Luta pelo poder no STF deixa sociedade sem resposta e prejudica campanha de Lula
"Eles conseguem transformar o debate numa discussão procedimental. Os leigos não conseguem acessar. Você fica assistindo e se sentindo um idiota. É uma disputa de poder, fundamentalmente. Um espetáculo de horrores e feito propositadamente, para confundir. O tribunal não tem o menor objetivo de tranquilizar a sociedade nem de investigar", afirmou à RFI o cientista político Leonardo Barreto.
A autodeclaração de impedimento de Nunes Marques, sob justificativa de que estando à frente do TSE precisa se ater às eleições, mas que veio após divulgação de mensagens do celular de Vorcaro sugerindo pagamento ao filho do magistrado ? que é advogado ? além de falas e movimentação de ministros, apontam que outras autoridades podem aparecer no material do Banco Master.
Mas ao menos até aqui o resultado político da paralisia do Supremo é muito negativo para o presidente Lula, que não está implicado no escândalo, ao contrário de Flávio Bolsonaro, que pediu dinheiro ao banqueiro. Porém a imagem que o eleitor tem de uma ligação entre o governo petista e Alexandre de Moraes, relator dos atos golpistas e da condenação de Jair Bolsonaro, tem peso relevante, especialmente porque a crise institucional da corte acontece às vésperas da eleição.
"Nessa estratégia de sobrevivência de uma parte do Supremo, existe uma escolha. E essa escolha é claramente por sacrificar a campanha do presidente Lula", ressalta Barreto.
Segundo o cientista político, o governo não encontra espaço para reagir porque o escândalo desvia a atenção da campanha. "Você vê piorando as avaliações de ótimo e bom, a aprovação do governo caindo, e o governo não consegue defender o seu legado. Esse é o primeiro governo na história cuja avaliação não melhora durante a campanha. E, em grande medida, porque as pessoas estão hipnotizadas por esse processo", reitera.
Vazamentos e atuação seletiva
Durante a sessão, o juiz Gilmar Mendes acusou o relator do processo, André Mendonça, de atuação eleitoral, com vazamento de informações seletivas e em momentos simbólicos com o 7 de setembro.
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