Chefe da polícia criminal sérvia detido após legislativas

O chefe da polícia criminal sérvia, acusado pelo movimento estudantil, vencedor das recentes eleições legislativas, de ter recorrido à “brutalidade” durante os protestos contra o poder, foi detido neste domingo no âmbito de uma investigação, indicou fonte judicial.
Numa declaração à imprensa, o procurador-chefe do Ministério Público Superior de Belgrado, Nenad Stefanovic, indicou que a detenção está relacionada com uma investigação a um homicídio ligado ao crime organizado, por suspeita de abuso de funções, anunciou o Ministério Público. “Esta detenção não tem qualquer relação com […] o resultado das eleições legislativas”, afirmou.
A detenção de Marko Kricak, de 42 anos, ocorre uma semana depois das eleições legislativas antecipadas, vencidas por larga margem por uma lista apoiada pelo movimento estudantil, que derrotou o campo do antigo Presidente nacionalista sérvio Aleksandar Vucic, no poder desde 2012.
A sua ascensão na hierarquia policial foi atribuída, nos últimos meses, por alguns meios de comunicação social locais, à sua lealdade a Vucic. Na quinta-feira, a Lista Estudantil exigiu a sua demissão.
No âmbito da operação, a polícia deteve Marko Kricak e Bosko Sekulovic, chefe do Serviço de Combate à Criminalidade, integrado na polícia criminal, adiantou Stefanovic.
“Ambos são suspeitos de terem […] abusado das suas funções e falhado no cumprimento dos deveres profissionais, causando prejuízos e uma grave violação dos direitos do antigo chefe da polícia de Belgrado”, Veselin Milic, afirmou Stefanovic.
Segundo o Ministério Público, os abusos terão sido cometidos no âmbito de uma investigação conduzida pelos dois homens após o homicídio, em maio, de um homem apresentado como membro do submundo do crime local, num restaurante de Belgrado.
Kricak é ainda suspeito de ter “maltratado e agredido” uma pessoa durante essa investigação. Os dois responsáveis foram colocados em detenção preventiva por 48 horas, enquanto aguardam ser ouvidos por um procurador.
Veselin Milic tinha sido detido três dias depois do homicídio, por suspeita de “não denúncia de um crime e do seu autor” e de “prestação de auxílio ao autor de um crime”.
Depois de passar quase dois meses detido, apresentou uma queixa contra Marko Kricak e Bosko Sekulovic, acusando-os de terem fornecido ao Ministério Público provas contra si de forma “seletiva, incompleta e falsa”, segundo a queixa, citada em julho por vários órgãos de comunicação social.
Antes de ser nomeado, no final de 2025, para dirigir a polícia criminal, Kricak ocupou vários cargos nos serviços de informações e no Ministério do Interior.
Durante os protestos, desencadeados pela tragédia de 01 de novembro de 2024 na estação ferroviária de Novi Sad, que causou 16 mortos, dirigia uma unidade responsável pela proteção de personalidades e de instalações sensíveis.
Em agosto de 2025, vários estudantes afirmaram ter sido espancados ou maltratados por membros dessa unidade.
Uma estudante, Nikolina Sindjelic, contou que tinha sido detida e levada para uma garagem do Governo, em Belgrado, juntamente com vários outros manifestantes. Acusou o próprio Marko Kricak de a ter “agredido brutalmente”, assim como um dos seus colegas.
“Insultou-nos, chamou-me cabra e disse-me que me ia violar à frente de toda a gente”, afirmou. Na altura, o Ministério do Interior rejeitou “veementemente” as acusações.
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