quando eu comparo com estar com pessoas, sei lá, a mim às vezes acontece-me estar com pessoas que não têm tanto esta cabeça de fazer diferente, em que eu digo um projeto e dizem: "Isso vai correr mal. Isso não é boa ideia, fazeres isso, não sei o quê." Versus estar com cabeças que te elevam. Exato, faz muita diferença.
Sim, porque nesses jantares, para além de criar dinamicazinhas de perguntas para as pessoas irem falando, cada uma ter o seu palco, o seu microfone, é também o objetivo de cada uma definir objetivos para o futuro, para querermos implementar, seja em que área for. Pode ser pessoal, pode ser profissional. Acho que ajuda a teres depois essa "accountability", que eu também te perguntei quando saí do jantar, a Mónica já foi a dois. Então perguntei-lhe o que ela achou, se achava que devia ser uma continuidade ou não, porque eu acho que o facto de ser continuidade e o mesmo grupo, permite ter esta "accountability", porque todas estamos a par das histórias umas das outras e sabemos no próximo jantar: "Olha, isso aconteceu, fizeste."
E foi giro também que inconscientemente, tu não pediste para as pessoas trazerem propriamente um problema, mas ao longo do jantar fomos partilhando problemas e coisas que estavam a acontecer e umas e outras iam dando palpites e "feedbacks" e às vezes nós estamos tão nos nossos problemas e só falamos daquilo com aquela pessoa que trabalha conosco e também está a par. E às vezes uma opinião externa ajuda-nos imenso a pensar e ter outra perspectiva sobre as coisas.
Eu nunca levei nada para os dois jantares, nunca levei um objetivo escrito. Eu fui sempre deixa ir. E quando tu estás a responder às perguntas e a falar, vais percebendo o que está a incomodar inconscientemente e saí de lá com um objetivo bem concreto a nível profissional, que eu nem sequer fazia ideia.
Outra coisa que me aconteceu também foi, não propriamente em relação ao objetivo, ouvir as histórias das outras pessoas e a falar e dos dilemas e tudo mais, fez-me refletir sobre coisas da minha vida, nada a ver com aquele objetivo que eu depois levei para casa e fez-me mexer nisso.
Porque ouves cabeças novas a falarem de um problema se calhar que tu não tinhas pensado ou se calhar não estavas para aí virada.
E também tens e nem reparas que é um problema.
Sim, 100%. E depois ainda há outra coisa que é: tu estás contente porque tu evoluis nos teus objetivos e ficas contente quando vês as outras pessoas a fazer coisas e ficas mesmo: "Vamos embora, estamos todas juntas nisto." E eu acho isso incrível. Não te sentes sozinha. Sentes que estamos todas a lutar para algum lado.
Para alguma cena.
É muito giro. Eu senti que foi difícil para mim coordenar muita gente. E, por outro lado, eu queria trazer mais gente, porque eu sinto que tenho mais pessoas na minha vida que poderiam acrescentar ao grupo. Então eu estou na fase agora de tentar perceber que dinâmica é que vai resultar.
Só que é difícil, porque sendo em versão jantar é difícil.
É que é intimista e para tu dares espaço, para toda a gente falar e partilhar, já não foi fácil coordenar oito pessoas.
E porque é difícil não teres conversas cruzadas.
Exatamente, é isso. E eu acho que oito já está ali a roçar o limite. Foi isto, acabou. Agora tens que criar um segundo grupo com as pessoas que faltam. Olha, tu ficas com mais planos sociais, se calhar não é mau.
De repente estou eu a criar quatro grupos, a ter quatro jantares mensais. Mas eu gosto muito desta ideia. Por acaso, o meu pai viu o "reels" do Friendstorm e veio-me dizer: "Gostei."
A sério?
Boa ideia.
Mas vais ver, a minha mãe precisava de uma cena dessas. Precisava mesmo, fazia-lhe bem.
Por acaso isso é muito fixe em várias gerações diferentes.
Imagina, eu partilhei isto também numa ótica de: "Olhem esta ideia, façam." Porque eu recebi muita gente de também quer fazer parte, muitas seguidoras, que pode ser uma ideia também de eu criar outra coisa para seguidoras ou uma coisa maior do que isto, mas recebi muitas mensagens dessas, mas a minha ideia é que isto seja uma coisa para já, eu estou a usufruir de uma coisa pequena. A ideia é: peguem nos vossos amigos, nas vossas pessoas que também tiverem esta vibe, e juntem e façam.
Eu acho que a dificuldade é as pessoas precisam de uma cabeça de Mariana, que é uma pessoa proativa que pega e faz. Muitas vezes as pessoas são tipo: "Eu adorava, mas..."
Contar pessoas assim, eu acho. Pensa, não tens amigas que são assim na vida?
Não, tens.
Mas eu acho que isso é muito fixe.
Eu acho que todas vocês seriam pessoas que iriam criar isto.
Sim, OK, está bem.
Ou seja, estão a perceber?
Estou.
Até podíamos ter a ideia, mas eu acho que é preciso uma dose de analítica como tu és de: "OK, eu tive isto, vou fazer já."
Mas eu acho que, por exemplo, tu és uma pessoa proativa.
Também és, super. Eu acho que todas as pessoas que estão ali são pessoas que iriam fazer isso.
Até porque se calhar é por isso que elas estão ali. Serem proativas e fazerem coisas, e não serem... pois ya.
Mas eu acho que isso é grande mote para as pessoas. Às vezes nós temos ideias e queremos implementar pequenas coisas e juntar grupos e marcar aquela coisa e não fazemos e depois tem repercussões tão boas na nossa vida.
É chocante para mim o impacto que um jantar pode ter. Uma única coisa. Imagina, este exemplo do jantar é o exemplo de vais a um evento qualquer, conheces uma pessoa, tens uma conversa. É isto, a vida é isto. Saiam de casa, façam coisas, conheçam pessoas novas, que é isso que vai levar para além.
Até porque eu sinto que as cenas grandes da vida acontecem sempre porque tu foste àquele evento e falaste com não sei quem, que te apresentou não sei quem, e de repente estás não sei onde. É sempre assim. Nunca é uma coisa em casa mega planeada que tu fazes. Claro, tens que planear, tens que fazer coisas, não é isso.
Eu concordo plenamente contigo.
Pois.
Por isso é que eu estava a dizer aquilo no início do episódio de olhar, dar espaço para as coisas, sabes? Porque é nesses bocadinhos que as coisas boas acontecem, eu acho.
É estar no sítio certo à hora certa e estar aberta para falar.
Ter a cabeça aberta para isso.
Sim. Porque às vezes tu podes nem estar disponível para conversar com a pessoa que está ao teu lado, que era aquilo que estavas a dizer das pessoas em Lisboa estarem sempre com o tempo contado.
É preciso estarmos chill. Dar espaço para o improviso inesperado acontecer também.
Estamos profundas.
Este episódio está a ser bué terapêutico.
Estou-me a sentir: "Sai daqui inspirada."
Mas este episódio também me deixou a mim com uma nova semente. Foi exatamente como o friendstorm, que eu agora saí daqui com vontade de marcar um plano social por dia para ser mais feliz.
Pois é, foi a mesma coisa.
Olha, e os vossos objetivos, as vossas sementes?
Já sei a minha, que eu lembrei outra vez. É que nós começamos aqui a falar. A minha semente está a acontecer, tem acontecido, mas até dezembro é foco total. Tem a ver com a minha parte profissional, que é evolutiva. Sou freelancer e trabalho nesta área da comunicação. Tenho vários projetos, vários trabalhos diferentes e sinto que com o tempo vou percebendo ao certo aquilo que eu quero fazer. E também vou mudando aquilo que eu quero fazer. E nesta fase da minha carreira, eu sinto que os nãos são muito mais importantes do que os sims, e são eles que me estão a direcionar e que me vão direcionar. E até o final do ano, quero me focar muito nesses sims e nesses nãos, principalmente, porque hoje, por exemplo, aquilo que vai acontecer profissionalmente, essa experiência que eu vou ter, é o reflexo de vários sims, mas também de nãos que eu tenho vindo a dar nos últimos meses, que também são muito importantes.
E os nãos também vão ser importantes para te dar espaço, para que depois outros sims melhores venham.
É por isso que os nãos têm sido muito importantes nessa fase, porque o crescimento e tu seres boa e cada vez melhor a fazer uma certa coisa, mas essa coisa pode ser só uma ponte para aquilo que tu efetivamente queres fazer. E acho que chega uma altura da nossa vida profissional, até numa empresa isso pode acontecer. És bué boa a fazer "copywriting", mas na verdade tu queres é fazer a estratégia grande da empresa. Se tu nunca deixares de fazer o "copywriting" e não começares a dizer que não quando te pedem, nunca hás de ter espaço e tempo para fazer a estratégia grande.
Não é fácil.
Não, não é. Isto já vem.
E o que eu estava a pensar é, em freelancer ainda deve ser mais difícil, porque tens tendência a dizer que sim a tudo, porque tu nunca sabes. É dinheiro e é tudo instável e tem de ser. E depois de repente estás assoberbada em trabalho, que se calhar nem era aquilo que tu querias e surge outra coisa que tu até querias e não tens espaço para o pôr.
É isso. Foi isso que me aconteceu e que me acontece muitas vezes. É um limbo. Quando tu és freelancer, é 100% limbo, porque tu nunca sabes e é o risco que corres.
Vai dar certo. E até o final do ano é tomar melhores decisões, ponderar melhor.
Sim. E vai correr bem, tenho a certeza. Porque gosto de ter essa cabeça. Eu adoro, a Mónica está sempre aqui: "Vai correr bem, vai dar certo." É tipo energias que uma pessoa sente, as vibes.
Não, eu também acho, amigas, isto é para pensar sempre positivo.
Tem de ser, porque se tu estás a pensar no mau, vais atrair o mau. Não pensa, é bora pra frente. Pronto, a minha semente não tem nada a ver com a tua, nada a ver.
O oposto.
É o oposto. A minha é aproveitar mais o Porto, porque uma conclusão que eu cheguei. Isto é mesmo estúpido, porque eu vivo cá há seis meses. Eu já vivi cá de 2015 a 2018. E o Porto era completamente diferente nessa altura. Só tinha hamburguerias e poucas coisas a acontecer.
O Porto deu um salto nos últimos anos.
É, tipo uma coisa, não tem nada a ver mesmo. E eu para aí há uns 15 dias fui ver comédia aqui no Porto, que ainda não tinha ido e já estou cá há seis meses. E antes em Lisboa eu ia com muita frequência, ia todas as, não é todas as semanas, mas ia todos os meses tranquilamente. E fui ver e pensei: "Por que eu não vou mais vezes a coisas? Por que eu não aproveito mais o Porto?" Porque estou sempre focada em trabalhos e não sei o quê, estou louca e no máximo vou jantar aqui e acolá. Pronto, e então descobri que o Porto tem coisas incríveis, tem lojas vintage incríveis, bué ruas cheias de lojas com cenas mesmo diferentes. Descobri esta cena do Porto Comedy Club também. Não é Porto Comedy Club, estou a inventar. É no Plano B, estava a faltar o nome. Pronto, mas no Plano B eles fazem noites de comédia e têm dois humoristas que já são consagrados, que tu sabes que vais rir, e pagas €10, mas tens uma boa noite, versus aquelas noites de comédia que tu vais em que saem-te cinco pessoas.
Mas já foste ao Ferro? Gostaste?
Já. O Ferro tens que ter sorte. Já fui a noites muito boas. Fui a uma muito boa e fui a outra que não gostei assim tanto. E eu lembro que no Comedy Club em Lisboa isso também me acontecia. Portanto, ter descoberto agora que esta noite existe e que é sempre uma vez por mês, pronto, fixe, quero ir a mais. E descobrir mais coisas no Porto para fazer, que eu sinto que temos.
Acho que a cena de comédia também agora vai entrar numa nova fase, se calhar, de testes, porque no verão eles param um bocado. Aquilo de testar, estar atenta a essas coisas, que eles depois fazem testes de comédia aqui também baratos.
Exato.
E tens sempre comediantes conhecidos a vir.
Exato, é isso. E quero aproveitar mais essas cenas e não estar tão a dormir.
Eu também vou pôr essa semente em mim. Também acho que isto é bué importante. Sim, e depois dou por mim, às vezes tenho tempo e olho e penso: "O que eu vou fazer? Não sei." E continuo a ir aos mesmos sítios, fazer as mesmas coisas. Eu estava a pensar esta semana: "Já não experimento restaurantes novos no Porto há imenso tempo."
Pronto, é a mesma coisa, é entrar na mesma cena.
E temos sempre aquela lista: "Eu gostava de experimentar aquilo." E estás a dizer isso há quatro meses e não foste.
Mas vou sempre ao mais perto de casa, que eu gosto, que já sei. Clássico Mas também tenho essa.
E acho que agora no outono e inverno, estando mais por cá, porque eu defini comigo que não vou fazer mais viagens. Estando mais por cá, também quero fazer isso. Já marquei uma noite no Ferro, por acaso.
Pronto, boa. Semente coletiva. É isso, fazer todas.
Boa! Amigas, olhem, eu tinha pensado em trazer também as cartinhas do Friendstorm. Fica para uma próxima.
Tu disseste cartas, até achei que era astrologia, que íamos tirar as cartas.
Mas sabes uma coisa que vou fazer amanhã? Que depois na próxima eu posso explorar? O human design.
Sim, por favor. Ainda ontem peguei no meu livro de human design.
Vou fazer amanhã.
Eu amei.
Portanto, vou fazer isso, na próxima podemos fazer. E estamos agora a chegar a uma hora, portanto, hoje não fazemos esse jogo, mas as cartinhas do Friendstorm acho que era giro também tirarmos uma ou outra e falarmos.
Podíamos. Sim, e até inspirar as pessoas a perguntas que eles podem fazer nos jantares deles, se quiserem marcar.
Sim, quando partilhei foi tipo: "Ainda compras isso?" Não, fui eu que fiz essas cartas. Pus no chat as perguntas que eu queria pôr e o chat depois fez o design e eu imprimi. É muito simples.
Porque as pessoas às vezes complicam também.
Eu é que pensei nas perguntas. O que eu quero saber da vida das minhas amigas. Pensem nisso. Portanto, no próximo episódio podemos brincar às cartinhas.
Acho super boa ideia.
Pronto, Ária, gostei muito. Foi uma ótima terapia. E quando voltarmos já vou ter corrido a minha meia maratona, já vais ter feito o teu trabalho. Vamos lá.
Coisas boas. E a Mónica se calhar já esteve em três ou quatro palcos, nunca se sabe. Ela é assim imprevisível. Fica a dica.
E já vamos ter explorado muito o Porto.
Sim, isso vai ser. Isto tem mesmo que ser.
Isso vai acontecer. Obrigada, gostei muito. Não é fácil, eu sei. Mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume?
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