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Sunday, November 8, 2026

Shopping abandonado há 32 anos vira academia de luxo de R$ 7 milhões no interior de SP

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RESUMO +

A rede de academias Legacy Gym investiu R$ 7 milhões para transformar um shopping abandonado desde 1994 em um complexo de saúde e bem-estar em São João da Boa Vista, no interior paulista. A Legacy Gym 360 terá 3.700 metros quadrados e integra o plano da empresa de alcançar 50 unidades no Brasil.

Um shopping construído em 1994, que nunca recebeu um cliente, vai ganhar uma nova vida.

Depois de 32 anos de abandono, o prédio de São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, está sendo transformado em uma academia de luxo. Até o espaço onde funcionaria o cinema terá uma nova utilidade: receber aulas de ginástica.

A responsável pela transformação é a Legacy Gym, rede de academias criada pelo empresário Roger Ramos.

A companhia investiu 7 milhões de reais para reformar o imóvel de 3.700 metros quadrados e instalar um complexo com musculação, centro médico, restaurantes, lojas e serviços de saúde e bem-estar.

A nova unidade, batizada de Legacy Gym 360, é a segunda da empresa, que estreou em agosto de 2026 na Vila Formosa, na zona leste de São Paulo.

A inauguração faz parte de um plano para chegar a 50 unidades no Brasil, combinando academias próprias e franquias.

"Eu tive que fazer tudo do zero, desde a entrada de energia, transformador, fiação, painel elétrico", diz Ramos, CEO da Legacy Gym, em entrevista à EXAME.

Segundo ele, parte da infraestrutura do antigo shopping havia sido furtada durante os anos em que o prédio ficou vazio.

A aposta é que o investimento ajude a criar um modelo de academia capaz de crescer em outras cidades. A empresa já tem mais dois pontos comerciais assinados e um terceiro em negociação. Minas Gerais, Rio de Janeiro e a região Centro-Oeste também estão no radar da expansão.

Como um shopping abandonado virou academia

O imóvel de São João da Boa Vista foi planejado para ser um shopping center nos anos 1990. Segundo Ramos, problemas envolvendo o grupo de lojistas impediram que o empreendimento abrisse as portas.

O prédio ficou parado desde 1994. Com o passar dos anos, perdeu parte de suas instalações e acabou se tornando um imóvel sem uso comercial.

Ramos conheceu São João da Boa Vista enquanto trabalhava na expansão de outra rede de academias, como investidor. Na época, identificou uma oportunidade na cidade: havia três academias de rede, concentradas em uma região diferente daquela onde ficava o antigo shopping.

A localização e as condições oferecidas pelos proprietários pesaram na escolha.

O antigo shopping exigiu uma reforma mais cara, mas a negociação do aluguel ajudou a viabilizar o investimento. Parte da configuração original foi aproveitada, incluindo a área que receberia o cinema e agora abrigará aulas coletivas.

Como funciona o negócio

A Legacy Gym quer ganhar dinheiro com mais do que mensalidades.

No novo complexo, os alunos poderão encontrar serviços de pilates, estética, podologia, alimentação e recuperação muscular, conhecida no setor como recovery.

A estrutura também terá espaço infantil, sala VIP, estacionamento coberto e área para aulas de bicicleta indoor.

Uma das apostas é um centro médico com consultórios disponíveis para locação por hora. Profissionais de saúde poderão atender seus próprios pacientes no local, sem precisar manter um consultório fixo.

O modelo cria uma segunda fonte de receita para a academia: além das mensalidades, a Legacy poderá cobrar por serviços adicionais e pelo uso dos espaços.

A empresa também pretende aproveitar a frequência dos alunos para atrair outros negócios. Enquanto uma loja de shopping pode receber o mesmo consumidor apenas algumas vezes por mês, uma academia pode fazer parte da rotina semanal.

"Nós somos os âncoras dos âncoras", diz Ramos, ao comparar o potencial de circulação das academias com o das lojas que atraem consumidores para shopping centers.

A estratégia, porém, depende de convencer o público a pagar por serviços que vão além da musculação.

A Legacy se posiciona em uma faixa que chama de "premium acessível", com mensalidades entre 239 e 259 reais. É um valor superior ao das academias de baixo custo, mas distante das operações mais caras do mercado.

"A gente se denomina como premium acessível. Quando você chega na Legacy, realmente acha que é uma academia premium e, quando apresentamos o plano, as pessoas falam: 'Nossa, achei que era muito mais cara'", diz Ramos.

Os serviços adicionais são cobrados à parte. O consumidor pode contratar, por exemplo, um plano de recuperação muscular ou pagar para usar a sala VIP, com bebidas, frutas e espaço para trabalhar.

A meta de faturar R$ 700 mil por mês

O investimento de 7 milhões de reais também traz um desafio: fazer uma estrutura de 3.700 metros quadrados gerar receita suficiente para sustentar os custos da operação.

A projeção da Legacy é alcançar 500.000 reais mensais com a academia e outros 200.000 reais com a locação de lojas e espaços comerciais do complexo. Somadas, as duas fontes representariam um faturamento de 700.000 reais por mês.

Para chegar lá, a rede terá de disputar consumidores com academias que oferecem preços menores e já possuem presença consolidada no mercado.

Ramos conhece os riscos desse negócio. Engenheiro de formação, começou a trabalhar no setor prestando serviços de manutenção de equipamentos de academias. Depois, tornou-se investidor e participou da gestão e expansão de outras redes.

Mas também teve uma experiência que terminou mal. "Tive uma academia também que não deu muito certo na pandemia. Acabei fechando essa academia, que acho que foi o maior aprendizado que eu podia ter na vida", diz.

Depois do fechamento, voltou ao setor como investidor e executivo.

Segundo ele, participou de projetos de expansão que levaram uma rede de quatro para 32 unidades e outra à marca de 60 academias.

Agora, quer aplicar o que aprendeu em uma marca própria. A estratégia prevê crescimento inicialmente em cidades próximas à operação paulista, para facilitar a gestão, mas também inclui franquias para acelerar a chegada a outros mercados.

O desafio será replicar o modelo sem depender de imóveis tão específicos quanto o antigo shopping de São João da Boa Vista — e sem que o custo de oferecer tantos serviços comprometa a rentabilidade.

"Nosso desafio não é simplesmente abrir academias. É construir uma operação preparada para ganhar escala sem perder eficiência e experiência do cliente", afirma Ramos.

Em São João da Boa Vista, a primeira prova dessa estratégia será transformar um prédio que passou 32 anos sem receber consumidores em um endereço frequentado várias vezes por semana.

'Perguntas frequentes'

Como um shopping abandonado virou uma academia de luxo? +

A Legacy Gym reformou o shopping construído em 1994 que nunca chegou a receber clientes em São João da Boa Vista. A empresa aproveitou parte da configuração original, inclusive o espaço destinado ao cinema, que receberá aulas coletivas.

Quanto a Legacy Gym investiu na nova academia? +

A Legacy Gym investiu R$ 7 milhões na reforma do imóvel de 3.700 metros quadrados. Segundo o CEO Roger Ramos, foi necessário refazer instalações como entrada de energia, transformador, fiação e painel elétrico após furtos ocorridos durante o período de abandono.

Quais serviços a Legacy Gym 360 oferecerá? +

A Legacy Gym 360 terá musculação, aulas coletivas, pilates, estética, podologia, alimentação, recuperação muscular, espaço infantil e bicicleta indoor. O complexo também contará com restaurantes, lojas, sala VIP e um centro médico com consultórios disponíveis para locação por hora.

Quanto custará a mensalidade da Legacy Gym 360? +

As mensalidades ficarão entre R$ 239 e R$ 259, dentro da faixa que a Legacy Gym chama de “premium acessível”. Serviços adicionais, como recuperação muscular e acesso à sala VIP, serão cobrados separadamente.

Qual é a meta de faturamento da nova unidade da Legacy Gym? +

A Legacy Gym projeta faturar R$ 700 mil por mês com a nova unidade. A estimativa inclui R$ 500 mil mensais com a academia e R$ 200 mil com a locação de lojas e espaços comerciais.

Qual é o plano de expansão da Legacy Gym? +

A Legacy Gym pretende alcançar 50 unidades no Brasil por meio de academias próprias e franquias. A empresa já tem dois pontos comerciais assinados e um terceiro em negociação, além de avaliar a expansão para Minas Gerais, Rio de Janeiro e Centro-Oeste.

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