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Wednesday, October 28, 2026

Obras públicas com a maior derrapagem orçamental desde 2006

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Abrimos agora a conferência de imprensa na Rádio Observador. Nos próximos minutos passamos em revista os destaques da imprensa nacional e internacional. Eu sou Teresa Pereira, a edição de hoje é do jornalista Ricardo Lopes. Bom dia, Ricardo.

Viva, Teresa.

Começamos a ronda nacional com o jornal "Público", que revela que as obras públicas registaram no ano passado o maior desvio financeiro desde 2006.

São mais de 204 milhões de euros em custos adicionais só em 2025. Os números constam de um relatório do Tribunal de Contas, que foi entregue à Assembleia da República. Este artigo destaca que nos últimos três anos, entre 2023 e 2025, os desvios financeiros nas obras públicas ascenderam a quase 562 milhões de euros. De onde é que vêm estes custos? Principalmente de alterações aos contratos inicialmente celebrados, quando há, por exemplo, novos trabalhos a realizar que não estão previstos nos projetos originais. Há duas empresas que se destacam nestes desvios: a Infraestruturas de Portugal e também o Metro do Porto, em conjunto concentram uma parte significativa do valor destes trabalhos adicionais. Aliás, este relatório dá conta que as empresas do Estado foram responsáveis por quase 60% do volume de trabalhos complementares registados nestes dois anos. O Tribunal de Contas diz que é preciso planear e fiscalizar mais e melhor para evitar estas derrapagens financeiras.

Seguimos agora para o Diário de Notícias, que destaca na manchete desta quarta-feira a necessidade urgente de Portugal criar uma agência nacional de saúde digital.

É uma das principais propostas do novo plano de desenvolvimento em saúde, apresentado pela Health Cluster Portugal, que conta com mais de 230 entidades ligadas à saúde. Joaquim Cunha, que é o diretor-executivo desta organização, avisa que se Portugal não avançar com a criação desta agência nos próximos dois ou três anos, arrisca-se a perder o comboio da inovação e da investigação na área da saúde. A ideia passa por melhorar a integração de dados de saúde, que estão atualmente dispersos por diferentes sistemas, tanto públicos como privados, para que os dados possam ser utilizados depois na investigação científica e no desenvolvimento de novas tecnologias. Este texto dá conta que o governo já tinha previsto no seu programa a criação de uma agência dedicada aos dados de saúde, mas segundo Joaquim Cunha, continua por esclarecer se essa estrutura vai mesmo avançar.

Do Diário de Notícias, seguimos para o Jornal de Notícias, que explica a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos depois de perder as eleições presidenciais brasileiras.

O candidato derrotado terá viajado pela Argentina depois do Supremo Tribunal Federal ter ordenado a entrega dos passaportes e proibido a saída do país. A Polícia Federal brasileira já abriu uma investigação, isto depois destas notícias que davam conta de que Flávio Bolsonaro atravessou a fronteira durante a madrugada de terça-feira. Utilizou apenas o documento de identidade. A decisão do Supremo Tribunal surge na sequência de uma investigação por alegadas tentativas de perturbar a ordem pública, depois do candidato ter contestado a legitimidade dos resultados eleitorais. Os aliados garantem que Flávio Bolsonaro já se encontrava fora do Brasil quando foi determinada a entrega dos passaportes. Entretanto, a agência Reuters e alguma imprensa brasileira avançam que Flávio Bolsonaro já está nos Estados Unidos, informação confirmada por fontes próximas do candidato e, segundo a CNN, Teresa, o governo norte-americano já anunciou que vai conceder vistos tanto a Flávio Bolsonaro como à família.

O Correio da Manhã fala num tema que tem marcado a atualidade, desde que o fisco contabiliza cerca de 800 mil senhorios em Portugal.

É uma das conclusões do estudo Portugal Fiscal, elaborado para a Fundação Francisco Manuel dos Santos, que analisa os impostos pagos pelas famílias e também pelas empresas portuguesas. Segundo os dados da autoridade tributária, referência 2024, mais de 6,2 milhões agregados familiares estavam abrangidos pelo IRS. Há um dado também que chama a atenção, quase metade destes contribuintes não pagou imposto. Falamos de 2,7 milhões de agregados familiares, o equivalente a cerca de 45% do total. O estudo revela também que os trabalhadores por conta de outrem são o grupo mais numeroso, com mais de 5 milhões de contribuintes. Seguem-se os pensionistas, com 2,6 milhões, e também os trabalhadores independentes e empresários, com 1,6 milhões. Já os 800 mil senhorios, como referias, representam cerca de 13% dos contribuintes abrangidos pelo IRS. O artigo ressalva, no entanto, que não é possível contabilizar todos os rendimentos de capitais, como por exemplo juros ou dividendos, porque por norma não estão sujeitos a qualquer tipo de declaração.

Na imprensa internacional, estamos com os olhos postos em Israel, onde corre neste momento a contagem dos votos das eleições legislativas. O jornal "The Times of Israel" dá conta que a vantagem de Benjamin Netanyahu está a diminuir à medida que avança o apuramento dos resultados.

Sim, Teresa, a esta hora, e convém dar conta que são 18h18, porque depois vai para o podcast e com mais de 55% das urnas apuradas, o atual primeiro-ministro continua na frente, mas sem a maioria parlamentar. Segundo os dados mais recentes publicados pelo jornal, o bloco de Netanyahu consegue eleger, para já, 56 deputados. Está com 43,8% dos votos, fica, portanto, a cinco lugares da tão desejada maioria de 61 deputados necessários para garantir essa governabilidade. Já o bloco da oposição, liderado pelo antigo general Gadi Eizenkot, está neste momento com 39% dos votos, o que equivale a 49 mandatos. O jornal dá conta também que numa fase anterior, Netanyahu chegou a ultrapassar a barreira dos 61 deputados, mas acabou por perder essa maioria à medida que foram conhecidos os novos resultados. O cenário continua, por isso, em aberto. As negociações entre partidos podem ser decisivas para determinar quem vai formar o próximo governo de Israel. O jornal lembra ainda que falta contabilizar uma parte muito significativa dos votos, incluindo os dos militares, que são depois apurados mais tarde.

Estão vistos os destaques da imprensa nacional e internacional, hoje com o jornalista Ricardo Lopes. A conferência de imprensa está de regresso amanhã.

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