Robert Smith, do The Cure, receberá prêmio por defender fãs em vendas de ingressos

Vocalista será reconhecido por questionar taxas abusivas na turnê “Shows of a Lost World”
Giovana Laurelli (@gii_laurelli)
Robert Smith, vocalista do The Cure, será homenageado na edição de 2026 do Artist & Manager Awards com o prêmio Fan Champion (“Campeão dos Fãs”, em tradução livre). A honraria reconhece artistas comprometidos com a defesa do público e que utilizam suas plataformas para defender mudanças positivas na indústria musical.
A cerimônia é organizada pela Featured Artists Coalition (FAC) e pelo Music Managers Forum (MMF), e acontece no dia 18 de novembro, no Bloomsbury Big Top, em Londres. O evento celebra a relação entre artistas e empresários, e já declarou honrarias para Portishead , Jamie Cullum & Rockstar Management e Raw Power Management, nomes que receberão diversas estatuetas na noite da premiação.
O reconhecimento a Smith vem após sua atuação contra práticas consideradas injustas na venda de ingressos para a última turnê do The Cure. Na ocasião, o vocalista se decllarou contra taxas abusivas na compra de ingressos para as datas da Lost World Tour, questionando valores impostos por companhias de venda e defendendo mais transparência para os fãs durante a comercialização das entradas.
Durante a série de apresentações em 2023, o cantor criticou duramente a Ticketmaster, afirmando ter ficado “enojado” ao ver que as taxas adicionais totalizavam mais do que o valor nominal dos ingressos. Após cancelar mais de 7.000 ingressos em sites de revenda secundária , Smith conseguiu convencer a empresa a emitir pequenos reembolsos aos compradores de ingressos verificados, para compensar as taxas “excessivamente altas”. No ano seguinte, o artista opinou sobre a precificação dinâmica de ingressos, afirmando acreditar que se trata de uma “fraude” e “motivada pela ganância”. No último ano, Smith apoiou a campanha FanFair Alliance, e se uniu aos apelos ao governo do Reino Unido para que cumpra sua promessa de proibir a revenda ilegal de ingressos e impor um teto aos preços de revenda.
Jordan Rakei também será um dos homenageados principais na edição de 2026 do Artist & Manager Awards, recebendo o prêmio The Artists’ Voice Award ( “A Voz do Artista”). A premiação reconhece seu trabalho de defesa aos direitos de artistas, além de sua franqueza ao falar sobre os desafios de construir uma carreira na indústria musical. Entre seus relatos, o cantor compartilhou as dificuldades que enfrentou ao lidar com gravadoras, as pressões financeiras e as exigências de manter uma vida criativa enquanto era artista, e usou sua plataforma para tentar ajudar artistas emergentes que enfrentam as mesmas dificuldades.
“Ambos os prêmios reconhecem artistas que generosamente usaram suas plataformas para um bem maior”, disse David Martin, CEO da FAC (via NME). “A abordagem franca de Robert tem sido um antídoto bem-vindo às controvérsias que continuam a girar em torno da venda de ingressos e da música ao vivo – ele não só defendeu com sucesso os fãs do The Cure, como também mudou ativamente as práticas comerciais nesse processo.”
Ele continuou: “Em um ano em que as pressões financeiras e comerciais sobre os artistas se multiplicaram, também me alegra poder destacar a franqueza e a honestidade de Jordan. Seja por meio de suas redes sociais ou de suas masterclasses online, essa vontade de provocar discussões e compartilhar conhecimento tem sido verdadeiramente inspiradora, assim como sua abordagem genuinamente colaborativa à criação musical.”
Na premiação, também será homenageada a The Quietus. A empresa receberá o Entrepreneur Award 2026 (“Prêmio Empreendedor de 2026”), por se tornar o primeiro grupo de gerenciamento musical do mundo pertencente aos seus funcionários. A empresa gerencia uma média de 250 shows ao vivo por ano com seus artistas, além de diversos lançamentos de novos álbuns, relançamentos de catálogo, documentários e obras literárias.
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Jornalista em formação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Giovana é apaixonada por música, filmes e a intersecção entre cultura e política. Já foi bailarina e canta em bandas de soul, rock e pop desde a pré-adolescência. Atuou como editora de Cultura e Entretenimento no Jornal Contraponto, veículo laboratorial impresso da PUC-SP. Na Rolling Stone, escreve sobre música, cinema e cultura pop.
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