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Wednesday, September 23, 2026

Morre Rose Monteiro, referência da dança, educação e cultura no Pará

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Morreu na segunda-feira (21) a professora, bailarina e produtora cultural Rose Monteiro, um dos nomes mais expressivos da dança no Pará. O sepultamento está marcado para esta quarta-feira (23), no Cemitério Santa Izabel, no bairro do Guamá, em Belém. A causa da morte não foi divulgada.

Natural da capital paraense, Rose adotou o município de Tucuruí, no sudeste do estado, como lar nos últimos 27 anos.

Ao longo de sua carreira, ela uniu a sensibilidade artística à pesquisa acadêmica, transformando a dança em uma ferramenta de inclusão social, educação e desenvolvimento regional.

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Trajetória entre os palcos e a academia

A atuação de Rose Monteiro se destacou pela capacidade de transitar com excelência entre a prática artística e o ambiente universitário. Ela era mestra em Ciência da Motricidade Humana, especialista em Pedagogia do Movimento Humano e graduada (licenciatura e bacharelado) em Educação Física pela Universidade do Estado do Pará (UEPA).

Na instituição, Rose atuou como professora assistente nos cursos de Enfermagem e Educação Física, além de se dedicar à pesquisa científica sobre o movimento humano.

O reconhecimento de seu trabalho ultrapassou as fronteiras do estado, garantindo-lhe uma cadeira no prestigiado Conselho Internacional de Dança (CID), órgão vinculado à Unesco.

Fomento à cultura e gestão pública

A contribuição de Rose para a cultura paraense ganhou força com a criação de projetos que descentralizaram o acesso à arte. Ela foi a mente por trás de importantes iniciativas em Tucuruí, tais como:

  • Tucuruí em Dança: festival de grande impacto regional que teve 10 edições realizadas entre 2007 e 2016;
  • Studio de Dança Rose Monteiro (direção artística);
  • MultiCorpo Cia de Dança (idealização e direção);
  • Tucuruí Cia Municipal de Dança e Cia Parafolclórica Municipal de Tucuruí (idealizadora).

A liderança dela também se estendeu à gestão pública, onde ocupou por duas vezes o cargo de Diretora Executiva de Cultura de Tucuruí, formulando políticas públicas para o setor.

Arte e inclusão social

Um dos pilares do trabalho de Rose Monteiro foi a democratização da dança. Ela desenvolveu oficinas pedagógicas focadas na introdução do balé clássico em escolas públicas e no uso da dança contemporânea como metodologia de ensino.

Rose também foi pioneira em promover a dança para pessoas com deficiência (PcD). Ela levou essa metodologia inclusiva para eventos como o Dança Carajás Festival, em Parauapebas, e publicou artigos científicos que discutiam a acessibilidade e a presença de corpos diversos na cena artística contemporânea.

Histórico nos palcos

Como intérprete e coreógrafa, Rose iniciou sua trajetória artística de destaque em 1996, participando do espetáculo "A Cruz e a Moça", com a Cia de Arte Farrabamba.

Nos anos seguintes, assinou a direção, coreografia e produção de dezenas de espetáculos marcantes no estado, como "Ligações Perigosas", "Tribos", "Minha Terra", "As Quatro Estações", "Sábias" e "Plural".

Rose Monteiro deixa um legado que conecta arte, educação e transformação social, tendo aberto caminhos para que novas gerações de artistas e pesquisadores pudessem ocupar os palcos e as salas de aula do Pará.

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