Campanha de Flávio entrou no clima de 'já ganhou' e precisa voltar às ruas, diz analista
RESUMO +
Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) passaram a agir em um clima de "já ganhou" após o senador terminar o primeiro turno à frente de Lula (PT), segundo o analista político Creomar de Souza. Em entrevista à EXAME, o especialista afirmou que a equipe adotou uma postura mais defensiva e antecipou discussões sobre cargos em um eventual governo. Com a disputa do segundo turno marcada para 25 de outubro, a campanha voltou a intensificar as agendas de rua e a mobilização de apoiadores.
Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) passaram a agir como se a eleição presidencial estivesse decidida após o senador terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A avaliação é do analista político Creomar de Souza, sócio-fundador da consultoria de risco político Dharma, que aponta um clima de "já ganhou" e a antecipação de discussões sobre ministérios e cargos em um eventual governo.
"A campanha do Flávio Bolsonaro, de outro lado, que veio durante todo o primeiro turno numa dinâmica de maior ofensividade, isso quer dizer, de fustigar, de provocar, de chamar para o debate, de fazer movimento de rua, a campanha assumiu um tom defensivo", afirmou.
Em entrevista ao programa Eleições em Pauta, da EXAME, Creomar afirmou que a campanha do senador, marcada por uma postura ofensiva durante o primeiro turno, assumiu um tom mais defensivo depois da votação de 4 de outubro.
Segundo o especialista, parte do entorno político do candidato interpretou o resultado das urnas, que colocou Flávio à frente de Lula, como um sinal de que a disputa já estaria resolvida.
"Algumas pessoas dentro da campanha passaram a dar a fatura como liquidada. Olharam o quadro estatístico e falaram: "Não, a gente vai ganhar", afirmou Creomar.
Creomar afirmou que o resultado do primeiro turno surpreendeu as duas campanhas, que trabalhavam com expectativas diferentes antes da apuração.
Segundo ele, levantamentos internos da equipe de Flávio indicavam que o senador terminaria a primeira votação atrás de Lula e poderia buscar a virada apenas no segundo turno. No entorno do presidente, a expectativa era de que o petista encerrasse a primeira etapa à frente.
O resultado provocou mudanças nas estratégias. Enquanto Lula intensificou a mobilização de apoiadores e buscou ampliar sua presença nas redes sociais, a campanha de Flávio passou a adotar uma posição mais defensiva, de acordo com o analista.
O analista disse que essa percepção abriu espaço para movimentações relacionadas à formação de um eventual governo, apesar de o segundo turno estar marcado para 25 de outubro.
"E aí começaram algumas questões, alguns movimentos, algumas ações que escapam do controle do candidato e daquele que é o seu principal articulador hoje em termos de campanha, que é o senador Rogério Marinho, que podem sempre ser interpretadas dentro de uma dinâmica do já ganhou", disse.
Entre os exemplos citados pelo especialista estão especulações sobre nomes para ministérios, distribuição de cargos e declarações de um irmão de Flávio Bolsonaro, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, sobre mudanças que poderiam ser feitas em determinadas pastas, como a do Ministério das Relações Exteriores.
O senador se dedicou nesse início de campanha a aglutinar apoios de nomes como o ex-presidente Michel Temer (MDB), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), o escritor Augusto Cury (Avante) e governadores aliados.
Na avaliação de Creomar, o movimento permitiu que a campanha petista ocupasse mais espaço na primeira semana após a votação. As últimas pesquisas eleitorais divulgadas mostram um cenário acirrado, com uma diferença de dois pontos, em empate técnico, como no Datafolha.
Na avaliação de Creomar, a campanha precisou abandonar o ambiente de vitória antecipada e retomar a mobilização nas ruas para a disputa do segundo turno.
O analista destacou, porém, que Flávio voltou a realizar agendas de rua na quarta-feira, 14, em meio à reorganização de sua campanha.
"A campanha do Flávio me parece que começa a acertar à medida que ela entende que não dava para ficar no espírito de já ganhou e soltando nota na mídia dizendo que estava pensando no nome A, no nome B ou no nome C e tinha que voltar para a rua", afirmou.
A aposta da campanha é no ato marcado para domingo, 18, na Avenida Paulista, apelidado de "Bloco do 22". O plano é demonstrar força e colocar mais pessoas do que o ato realizado pela campanha petista.
Segundo o especialista, a capacidade de mobilização de apoiadores será um dos elementos a observar na reta final da eleição.
Ele citou o deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG) e a ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL) como figuras relevantes para as agendas públicas do candidato.
"Nesse aspecto, o Flávio vai ser muito dependente de duas figuras, basicamente o Nicolas Ferreira e a Michele Bolsonaro, que são atores muito carismáticos e com capacidade de colocar gente na rua para apoiar a candidatura do Flávio", disse.
O próprio senador já havia feito um alerta público contra o excesso de confiança. Em encontro com prefeitos e lideranças políticas em São Paulo, no domingo, 11, Flávio pediu aos aliados que evitassem o "salto alto" e mantivessem a mobilização até o segundo turno.
A declaração do candidato ocorreu em um momento em que sua campanha buscava ampliar a participação de lideranças regionais nas agendas eleitorais.
Disputa por votos ainda é desafio para as campanhas
Para Creomar, outro desafio de Flávio é transformar os apoios recebidos de candidatos e lideranças políticas em votos efetivos.
O senador recebeu o apoio da federação formada por União Brasil e Progressistas, além de manifestações favoráveis de políticos que participaram do primeiro turno.
O especialista ressaltou, no entanto, que a declaração de apoio de um candidato derrotado não significa transferência automática de seus eleitores.
"Tradicionalmente, em eleições de dois turnos, os finalistas buscam o suporte daqueles que ficaram pelo caminho. Mas não necessariamente esse suporte significa dizer que os votos vão migrar", afirmou.
Creomar também apontou a importância dos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno, dos que votaram em outros candidatos e dos que escolheram votos brancos ou nulos.
Na avaliação do analista, a forma como as campanhas dialogam com esses grupos será uma das questões centrais dos últimos dias da eleição.
O segundo turno da eleição presidencial será realizado no domingo, 25 de outubro. Antes da votação, os candidatos têm debates e agendas de campanha previstos para apresentar suas propostas aos eleitores.
Perguntas frequentes
Por que a campanha de Flávio Bolsonaro entrou em clima de "já ganhou"? +
Segundo o analista político Creomar de Souza, integrantes da campanha interpretaram o resultado do primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula, como um sinal de que a eleição estaria encaminhada. Essa percepção teria levado parte do entorno do senador a antecipar discussões sobre ministérios e cargos em um eventual governo.
O que mudou na campanha de Flávio Bolsonaro após o primeiro turno? +
Na avaliação de Creomar de Souza, a campanha passou de uma postura ofensiva, marcada por provocações, debates e mobilização nas ruas, para uma estratégia mais defensiva. O analista afirmou que o senador começou a retomar as agendas públicas na quarta-feira, 14 de outubro, após um período de menor mobilização.
Flávio Bolsonaro alertou aliados contra o excesso de confiança? +
Sim. Em encontro com prefeitos e lideranças políticas em São Paulo, no domingo, 11 de outubro, Flávio Bolsonaro pediu que seus aliados evitassem o "salto alto" e mantivessem a mobilização até o segundo turno da eleição presidencial.
Quem são os principais aliados de Flávio Bolsonaro no segundo turno? +
O senador recebeu apoios de lideranças como Michel Temer, Ronaldo Caiado e Augusto Cury, além da federação formada por União Brasil e Progressistas. Segundo Creomar de Souza, o deputado federal Nikolas Ferreira e a senadora eleita Michelle Bolsonaro também têm papel relevante na mobilização de apoiadores e nas agendas públicas da campanha.
Os apoios políticos garantem mais votos para Flávio Bolsonaro? +
Não necessariamente. Segundo Creomar de Souza, o apoio de candidatos derrotados e lideranças partidárias não representa transferência automática de votos. O analista afirma que a capacidade de conquistar eleitores que escolheram outros candidatos, votaram em branco ou nulo ou não compareceram ao primeiro turno é uma das questões centrais da disputa.
Quando será o segundo turno das eleições presidenciais de 2026? +
O segundo turno da eleição presidencial está marcado para domingo, 25 de outubro de 2026. Lula e Flávio Bolsonaro disputam a Presidência da República. Até a votação, estão previstos debates e agendas de campanha para apresentação de propostas e mobilização dos eleitores.
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