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Tuesday, October 6, 2026

E, agora, um breve interlúdio de poesia e lugares-comuns

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Este é o Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador, que também pode ouvir em podcast. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.

Bom dia.

Miguel, o teu bom é André Ventura.

Sim, ele aproveitou uma infelicidade do presidente do Parlamento. Ontem, José Pedro Aguiar-Branco fez um caso do número de comissões parlamentares de inquérito, ao defender que não deve haver mais de duas em funcionamento ao mesmo tempo. Nós, neste momento, temos as tais duas CPI, uma sobre o INEM e uma sobre os incêndios florestais. O Parlamento acaba de aprovar mais duas, a comissão de inquérito proposta pelo Bloco de Esquerda sobre os exames nacionais e a CPI do Chega sobre Luís Neves. Perante isto, Aguiar-Branco disse que deve ser respeitada a prática parlamentar de haver apenas duas comissões ao mesmo tempo. E o argumento é o de que há grupos parlamentares que não têm muitos deputados e que, por isso, não poderiam estar em quatro CPI. A mim parece-me um fraco argumento. Por um lado, cada partido tem o número de deputados que os votos lhes dão. A forma como o Parlamento funciona não varia consoante o número de deputados que cada partido tem, parece-me a mim. Senão, a cada legislatura era preciso mudar a forma como as coisas funcionam, porque é sempre variável o número de deputados de cada grupo parlamentar. E além disso, o Parlamento tem muitas comissões ordinárias e há partidos que não conseguem estar em todas. Claro, há muita coisa a acontecer no Parlamento. Como dizia o outro, é a vida, é mesmo assim. Agora, achar que a CPI a Luís Neves, ou já agora a CPI aos exames, iam ficar em fila de espera, não me parece que faça qualquer sentido.

Pois, e se é assim tão importante regular o número de comissões, que se coloque isso nas regras do Parlamento.

Certo.

Ou seja, uma coisa assim arbitrária, se calhar duas e tal.

Mas quer dizer...

Não, os argumentos não fazem sentido, obviamente.

Penso que de facto não é incrível. Se contássemos por nós, íamos ter filas de espera de seis ou sete comissões parlamentares.

Daqui a três anos vamos ter Luís Neves.

Não, não faz muito sentido.

Quem é o teu mau, Miguel?

Olha, é José Luís Carneiro. Ontem, depois dos discursos do 5 de Outubro, o líder do PS voltou a falar, de forma demagógica, sobre a lei do arrendamento. Segundo Carneiro, a proposta do governo, que será agora negociada com o Chega, é, eu vou citá-lo: "De uma grande indignidade, porque lança na insegurança os mais velhos e os mais jovens." E chegou a dizer, para justificar isto, que o documento prevê que se possa alterar as rendas anteriores a 1990. Esqueceu-se de dizer que há exceções a essa alteração, precisamente para aqueles que têm mais de 65 anos, além daqueles que têm rendimentos mais baixos ou que têm incapacidades superiores a uma determinada percentagem. E também se esqueceu de explicar por que os jovens hoje em dia não conseguem ter casas, se a atual lei do arrendamento está a funcionar tão bem que não deve ser alterada. De facto, está a correr tão bem, não está? Os jovens andam por aí a arranjar casas, a torto e a direito, para que mexer nisto? Eu acho que já se percebeu há muito tempo que o grande herói político de José Luís Carneiro é Pedro Sánchez e também por isso causa impressão que o líder do PS não perceba que em Espanha, mesmo com milhares de pessoas acampadas na rua, Sánchez não conseguiu ter apoio político, precisamente pela forma demagógica como olha para a habitação. Pedro Sánchez arranjou um decreto tão demagógico, tão populista, que nem os partidos que o apoiam e que o sustentam no governo o apoiaram. Eu vi aqui referências a que a maioria de direita impediu a aprovação daquele decreto. Não. São os partidos que sustentam o governo que impediram. Ele nem conseguiu juntar esses. Agora, que Carneiro queira copiar isto, a mim parece-me um suicídio político, mas tudo bem.

Mas há sempre a ideia que está a votos, não é? Que é popular.

Pois dá.

Invocam-se os velhinhos e os novinhos e pronto.

É, mas se José Luís Carneiro continua a ouvir estas vozes do Partido Socialista, depois não se pode admirar de ter resultados semelhantes ao que a anterior liderança teve. Mas tudo bem.

Miguel, o vilão comoveu-te?

Comoveu-me. É verdade. Paulo, eu sou um homem sensível e não tenho vergonha de o admitir em público.

Isso é uma grande qualidade, senhor Miguel.

Sim, obrigado. O Presidente da República ontem transformou o seu primeiro discurso do 5 de Outubro num interlúdio de poesia. Claro, também com muitos lugares-comuns, mas houve ali alguma poesia. E eu acho que a poesia ao começo de um feriado fica sempre bem. Nós ficámos a saber que, atenção, só vou dizer isto uma vez, tomem nota: cada pessoa conta. Fomos também desafiados a fazer de Portugal um país onde ninguém seja deixado para trás. Recebemos ainda a lição de que deve haver igualdade de direitos e de deveres. Foi-nos dito que a República são as pessoas. Descobrimos que vivemos num mundo em acelerada mudança. E recebemos o alerta de que temos de abandonar uma cultura de trincheiras e o eterno passa-culpas. E, no final, ainda ouvimos o seguinte soneto. Cá vai poesia: "Deixemo-nos de conflitos estéreis e encontremos as soluções para resolver os problemas das pessoas e do país, com os olhos postos no horizonte, com olhos postos no futuro". Obrigado. Eu sei que vocês estavam à espera. Obrigado.

Estão a bater palminhas os dois.

Um dizer.

Muito obrigado. Enfim, o Presidente da República disse-nos isto com os olhos postos no papel, onde trazia este discurso vazio e inconsequente. E atenção, eu acho bem, porque a Primeira República, como sabe qualquer pessoa que tenha lido dois livros, foi um regime violento, intolerante e arbitrário, que merece ser comemorado desta maneira.

Muito bem. A poesia ao poder.

Ó Paulo, isso mesmo. Obrigado pelo teu apoio.

É só isto, Paulo?

É só isto.

Não queres dizer uma quadra?

Depois temos aqui um desarre deste calibre com o Miguel Pinheiro, com o João Vilar, não vou estragar isto.

Fazes bem. Vamos então ao resultado. O bom desta terça-feira é André Ventura, o mau é José Luís Carneiro e o vilão de hoje é o Presidente da República. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e sempre em podcast.

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