Zelensky ameaça Rússia caso não aceite trégua energética

A Ucrânia vai responder se a Rússia não aceitar uma trégua energética este inverno, ameaçou esta segunda-feira o Presidente ucraniano, após o anúncio inesperado feito pelos Estados Unidos de um “cessar-fogo” envolvendo infraestruturas energéticas entre Kiev e Moscovo.
“Este inverno, se a Rússia não aceitar um cessar-fogo energético, nós responderemos”, afirmou Volodymyr Zelensky durante um discurso por videoconferência num fórum de segurança em Varsóvia.
“Se a Rússia quer que paremos com os nossos ataques de longo alcance contra as suas refinarias e exportações de petróleo, então deve cessar os ataques contra o nosso sistema energético e as nossas infraestruturas críticas. E parar de matar o nosso povo”, acrescentou o chefe de Estado ucraniano.
Zelensky sublinhou ainda que, durante a noite de domingo para esta segunda-feira, a Ucrânia não atingiu nenhuma instalação energética na Rússia, ao contrário de Moscovo, que atacou uma instalação de gás e “um posto de abastecimento de combustível comum”.
“Houve violações russas do cessar-fogo energético anunciado pelo Presidente Trump”, indicou o Presidente ucraniano, referindo que esta manhã, “drones a jato russos” continuavam “a sobrevoar o céu de Kiev e de outras cidades ucranianas”.
Desde o verão, a Rússia intensificou significativamente os seus ataques contra a Ucrânia, visando especialmente a capital com o lançamento de drones a jato, que são mais difíceis de intercetar do que os drones convencionais.
O Presidente ucraniano pediu ainda aos Estados Unidos que mantenham a “pressão” sobre a Rússia, em vez de fazerem concessões.
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“Precisamos da pressão norte-americana sobre a Rússia — não de um alívio das sanções, nem de concessões, mas de uma pressão real —, para que possamos obter pelo menos aquilo de que o Presidente norte-americano falou na sua mensagem (…)”, insistiu, referindo-se ao “cessar-fogo energético” anunciado por Donald Trump.
Donald Trump tinha anunciado, na sexta-feira, que negociou o fornecimento de quantidades massivas de gasóleo russo aos mercados norte-americano e global, suspendendo, para isso, sanções sobre Moscovo.
Face à escalada dos preços dos combustíveis nos Estados Unidos desde o início da guerra contra o Irão — desencadeada em fevereiro por Donald Trump e Israel —, este acordo é visto como uma forma de aliviar parcialmente a situação dos consumidores norte-americanos, precisamente antes de eleições legislativas cruciais e difíceis para o multimilionário norte-americano.
Para surpresa geral, Donald Trump anunciou, no domingo, um “cessar-fogo energético” entre a Rússia e a Ucrânia.
“Um cessar-fogo energético e outras medidas para reduzir a escalada e garantir a segurança são realmente necessários aqui, na realidade, e não apenas na Truth Social”, a rede social de Donald Trump, declarou esta segunda-feira Volodymyr Zelensky.
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