Justiça absolve William Correia, apontado como 'justiceiro de Copacabana', em processo de assédio sexual

De acordo com a denúncia do Ministério Público de São Paulo, William fez comentários de cunho inadequado sobre a adolescente, mandou mensagens em rede social a convidando para entrar em seu quarto de hotel e chegou a entrar no local em que a vítima estava com uma colega, também menor de idade.
William negou as acusações (veja a nota mais abaixo). À Justiça, afirmou que nunca ficou sozinho com a adolescente e que não fez comentários de cunho sexual ou teve contato físico com ela.
Na sentença, a juíza afirmou que a palavra da vítima tem "extrema relevância" em crimes sexuais, mas que deve ser analisada em conjunto com as demais provas. Segundo a decisão, as versões apresentadas eram contraditórias e as mensagens anexadas ao processo não comprovariam a prática de assédio sexual.
A magistrada também afirmou que não identificou nas conversas "comportamento insistente, agressivo ou intimidativo" por parte do acusado nem tentativa de encontro a sós com a adolescente.
A sentença apontou ainda que William não era professor ou técnico da vítima, mas atuava como coordenador político da competição. Dessa forma, ele foi absolvido. O Ministério Público de São Paulo disse que irá recorrer da decisão.
Em 2021, William atuava como representante da Secretaria Estadual de Esporte, Lazer e Juventude do Estado do Rio de Janeiro (SEEL/RJ), acompanhando a delegação do Rio que participou de uma competição escolar em São Paulo.
William foi exonerado do cargo que ocupava no governo do RJ em 2020. Mesmo assim, participou do evento em São Paulo no ano seguinte, onde a jovem relatou que tudo aconteceu. Um termo de colaboração firmado entre a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (SEEL/RJ) e a Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (ANDEF), permitiu a inclusão de Willian na comitiva oficial como integrante da equipe de apoio mesmo sem ele ser um funcionário do governo.
Os documentos em que o nome dele aparece como staff do evento foram entregues pela Andef à Justiça de São Paulo durante o processo.

Agora no g1
O caso foi inicialmente registrado em uma Delegacia de Atendimento à Mulher no Rio de Janeiro. Em depoimento, a escuta especializada entendeu que não havia sinais de assédio sexual. Porém, pelo crime ter acontecido em São Paulo, a investigação foi transferida para uma delegacia da capital paulista.
A Polícia Civil paulista indiciou William Correia por assédio sexual de forma continuada, após tentar duas vezes, sem sucesso, citá-lo formalmente sobre sua condição de investigado. A denúncia do Ministério Público foi aceita pela Justiça em maio de 2026.
Réu nega crime
A defesa de William enviou um posicionamento à imprensa sobre a decisão no caso de assédio. Leia:
"William Correia recebeu com serenidade a decisão da Justiça de São Paulo que julgou improcedente a ação penal e o absolveu da acusação.
A sentença foi proferida após a instrução do processo, resposta à acusação, outiva dos envolvidos, sustentação oral da defesa, com a análise dos depoimentos, das mensagens juntadas aos autos e dos demais elementos de prova. Embora tenha reconhecido a importância do relato apresentado pela jovem, o Juízo concluiu que o conjunto probatório produzido não demonstrou a prática do crime imputado a William.
A decisão consignou, entre outros fundamentos, que as mensagens analisadas não evidenciaram investida de natureza sexual, comportamento insistente, agressivo ou intimidatório, tampouco elementos capazes de demonstrar a finalidade sexual exigida para a configuração do delito. Ao final, o Juízo considerou a absolvição medida de rigor.
William agradece a todos que, desde o início, lhe prestaram solidariedade e, sobretudo, buscaram conhecer os fatos com responsabilidade, respeitando o devido processo legal e evitando conclusões antecipadas.
William ressalta, ainda, que lamenta que informações e conteúdos relacionados ao processo tenham sido divulgados publicamente enquanto a controvérsia estava submetida ao Poder Judiciário, especialmente diante da repercussão que acusações dessa natureza podem produzir na vida pessoal, profissional e pública de qualquer pessoa."
Investigações sobre 'justiceiros'
No centro da foto, William Correia, que é apontado pelo MP como fundador e líder do grupo “Anjos da Guarda Vigilância Comunitária” (AGVC). — Foto: Reprodução redes sociais
Segundo o MP, o coletivo organizava ações de perseguição, exposição e violência contra adolescentes apontados como autores de roubos e furtos na Zona Sul, utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para convocar “caçadas” em vias públicas, divulgar imagens de adolescentes e organizar “rondas” informais em bairros como Copacabana e Ipanema.
Pelo menos duas investigações contra ele estão em andamento em delegacias especializadas no Rio.
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