12h. Carga Policial Acampada. PR contacta PM e Provedora
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Está a começar o Jornal do Meio-Dia com a edição do Vasco Maldonado Correia. Vasco, começamos com uma atualização. O Presidente da República já falou com o Primeiro-Ministro e já falou com a Provedora de Justiça, na sequência da carga policial da última madrugada em Lisboa e no Porto.
Informação enviada ao Observador por fonte oficial da Presidência da República, que dá conta que essa conversa com Luís Montenegro e Luísa Neto aconteceu nas últimas horas. Esta manhã, fonte de Belém já tinha indicado que António Guterres Seguro tinha pedido informações e esclarecimentos sobre os incidentes da última madrugada e ainda sobre a situação dos manifestantes detidos e de todas as pessoas que ficaram feridas. Ao todo, foram detidas 13 pessoas, seis em Lisboa, sete no Porto. Entretanto, já todas libertadas. Treze polícias apresentaram ferimentos. O movimento da Acampada garante também que há mais de 30 feridos a registar entre os manifestantes.
E alguns tiveram de seguir para o Hospital São José, em Lisboa. Quatro manifestantes tiveram alta esta manhã.
Quatro dos cinco que seguiram para esse hospital. A notícia é avançada por fonte da Unidade Local de Saúde. Ao todo, entre os 30 feridos, 10 foram hospitalizados.
Entretanto, Vasco, os manifestantes prometem voltar hoje à rua.
Sim, vai acontecer já esta tarde. Novo momento de protesto, agora contra a violência policial e também pela habitação. Concentração que está marcada para às 17h, no Rossio.
E o advogado da Acampada de Lisboa vai avançar judicialmente contra o ministro da Administração Interna e contra o diretor nacional da PSP.
Anúncio feito esta manhã por Ricardo Sá Fernandes, considera que a intervenção da polícia foi ilegal e desproporcional.
Estes jovens e outros menos jovens não cometeram nenhum crime. Quem cometeu crimes aqui foi o ministro da Administração Interna, Luís Neves, e o diretor nacional da PSP, Coelho de Moura. E cometeram crimes. Que crimes? Crimes de abuso de poder, porque não tinham o direito de fazer a intervenção que fizeram. É uma visão absolutamente desnecessária, desproporcional, ilegal, contra a lei, contra a Constituição. Nós vamos participar criminalmente contra o ministro da Administração Interna e contra o diretor nacional da PSP.
Ricardo Sá Fernandes, representante legal do movimento, esta manhã à porta da esquadra de Martim Moniz, local para onde foram levados os detidos de Lisboa, entretanto já todos libertados.
E a PSP já veio defender a atuação da última madrugada, garante que agiu de forma proporcional.
Operação musculada, sim, mas justificada perante a resistência dos manifestantes às ordens da polícia. Foi o que veio defender o subintendente Sérgio Soares, porta-voz da PSP.
Se me pergunta se há algum tipo de uso da força mais extremo, diria que sim, para consumar o nosso avanço para a retirada dos manifestantes. Todavia, a nossa intervenção tentou ser o mais proporcional, adequada e necessária possível para evitar males maiores e para evitar ofensas à integridade física nos manifestantes. Todavia, tivemos que empregar a força física que vocês verificaram, tendo em conta a resistência muito ativa por parte dos manifestantes.
A polícia explica que as pessoas concentradas nas duas praças recusaram desmobilizar, mesmo após três avisos expressos para retirarem as tendas. Sérgio Soares garante que a via do diálogo fracassou.
Essa via foi esgotada porque também tivemos cerca de três horas, mais ou menos, a tentar dialogar e a negociar com os manifestantes. E quando decidimos intervir, depois de esgotados todos estes momentos e quando verificamos que de facto os manifestantes não iam aceder às nossas solicitações, foi nesse momento que decidimos colocar o corpo de intervenção no terreno.
Esclarecimentos do porta-voz da PSP, Sérgio Soares.
Entretanto, os comerciantes da Baixa Pombalina vêm condenar os atos de violência da última madrugada e apontam o dedo aos manifestantes.
Num comunicado enviado às redações, a Associação de Dinamização da Baixa Pombalina vem mostrar preocupação com os comportamentos registados na última noite, particularmente no Mercado da Figueira. A associação frisa que respeita o direito à manifestação, mas condena os manifestantes que invadiram o espaço deste mercado, o Mercado da Figueira. Queixa-se que foram retiradas mesas e bancos, o que colocou em risco a segurança das instalações, dos comerciantes e da própria continuidade da atividade do mercado. Diz também que só graças à intervenção da segurança privada presente no local, foi possível evitar consequências mais graves.
E o antigo secretário-geral socialista, Pedro Nuno Santos, critica a atuação da polícia e culpa o governo.
Num vídeo publicado nas redes sociais, o antigo líder do PS descreve o que considera ser uma operação inaceitável.
Uma semana depois, as forças de segurança voltam a carregar sobre manifestantes pacíficos em Lisboa e no Porto. Não se passou nada que justificasse mais esta carga policial. As autoridades podiam ter esperado que as manifestações acabassem por desmobilizar espontaneamente, como é óbvio que acabaria por acontecer. Não foi essa a decisão. As autoridades, as forças de segurança, mas com certeza também o governo, optaram, escolheram reprimir pela força o direito ao protesto, o direito à manifestação. Os responsáveis pela desordem nesta madrugada não foram os manifestantes, foram as forças de segurança e quem lhes deu a orientação para atuarem desta maneira. Por quanto mais tempo vamos permitir que isto continue a acontecer no nosso país? O que é que o governo pensa fazer para acabar com estas cargas policiais?
Uma condenação forte por parte de Pedro Nuno Santos, antigo líder do Partido Socialista. Já o atual secretário-geral do PS deve reagir nos próximos minutos. José Luís Carneiro tem uma conferência de imprensa marcada para esta hora, para o meio-dia, na sede da Federação Distrital do PS, no Porto.
E o secretário-geral do PS mostra reservas em relação à continuidade do governo, Vasco?
Foi numa entrevista ao JN e à TSF, anterior às cargas policiais sobre as acampadas em Lisboa e no Porto. José Luís Carneiro veio criticar as soluções do governo para o problema da habitação, mas não só. Diz que, nesta altura, já não sabe se será suficiente uma remodelação ministerial para que o governo consiga responder às dimensões críticas das áreas mais importantes da vida do país, para que os portugueses possam estar tranquilos em relação à forma como o Executivo responde a essas necessidades. Carneiro repete que os socialistas têm procurado fazer de tudo para dar estabilidade política e para evitar que o país entre numa crise, mas avisa que vai depender mais do governo e do primeiro-ministro se é possível ou não manter essa situação.
12h06. Vasco, que outras notícias marcam a atualidade?
O Ministro da Economia e da Coesão Territorial começou hoje uma visita oficial de três dias à Venezuela. O objetivo é reforçar as relações políticas e económicas entre os dois países. De acordo com o comunicado enviado às redações, Manuel Castro Almeida vai participar em vários encontros com as autoridades venezuelanas e com representantes da comunidade portuguesa residente no país. Volodymyr Zelensky denuncia novos ataques russos contra infraestruturas energéticas da Ucrânia durante a madrugada de hoje. A denúncia foi feita através de uma publicação na rede social X. Os ataques atingiram quatro regiões do país e deixaram centenas de milhares de pessoas sem eletricidade. Perante a intensificação dos ataques, o presidente ucraniano volta a pedir aos Estados Unidos e à Europa mais sistemas de defesa aérea, nomeadamente mísseis Patriot. No futebol, o Porto só sabe vencer no campeonato. Goleou ontem o último classificado, o Estoril, por 4 x 0 no Estádio do Dragão. Soma agora 30 pontos na tabela classificativa, em 30 possíveis. Tem mais oito que o Benfica, que está na segunda posição e que joga amanhã frente ao Alverca, na Luz. Daqui a algumas horas entra em campo o Arouca frente ao Nacional. O jogo começa às 15h30.
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