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Friday, October 30, 2026

Nem todos os ecrãs são iguais: o que devem ver as crianças?

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Nos centros de saúde CUF, encontra tudo o que precisa para cuidar da sua saúde bem perto de si. A sua equipa de família, com médico de família e enfermeiro, além de medicina dentária, análises clínicas e muito mais. Quem tem CUF à porta, tem tudo.

Este é o Tratado da Saúde da Rádio Observador. Comigo já está o doutor João Marcos Santos, médico de família da CUF. Fala, doutor, bom dia.

Olá, bom dia, Marijó.

Hoje vamos abordar um tema que deixa quase todos os pais com dúvidas: o tempo de ecrã nas crianças. Vemos cada vez mais bebês e miúdos pequenos de volta dos telemóveis e tablets. Afinal, os ecrãs são todos maus ou depende do que estão a ver?

Sim, é uma dúvida cada vez mais recorrente e a verdade é que a evidência mostra-nos que o tipo de conteúdo e a forma como vemos é muito mais importante do que o tempo, até porque nem todo o tempo de ecrã é igual. Há dois aspectos aqui a ter em consideração. Primeiro, a escolha do conteúdo, que deve ser educativo e adequado à idade, como é óbvio. E mais importante, a criança deve estar sempre acompanhada por um adulto, conversando sobre o que está a acontecer e interagindo. Isto vai fazer até com que tenha um pequeno impacto positivo no desenvolvimento da linguagem e do cérebro da criança.

Ou seja, aqui o problema não é só o ecrã em si, é a criança estar a ver programas sozinha e sem critério.

Exatamente. O que a evidência nos mostra é que devemos evitar os conteúdos não educativos, os desenhos animados muito rápidos ou aqueles muito frenéticos, a chamada televisão de fundo, aquela que está ligada ali na sala e que ninguém está a prestar muita atenção ou que a criança está ali muito vidrada sozinha a ver. Isto vai, sim, estar associado a um déficit de atenção, atrasos na linguagem e do desenvolvimento motor. Isto não deve funcionar como um babysitter. Não é algo passivo em que a criança está ali só à espera que o tempo passe a ver televisão. Deve ser algo que é partilhado.

E em termos de tempo, doutor João, quais são os limites recomendados por idades? Porque em Portugal os mais pequenos passam bastante tempo à frente das telas.

Sim, isso é uma grande questão. Em Portugal, a maioria das crianças entre os três e os 10 anos excede muito o tempo recomendado de tempo de ecrã e passa entre duas a três horas por dia junto a um ecrã, o que é um bocadinho demais. As recomendações são muito claras. Crianças com menos de dois anos, há zero tempo de ecrã. A única exceção aceitável, e mesmo assim há algumas dúvidas, são as videochamadas com a família, com alguns familiares que estão mais distantes. Entre os dois e os cinco anos, no máximo uma hora por dia, o que também não é assim tanto, é muito pouco, e com conteúdo de qualidade e sempre acompanhados por um adulto. A partir dos seis e na adolescência, o limite já pode passar para as duas horas por dia, garantindo que isto não vai roubar tempo nem ao sono, nem aos 60 minutos diários de atividade física que são recomendados.

Vamos aqui a uma pergunta muito prática: e aquela tentação dos pais de dar o telemóvel à mesa para a criança comer a sopa toda. Funciona no momento, mas faz mal?

Sim, isto é perfeitamente compreensível e há uma grande tentação por parte dos pais. No entanto, a recomendação médica é perentória. Ecrãs às refeições são para evitar totalmente. É verdade que o telemóvel vai distrair a criança, isto até pode fazer com que ela coma naquele momento, mas a médio e longo prazo há consequências, nomeadamente há piores hábitos alimentares associados a esta questão, muito comum o aumento do consumo de doces, refrigerantes e as "esquisitices" a comer. E há estudos que mostram que o ecrã à mesa vai estar associado substancialmente a um aumento da obesidade infantil. A refeição é um momento de conversa e de contacto familiar, e isso deve ser privilegiado.

E que outros hábitos ou locais da casa devíamos libertar dos ecrãs?

Sem dúvida, os quartos. É um local onde não deve haver ecrã e ter televisão ou telemóvel no quarto vai prejudicar a qualidade e a quantidade do sono e vai afetar depois o comportamento e a atenção da criança na escola.

Para terminarmos, doutor João, qual é a grande recomendação que os pais devem fixar hoje?

Muito resumidamente, priorizar a qualidade do conteúdo e a companhia. Adiar o início da exposição o mais possível, escolher programas educativos e conversar sobre o que se está a ver. Manter a mesa de refeições liberta e quartos sem ecrã absolutamente nenhum. Por exemplo, uma atividade engraçada que pode substituir o ecrã é ouvir música. Em conjunto, aproveitando para cantar e dançar com a criança. E se queremos mesmo deixar o ecrã de parte, vamos, por exemplo, recuperar o leitor de vinil, que é algo que é muito visual e educativo, as crianças adoram e é um momento em família muito bem passado.

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