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Saturday, September 12, 2026

De campeão do mundo a sócio na Toscana: a trajetória italiana de Claudio Taffarel

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Mais de três décadas depois de chegar à Itália para jogar futebol, Claudio Taffarel acaba de dar um novo passo em uma relação com o país que nunca terminou quando ele deixou os gramados. O campeão mundial de 1994 passou a integrar a sociedade da Riecine, histórica propriedade de Gaiole in Chianti, no coração do Chianti Classico.

A participação é o capítulo mais recente de uma história que começou no futebol, passou pela mesa, virou um negócio familiar de importação no Brasil e agora fecha um curioso círculo com a entrada da família na sociedade de um produtor italiano.

Taffarel chegou ao Parma em 1990, em uma época em que o futebol italiano reunia alguns dos maiores jogadores do mundo. Depois passou pela Reggiana e, após jogar no Atlético Mineiro e no Galatasaray, voltou ao Parma em 2001 para encerrar a carreira. Foram anos suficientes para que a Itália deixasse de ser apenas o país onde trabalhava. Ao longo desse período, a família criou relações com produtores, conheceu diferentes regiões e passou a acompanhar de perto uma cultura que, anos depois, se transformaria também em negócio.

A criação da Italy Import

Foi dessa proximidade que nasceu a Italy Import, empresa familiar conduzida por Andrea Taffarel, esposa de Claudio, e pelo filho Claudio Andre. A proposta desde o início seguiu um caminho diferente daquele normalmente associado à entrada de uma nova importadora no mercado brasileiro. Em vez de construir o portfólio principalmente em torno de grandes marcas internacionais, a família apostou nas relações desenvolvidas na Itália e em produtores independentes que conhecia de perto.

Nomes como Poggio di Sotto, Petra, Principiano e Marengo passaram a fazer parte desse trabalho. Mais do que montar um catálogo, havia ali uma tentativa de trazer para o Brasil uma parte daquela Itália que a família havia conhecido durante os anos de Taffarel no país. Pequenas propriedades, negócios familiares e produtores cuja reputação muitas vezes era muito maior entre conhecedores e dentro de suas próprias regiões do que junto ao consumidor brasileiro.

Essa escolha também significava enfrentar um mercado particularmente difícil. Importar para o Brasil envolve câmbio, impostos, logística, armazenamento e uma cadeia comercial longa. Para empresas menores, há ainda outro desafio: construir reconhecimento para nomes que não chegam ao país apoiados por grandes estruturas internacionais de marketing. É um negócio no qual escolher bem o que representar é apenas o começo. Depois é preciso explicar quem está por trás de cada empresa, criar mercado e construir relações que sobrevivam às oscilações econômicas brasileiras.

Foi justamente uma dessas relações que acabou evoluindo para algo maior.

A parceria e sociedade na Riecine

A Riecine está em Gaiole in Chianti e nasceu em 1971, quando o inglês John Dunkley e sua mulher, Palmina Abbagnano, compraram cerca de 1,5 hectare de terra próximo ao mosteiro de Badia a Coltibuono. A primeira safra comercial veio em 1973. Ao longo das décadas seguintes, a propriedade cresceu sem abandonar uma identidade muito ligada ao território e se estabeleceu como um dos nomes reconhecidos de sua região.

A ligação com os Taffarel começou muito depois. Há alguns anos, a Italy Import passou a trabalhar com a Riecine no Brasil. O que inicialmente era uma relação entre produtor e importador foi ganhando outra dimensão. Segundo o comunicado divulgado pela empresa italiana, a parceria comercial se transformou em amizade e em uma relação de confiança entre as famílias.
Agora, Claudio Taffarel passa oficialmente a integrar a composição societária da Riecine com uma participação na empresa. O tamanho da fatia não foi divulgado.

Alessandro Campatelli, proprietário e diretor da Riecine, definiu a entrada do brasileiro como a consequência de um percurso profissional e pessoal construído ao longo dos anos. No comunicado, ele destaca especialmente o trabalho desenvolvido por Andrea Taffarel e pela Italy Import no Brasil e afirma que a decisão de transformar a parceria comercial em sociedade surgiu da confiança e de uma visão comum para o futuro da empresa.

Existe uma coincidência interessante nessa história. Taffarel chegou à Itália em 1990 como um dos primeiros grandes jogadores brasileiros daquela geração a atuar no país. Trinta e seis anos depois, não está apenas ligado à Itália pelas memórias do futebol. Sua família construiu uma empresa a partir das relações feitas por lá e agora passa a ocupar o outro lado da mesa como sócia de uma companhia italiana.

Talvez seja justamente aí que a história fique mais interessante.

Quando pensamos no legado de um atleta, normalmente contamos títulos, partidas e momentos que permaneceram na memória do torcedor. Taffarel tem todos eles. Foi campeão mundial em 1994, disputou três Copas do Mundo e virou personagem de uma das defesas mais lembradas da história da seleção brasileira. Mas carreiras longas também deixam legados menos visíveis. Pessoas conhecidas, lugares frequentados, amizades construídas e interesses que continuam existindo muito depois do último jogo.

No caso de Taffarel, parte desse legado estava na Itália.

Primeiro, ela foi campo de futebol. Depois virou parte da vida da família. Mais tarde, transformou-se em negócio. Agora, pela primeira vez, a família Taffarel passa também a fazer parte da sociedade de uma empresa italiana.

É uma história que começou com um brasileiro indo trabalhar na Itália e que, mais de três décadas depois, ganha um novo capítulo no sentido contrário: uma família brasileira investindo justamente nas relações que construiu por lá.

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