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Wednesday, September 30, 2026

Saúde financeira: um cuidado que vai além do bolso

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Dinheiro faz parte de praticamente todas as decisões da vida cotidiana, mas quando as finanças estão desorganizadas a preocupação pode ultrapassar o orçamento e afetar também o bem-estar emocional. Estresse, dificuldade de concentração, insegurança e conflitos familiares estão entre as consequências que podem acompanhar uma vida financeira desequilibrada. Dados do Banco Central mostram que 49,1% dos brasileiros afirmam que preocupações financeiras são motivo de estresse em casa, enquanto 45,5% dizem que essas preocupações prejudicam a saúde.

A relação entre saúde financeira e saúde mental pode funcionar como um ciclo. A dificuldade para pagar contas ou lidar com dívidas aumenta a preocupação e pode provocar estresse, aumentando a dificuldade para tomar decisões com calma, organizar o orçamento e estabelecer prioridades, fazendo com que o problema financeiro se prolongue. Isso não significa que todo problema financeiro resulte necessariamente em um transtorno de saúde mental. Mas a preocupação constante com dinheiro pode comprometer a qualidade de vida e as relações pessoais. Por isso, cuidar das finanças também pode ser uma forma de ampliar a sensação de segurança e de controle sobre a própria vida.

“Quando não existe um controle das receitas e despesas, a sensação de incerteza aumenta, trazendo insegurança e impactando decisões do dia a dia, a qualidade do sono e até a convivência familiar. O planejamento financeiro ajuda a dar mais previsibilidade para a vida. Com ele, é possível entender para onde o dinheiro está indo, definir prioridades e se preparar para imprevistos. Você pode utilizar a forma que mais se sinta confortável, como uma planilha ou um caderno aplicativo, o importante é anotar e acompanhar. A partir desse diagnóstico, fica mais fácil tomar decisões conscientes”, explica Leticia Pires, assessora de Cooperativismo e Sustentabilidade do Sicredi.

O orçamento pessoal é uma ferramenta que permite visualizar quanto se ganha, quanto se gasta e com que o dinheiro é utilizado e, a partir disso, estabelecer prioridades, separar despesas essenciais das que podem ser adiadas, não assumir compromissos que não cabem no orçamento, renegociar dívidas quando necessário e estabelecer metas possíveis.

“Conhecer a própria realidade financeira é fundamental para fazer escolhas alinhadas aos objetivos de vida. Quando a pessoa sabe exatamente sua situação financeira, consegue se planejar melhor, evitar endividamentos desnecessários e construir uma relação mais equilibrada com o dinheiro. Compartilhar o problema com a família também pode ajudar a chegar a uma solução. A partir de uma conversa aberta e respeitosa sobre orçamento, desafios e objetivos, todos passam a compreender melhor a situação e podem contribuir para encontrar soluções em conjunto, reduzindo conflitos e fortalecendo o planejamento familiar”, afirma a assessora.

Uma ferramenta que pode auxiliar nesse processo é o Índice de Saúde Financeira do Brasileiro (I-SFB), que funciona como um diagnóstico da relação da pessoa com o dinheiro e permite acompanhar a evolução da saúde financeira ao longo do tempo. Entre os temas avaliados estão comportamento e habilidade financeira, segurança e liberdade financeira e a proposta do índice é ajudar a pessoa a identificar vulnerabilidades e perceber quais aspectos precisam ser aprimorados.

“O ISFB é uma ferramenta que permite avaliar a saúde financeira das pessoas de forma simples e prática. Por meio de perguntas sobre comportamento e hábitos financeiros, o índice gera um resultado que ajuda a identificar pontos fortes e oportunidades de melhoria. É um importante instrumento de autoconhecimento, que auxilia na tomada de decisões mais conscientes e no desenvolvimento de hábitos financeiros saudáveis. O diagnóstico pode ser feito gratuitamente e o Sicredi disponibiliza em sua plataforma de educação financeira conteúdos relacionados ao ISFB e outras iniciativas para apoiar as pessoas na construção de uma relação mais consciente e sustentável com o dinheiro”, conclui Leticia.

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