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Friday, September 25, 2026

Mural gigante celebra Milton Nascimento em prédio do centro de Belo Horizonte

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"De novo na esquina os homens estão", canta Milton Nascimento na clássica "Clube da Esquina", música de 1970.

Mais de 50 anos depois, a profecia se cumpre mais uma vez. Nesta quinta-feira (24), foi finalizado um mural de 1.600 metros quadrados em homenagem ao cantor, carioca de nascimento, mineiro de coração, numa das muitas esquinas da região central de Belo Horizonte.

Assinada por Kaká Chazz, a obra ocupa a empena de um prédio na avenida Álvares Cabral, próxima à rua Timbiras. Segundo o artista, o mural promove uma travessia ao retratar o artista em dois momentos de sua vida.

Acima, está o Milton mais velho, vestido com o figurino que o acompanhou durante sua turnê de despedida dos palcos, em 2022. Abaixo, está o rosto do jovem compositor que se tornaria um dos principais nomes da música brasileira.

"Pintar o Milton não é simplesmente pintar um grande artista que admiro. É pintar uma pessoa que teve uma trajetória de muitas lutas, mas que se entregou verdadeiramente àquilo em que acreditava: à arte e ao povo", diz Chazz.

Para a arte, foram escolhidos elementos que remetem ao barroco mineiro, como os arabescos, e aos temas que, segundo o artista, foram sintetizados pela obra de Milton, como o sertão, a fé e a cultura popular. Ao conjunto, colorido com os tons do pôr do sol, ainda foram adicionadas sementes, marca do trabalho de Chazz.

"Neste mural, a semente também faz referência ao nome que Milton recebeu do povo indígena Guarani-Kaiowá, que o batizou como Semente da Terra", conta o artista.

O muralista é natural de Três Pontas, cidade do sul de Minas Gerais, para onde Milton se mudou aos seis anos, no final da década de 1940, e disse que sentiu o peso da responsabilidade de pintar "um artista gigante".

O artista também assina outro mural em homenagem a Milton na cidade do interior mineiro, finalizado no ano passado. "Foi uma homenagem que ele [Milton] aprovou e adorou", diz Augusto Nascimento, filho do músico.

"Crescer nesse lugar e depois me tornar artista fez com que eu fosse entendendo, com o tempo, a dimensão do que o Milton representa", afirma Chazz. "Acho que essa proximidade também influenciou a maneira como eu construo o meu próprio trabalho."

A pintura do mural integra a 20ª edição da Fábrica de Graffiti, projeto com foco na humanização de espaços industriais por meio da valorização da cultura StreetArt. Nos seus 7 anos de atividade, a iniciativa foi responsável por murais de grafite em cidades de Minas, da Bahia e do Rio de Janeiro.

"Milton Nascimento é um artista que atravessa gerações e nós, um projeto mineiro, ficamos honrados em realizar um mural que com certeza se tornará um cartão-postal na cidade de Belo Horizonte", afirma Paula Mesquita, produtora executiva do projeto.

O mural foi patrocinado pela Fundação ArcelorMittal e se soma aos demais grafites que, nos últimos anos, transformaram o centro da cidade numa galeria ao ar livre de artes gigantes.

Neste ano, durante o Cura - Festival de Arte Urbana, a cidade recebeu novos murais assinados pelo líder indígena e escritor Ailton Krenak e pela artista Rafaela Ianni, que fez uma intervenção no edifício JK, um dos símbolos belo-horizontinos da arquitetura modernista de Oscar Niemeyer.

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