A história de quem fotografou o 11 de setembro por acaso

Para Richard Drew, a manhã de 11 de setembro de 2001 começou a cerca de 6 quilómetros do World Trade Center, onde iria fotografar um desfile de moda para grávidas. Já se tinha instalado perto da passerelle quando um operador de câmara ao seu lado levou o dedo ao auricular e repetiu em voz alta o que a redação lhe estava a dizer: “Um avião foi contra o World Trade Center”. Passados poucos instantes, o telemóvel de Drew também tocou. Era o seu editor: “Esquece o desfile de moda. Tens de ir para lá.”
Richard correu para Times Square para apanhar o metro para a Chambers Street, uma paragem antes do World Trade Center. Quando saiu, o segundo avião já tinha colidido com a Torre Sul. Ambos os edifícios estavam em chamas e as ruas estavam um caos. Perante o cenário que encontrou, confessa em entrevista à CBS, teve de fingir que não estava a viver aquilo para continuar a trabalhar: “Eu só precisei de fingir que não estava lá. Tu fazes apenas o que tens a fazer“.
O som das sirenes era interrompido por gritos, num momento em que as pessoas começavam a cair das Torres Gémeas. Quando se apercebeu do que estava a acontecer, escolheu usar a lente zoom para fotografar uma das cerca de 100 a 200 pessoas que terão saltado das Torres Gémeas.
A foto ficou conhecida como “The Falling Man” — a escolhida de uma sequência de nove fotos da mesma pessoa a cair. “Bastava uma fração de segundo para que não tivesse a simetria que tem”, admite.
“Eu não tirei a fotografia. Foi a câmara que tirou a fotografia do homem a cair. Quando estas pessoas estavam a cair, eu colocava o dedo no disparador da câmara, levantava-a, fotografava e acompanhava-as enquanto desciam. A câmara abria e fechava o obturador e tirava as fotografias à medida que elas caíam. […] Na realidade, só vi essa fotografia quando voltei ao escritório e comecei a ver as imagens no meu computador portátil. Não a tinha visto”, conta na mesma entrevista à CBS Richard Drew.
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