Empresa que cria softwares para advogados compra startup de IA e mira R$ 100 milhões
A ADVBOX acaba de adquirir os ativos da LawX, legaltech especializada em inteligência artificial para a produção de documentos jurídicos, por cerca de R$ 1 milhão. O movimento faz parte da estratégia da empresa para ampliar seu portfólio de soluções com IA e acelerar o crescimento nos próximos anos.
A empresa, que desenvolve softwares de gestão para escritórios de advocacia, encerrou 2025 com receita operacional de R$ 39 milhões. Para 2026, a projeção é alcançar R$ 58 milhões. Com a incorporação da tecnologia e de parte da equipe da LawX, a companhia espera impulsionar as vendas de sua nova plataforma de inteligência artificial a partir de 2027, quando planeja superar R$ 100 milhões.
O crescimento da ADVBOX em 2026 é impulsionado pela expansão da própria plataforma, pelo fortalecimento da marca e pela oferta de novas soluções com inteligência artificial. Segundo Koetz, a estratégia tem contribuído tanto para ampliar a participação da empresa no mercado quanto para elevar o tíquete médio dos clientes. A companhia também vem conquistando escritórios de advocacia de maior porte. A aquisição da LawX, por sua vez, deve ter impacto mais expressivo no faturamento a partir de 2027.
A aquisição busca preencher uma lacuna no portfólio da ADVBOX: a automação da produção jurídica, que inclui tarefas como elaboração e revisão de petições. Até então, a empresa concentrava sua atuação em ferramentas de gestão, produtividade e finanças dos escritórios. A expectativa é que o novo produto também atraia advogados que ainda não utilizam a plataforma principal.
Qual a história da ADVBOX
A origem da ADVBOX está em uma dificuldade enfrentada pelo fundador Eduardo Koetz. Advogado desde 2008, ele procurou um software para organizar seu escritório entre 2010 e 2013. Testou 22 sistemas, mas não encontrou uma solução que atendesse às necessidades da operação.
A alternativa foi desenvolver uma plataforma com Murilo Machado, seu sócio e cofundador. A ferramenta nasceu para integrar processos, tarefas, produtividade e finanças, áreas que, segundo Koetz, costumavam funcionar de maneira separada nos sistemas disponíveis na época.
Um dos diferenciais foi o chamado task score, sistema de pontuação de tarefas que atribui pesos às atividades realizadas pela equipe conforme o tempo previsto e a complexidade de cada trabalho. A proposta era medir a produtividade sem depender apenas das horas registradas pelos funcionários.
A metodologia também ajudou a estruturar uma frente educacional, com cursos de gestão voltados a advogados. Segundo Koetz, a combinação entre software e orientação para administrar os escritórios contribuiu para a expansão da base de clientes.
Agora, acontece a aquisição da LawX, que foi motivada por uma lacuna no portfólio da ADVBOX. Segundo Koetz, a empresa já oferecia ferramentas para seis das sete áreas de gestão e marketing que considera necessárias para administrar um escritório. Faltava ampliar a cobertura da produção jurídica, ou seja, do trabalho diretamente ligado à elaboração e à entrega de serviços jurídicos.
A companhia já desenvolvia internamente parte dessa solução, mas não tinha programadores suficientes para acelerar o projeto. Com a compra dos ativos da LawX, incorporou tecnologia, propriedade intelectual, marca, clientes e parte da equipe de desenvolvimento, principalmente profissionais de programação.
A operação permitiu reunir os times e antecipar o lançamento de uma ferramenta voltada à gestão da produção jurídica. O produto reúne 20 agentes de inteligência artificial especializados em diferentes áreas do Direito.
“Criamos uma base de dados própria, que atualizamos diretamente, para que nossa IA seja muito superior a ferramentas como Claude e GPT na área jurídica”, diz.
A estratégia também envolve aproveitar a base de clientes existente. A ADVBOX começou a oferecer a solução aos próprios usuários, com o objetivo de receber avaliações e aprimorar o produto antes de ampliar as vendas para advogados que ainda não utilizam sua plataforma principal.
A LawX pode funcionar como uma porta de entrada para novos clientes. A elaboração de petições é uma demanda recorrente dos advogados e permite que a companhia ofereça uma ferramenta específica antes de tentar vender todo o sistema de gestão.
A expansão da automação também depende da disposição dos advogados para mudar hábitos. Para Koetz, esse continua sendo o principal obstáculo à adoção de tecnologia no setor.
“Nosso maior desafio, desde o início, é fazer com que os advogados adotem as soluções tecnológicas e se dediquem a aprender a usar essas ferramentas profissionalmente, com o mesmo empenho que dedicam a plataformas como Instagram e WhatsApp”, afirma Koetz.
Quais os próximos planos
A empresa estuda levar a solução de inteligência artificial para outros países, possivelmente a partir de 2027. Portugal e outros mercados da América Latina estão entre as possibilidades mencionadas por Koetz.
A expansão, contudo, exige mais do que traduzir a interface. Os agentes precisam operar com legislação, procedimentos e fontes de dados específicas de cada país. As regras de acesso a informações processuais também variam entre jurisdições, o que pode exigir novas bases de dados e adaptações tecnológicas.
No Brasil, a companhia também tenta ampliar seu ecossistema por meio do INCOL, Encontro da Inteligência Coletiva, evento que reúne profissionais de Direito e tecnologia.A proposta é estimular desenvolvedores e clientes a criar ferramentas que se conectem à plataforma por meio de APIs, interfaces que permitem a comunicação entre sistemas.
“Em um mercado que evolui tão rapidamente quanto o de inteligência artificial, velocidade de execução é um diferencial competitivo e nos permite antecipar a entrega de novas soluções aos nossos clientes", diz Koetz.
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