Cidade de SP tem alta nas ocorrências de roubo e furto de veículos pesados, mostra levantamento
Roubos e furtos de veículos pesados caíram 22,9% no estado de São Paulo nos cinco primeiros meses de 2026. Enquanto o total de ocorrências recuou de 951 para 733 ocorrências na comparação com o mesmo período de 2025, a capital paulista registrou alta de 8,1%, de 197 para 213 casos.
Os dados fazem parte de um levantamento realizado pela Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), em parceria com a empresa de rastreamento Tracker, a partir de boletins de ocorrência registrados pela Polícia Civil.
Após atingir o menor patamar da série iniciada em fevereiro de 2024, no fim de 2025, as ocorrências voltaram a crescer no início deste ano. Os registros passaram de cerca de 135 em janeiro para 158 em maio.
Segundo o boletim, os dados abrangem o período até maio de 2026 em razão de restrições à divulgação de informações por órgãos públicos durante o período eleitoral.
O estudo mostra uma mudança na composição dos crimes. Os roubos provocaram principalmente a queda estadual, que diminuiu 34,7%, de 614 para 401 ocorrências. Os furtos permaneceram estáveis, com recuo de apenas 1,5%, de 337 para 332 casos.
"Essa mudança pode representar uma adaptação da atividade criminosa e exige acompanhamento contínuo", afirma o pesquisador Erivaldo Vieira, da Fecap, responsável pelo estudo.
Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) diz que as polícias Civil e Militar atuam de forma integrada no combate aos roubos e furtos de veículos, com ações de inteligência, investigação, patrulhamento e recuperação de bens.
No estado, diz a pasta, no primeiro semestre de 2026 foram recuperados 20,7 mil veículos, de todos os tipos, incluindo caminhões e outros veículos considerados "pesados", e detidos 110,4 mil infratores.
"No mesmo período, os roubos de veículos em geral [ou seja, não só pesados] caíram 35,1% no estado e 35,3% na capital. Os furtos recuaram 10,6% em São Paulo e 8,6% na capital".
O levantamento da Fecap mantém a capital paulista como principal ponto de roubos e furtos de veículos pesados no estado e com alta de registros.
No caso dos municípios, e isso inclui São Paulo, a pesquisa não discrimina roubos e furtos e informa apenas o total de ocorrências.
Conforme o estudo, bairros da zona norte paulistana concentram as principais ocorrências.
O Jaçanã lidera o ranking. Passou de oito casos nos primeiros cinco meses de 2025 para 18 no mesmo período deste ano, alta de 125%.
O bairro da zona norte fica no entorno de rodovias como a Anhanguera e dos Bandeirantes, que estão entre as principais ligações para o interior paulista.
O vizinho Parque Edu Chaves teve aumento de 25%. Na Vila Maria os registros saltaram 40%. A região concentra acessos às rodovias Fernão Dias e Presidente Dutra.
No trecho urbano da Fernão Dias foram 18 ocorrências nos primeiros cinco meses de 2026, o mesmo número registrado nos cinco primeiros meses de 2025.
A Secretaria da Segurança Pública diz que na capital, o combate aos desmanches clandestinos busca enfraquecer a cadeia de receptação de veículos roubados e furtados.
Segundo a pasta, neste ano, a Divecar (Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas) apreendeu 72,8 mil peças automotivas sem comprovação de origem durante fiscalizações e investigações.
"Do total, 53,9 mil eram peças de carros e 18,9 mil de motos, caminhões ou ônibus", afirma a nota. "As ações atingem diretamente o mercado ilegal que dá destino a veículos roubados e furtados e integram a estratégia da Polícia Civil para desarticular a cadeia criminosa relacionada a esses delitos."
Ao contrário de São Paulo, Guarulhos, segunda cidade com maior número de registros no levantamento, teve queda de 42,5% —retração de 80 para 46 ocorrências.
Também registraram reduções São Bernardo do Campo (-47,8%), Itapecerica da Serra (-40,9%), Limeira (-34,8%) e Campinas (-33,3%).
Ao mesmo tempo, Osasco, Barueri e Santo André passaram a integrar o grupo dos dez municípios com maior número de ocorrências em 2026, substituindo Cubatão, Embu das Artes e Sumaré, aponta o boletim Tracker Fecap.
"Para quem trabalha com gerenciamento de risco, conhecer os corredores, os municípios e os pontos de concentração é fundamental para definir estratégias de monitoramento mais eficientes", explica Vitor Corrêa, gerente de comando e monitoramento da empresa de rastreamento.
Na nota, a pasta do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirma que a Polícia Civil realiza investigações específicas contra grupos envolvidos em roubos e furtos de veículos e cargas.
Em São José dos Campos, por exemplo, a Operação Carga Pesada investiga a atuação de uma organização criminosa especializada nesse tipo de crime.
"A investigação segue em andamento, com diligências para identificar os envolvidos, localizar o investigado e recuperar bens relacionados aos delitos", diz.
Entre os veículos pesados analisados pela pesquisa, o caminhão continua sendo o principal alvo dos ladrões, mas apresentou queda de 7,4% nos cinco primeiros meses de 2026, de 391 para 362 ocorrências.
Os reboques registraram alta de 18,9%, de 53 para 63 casos, puxada pelos furtos, que aumentaram 42,9%.
A distribuição dos crimes também permanece concentrada nos dias úteis. Terças, quartas, quintas e sextas-feiras responderam por 73,3% das ocorrências entre janeiro e maio.
A noite foi o período de maior incidência, com 31,3% dos registros que tinham horário válido, seguida pela madrugada, com 28,9%.
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