‘Rubber Soul’, dos Beatles, ganha edição especial aos 61 anos com sessões inéditas, gravações caseiras e música de Lennon nunca revelada

Relançamento da UMG e da Apple Corps traz novas mixagens em estéreo e Dolby Atmos, assinadas por Giles Martin, e 20 gravações inéditas das sessões do álbum de 1965
Kadu Soares (@kadusoares__)
A UMG e a Apple Corps Ltd. lançam nesta sexta, 2, a edição especial expandida de Rubber Soul (1965), álbum que os próprios Beatles apontam como o momento em que a banda mudou de rumo. Gravado em apenas quatro semanas, entre outubro e novembro de 1965, o disco soa, seis décadas depois, como o ponto em que John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr deixaram de ser apenas uma banda de sucesso e se tornaram algo diferente — mais difícil de categorizar e de imitar. A nova edição traz mixagens em estéreo e Dolby Atmos feitas pelo produtor Giles Martin e pelo engenheiro Sam Okell e está disponível em caixas especiais, LP, CD e Blu-ray. A nova mixagem foi produzida a partir das fitas-matriz de quatro canais, com o apoio da tecnologia de áudio desenvolvida pela equipe do cineasta Peter Jackson. A edição está a venda no site da UMG.
O material inédito é o grande destaque do relançamento. As edições Super Deluxe reúnem 24 gravações das primeiras sessões de Rubber Soul, incluindo 20 gravações nunca lançadas e três demonstrações caseiras. Entre os destaques está “Little Girl”, um esboço de composição de John Lennon que nunca havia sido divulgado nem mencionado em rumores, uma gravação que permaneceu arquivada por mais de seis décadas. O pacote também inclui versões iniciais de “Day Tripper” e “We Can Work It Out”, o single com dois lados A lançado em dezembro de 1965. Uma das gravações inéditas, “I’m Looking Through You (Second Version – Take 3)”, permite acompanhar a evolução do andamento e do arranjo da faixa ao longo de três sessões. Gravada em 6 de novembro, a versão incluída nesta edição ainda contém duas seções instrumentais de 12 compassos, substituídas por um refrão por McCartney na versão final.
Os próprios integrantes ajudam a explicar a importância do álbum na trajetória da banda. John Lennon descreveu Rubber Soul como “o primeiro álbum em que assumimos o controle completamente”. Paul McCartney lembrou que “foi um disco muito empolgante de se fazer” e o chamou de “um grande avanço em relação ao que havia sido feito antes”. George Harrison foi além: “Era meu álbum favorito, mesmo naquela época. Acho que foi o melhor que fizemos.” Ringo Starr o definiu como “o disco da mudança”, quando a banda se abriu “para muitas atitudes diferentes, muita experimentação”. As edições Super Deluxe, em quatro CDs e cinco LPs, vêm acompanhadas de um livro de capa dura com 88 páginas, introdução de McCartney e prefácio composto por declarações de Lennon ao longo da vida.
A influência de Rubber Soul sobre músicos das gerações seguintes é amplamente reconhecida. Brian Wilson disse que foi o primeiro álbum que ouviu em que todas as músicas “se encaixavam como em nenhum álbum feito antes” — e que o disco o inspirou a criar Pet Sounds (1966), dos Beach Boys. Kurt Cobain chamou essa fase dos Beatles de sua “época favorita” do grupo. Joni Mitchell afirmou que Rubber Soul era “o álbum dos Beatles que eu ouvia sem parar”. Mais recentemente, Harry Styles e Phoebe Bridgers também citaram o disco como referência.
O lançamento segue a linha dos relançamentos anteriores da discografia dos Beatles conduzidos por Giles Martin, filho do produtor original George Martin, que remixou Revolver (1966) em 2022. A série de lançamentos continua ativa em outras frentes: em 2027, o número 3 da Savile Row, endereço do célebre show no terraço de 1969, será transformado no primeiro espaço oficial dos Beatles dedicado a experiências para fãs. Em 2028, estreiam quatro filmes biográficos sobre os integrantes da banda, dirigidos por Sam Mendes e estrelados por Harris Dickinson (Lennon), Paul Mescal (McCartney), Barry Keoghan (Starr) e Joseph Quinn (Harrison). Será a primeira vez que a Apple Corps autoriza o uso integral das histórias de vida dos músicos e do catálogo completo em uma produção de ficção.
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Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.
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