"Os Simpsons" trazem Apu de volta após quase uma década

A série “Os Simpsons” surpreendeu o público no domingo com o regresso de Apu, o proprietário da loja de conveniência Kwik-E-Mart que não aparecia há quase uma década e voltou a falar em Springfield.
Apu e a sua mulher, Manjula, regressaram com um enredo substancial e com as vozes de atores de origem indiana: Sunil Malhotra, um veterano da dobragem, e Janina Gavankar (“The Morning Show”).
“Trazer o Apu de volta parece um resgate. É, de facto, o seu regresso a casa“, declararam Malhotra e Gavankar no domingo, numa publicação conjunta na rede social Instagram.
O regresso inesperado de Apu traz uma reviravolta notável a um debate que dura há anos sobre a forma como a personagem representa um estereótipo para alguns norte-americanos de origem sul-asiática, noticiou na terça-feira a agência Associated Press (AP).
Depois do documentário “The Problem With Apu” (O Problema com Apu), lançado em 2017 pelo comediante Hari Kondabolu, a personagem foi praticamente banida dos ecrãs.
No documentário, Kondabolu, que se declara fã da série da Fox, procurou refletir sobre as suas inquietações e entrevistou várias celebridades de origem sul-asiática, incluindo Kal Penn, Utkarsh Ambudkar e Hasan Minhaj, sobre como foi crescer com a personagem.
Relataram terem sofrido de bullying, sendo chamados de “Apu” como um insulto. O facto de a personagem ser dobrada por Hank Azaria, um ator branco, reforçava a perceção de Apu como uma mera caricatura.
Com o nome completo de Apu Nahasapeemapetilon Jr., é visto como o “eterno estrangeiro”, alguém que representa os indianos nos Estados Unidos através de um único estereótipo: o de um imigrante recém-chegado, dono de uma loja de conveniência, com um sotaque carregado e uma identidade americana extremamente limitada, explicou Bhoomi Thakore, professora assistente de sociologia na Universidade de Connecticut.
Thakore observou que o filme de Kondabolu levantou a questão de que, quando Apu surgiu, em 1990, ele era a única representação de uma personagem indiana que a maioria das pessoas conhecia.
Azaria deixou o papel após o documentário, continuando a dar voz a outras personagens de “Os Simpsons“, enquanto Apu permaneceu em silêncio, aparecendo apenas em segundo plano.
Kondabolu, no entanto, nunca defendeu o cancelamento de Apu. Na segunda-feira, elogiou “Os Simpsons” por terem encontrado “uma solução inteligente para tudo isto” e por terem contratado Malhotra e Gavankar.
[Annie consegue estar presente nos últimos anos do pai, que não vai viver tempo suficiente para conhecer a sua sentença no julgamento do homicídio de Humberto Delgado. Entretanto, também ela vai ficar gravemente doente. Já pode ouvir o último episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]
Num episódio de 2018, “Os Simpsons” responderam ao documentário de Kondabolu mostrando Lisa Simpson lamentar o facto de que “algo que começou há décadas, que era aplaudido e inofensivo, é agora politicamente incorreto”. A câmara, depois, focou uma foto de Apu numa moldura.
A piada foi considerada fraca por alguns, por não abordar a controvérsia de forma direta.
Poucas semanas depois de “Os Simpsons” terem respondido ao documentário, o autor e produtor Amar Shah publicou uma série de publicações nas redes sociais, seguidas de um artigo de opinião no Washington Post, a explicar porque é que, em grande parte, nutre um sentimento afetuoso em relação a Apu.
Ao observar a personagem, recordava o seu próprio pai, um imigrante indiano que trabalhava arduamente como proprietário de uma loja de conveniência, e como essa experiência moldou a sua infância na Florida.
Após assistir a este episódio mais recente, Shah não notou qualquer diferença significativa no desempenho de Malhotra.
“Obviamente, há uma voz, um tom e uma textura diferentes, e tudo o resto. Mas a personagem continua lá, com a sua humanidade genuína”, frisou Shah.
“Acho que, se tivessem feito esta mudança mais cedo, teria sido muito melhor”, acrescentou.
Apu regressa num clima de crescente ódio contra as pessoas do sul da Ásia e os indianos.
A organização Stop AAPI Hate e outros grupos de investigação constataram que o uso de insultos racistas e ameaças online contra pessoas do sul da Ásia e indianos aumentou drasticamente nos últimos anos.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.