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Monday, September 14, 2026

De colegas de sala a sócias: aos 18 anos, elas criam startup com cliente já fechado

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Duas alunas de 18 anos da graduação em Administração da Escola de Negócios Saint Paul criaram um sensor que muda de cor quando a carne começa a estragar.

O projeto, batizado de Biotech Safe, venceu uma das categorias do Pitch Day Challenge da faculdade e já tem o primeiro cliente confirmado: o açougue da família de uma das fundadoras.

Livia Del Dottore Soares e Maria Clara Pêgas Abrantes se conheceram neste ano, nas aulas de empreendedorismo da Saint Paul. Maria Clara veio de Florianópolis para estudar em Santos e já havia vencido, no Sul do país, uma feira de ciências com uma versão mais científica do projeto, sem modelo de negócio estruturado.

Foi ao entrar na faculdade e se unir a Livia que a ideia ganhou forma de startup: juntas, as duas desenvolveram o plano de negócios apresentado no Pitch Day.

Da feira de ciências ao modelo de negócio

O projeto nasceu ainda no ensino médio, quando Maria Clara o levou a uma feira de ciências e venceu a etapa regional no Sul do Brasil. Na época, era uma iniciativa acadêmica, sem parceiro de negócios nem estrutura comercial. Maria Clara chegou a considerar transformar a ideia em startup, mas o vestibular tomou o lugar do projeto.

A virada veio na Saint Paul. Nas aulas de empreendedorismo, Livia e Maria Clara se aproximaram e decidiram retomar o projeto juntas, com um diferencial: enquanto a etapa científica já estava avançada, faltava o modelo de negócio, que as duas construíram do zero para o Pitch Day Challenge.

Um sensor que substitui o olfato do açougueiro

O produto central da Biotech Safe é um biossensor feito de materiais naturais que muda de cor conforme o alimento se deteriora, sem precisar encostar na carne. A tecnologia pode ser aplicada a outros alimentos, mas a startup concentrou o foco em carne por ser a categoria de maior valor agregado.

A dupla também desenvolveu um segundo produto, um biofilme que retarda o apodrecimento da carne agindo no ar, dentro da embalagem. Por ora, o desenvolvimento desse segundo produto ficou em segundo plano: como o biofilme costuma entrar em contato direto com o alimento, o processo regulatório é mais longo e caro do que o do biossensor.

A estratégia da startup foi priorizar o produto mais rápido de aprovar e deixar o biofilme para uma etapa posterior, já com a empresa estruturada.

O nome Biotech Safe veio dessa mesma lógica de negócio: biotecnologia aplicada à segurança alimentar.

Como duas alunas venceram um Shark Tank acadêmico

Nenhuma das duas tinha experiência prévia com pitches de investimento. Para o Pitch Day Challenge, dividiram o roteiro por especialidade, uma explicando o produto, a outra o mercado de carnes, e ensaiaram até decorar a apresentação por completo, ao ponto de continuarem a fala de cor quando o slide travou durante uma das simulações.

A dupla também levou um MVP físico para o palco e demonstrou ao vivo, diante da banca, a mudança de cor do sensor. Entre os jurados estavam nomes como Erik Nybo, CEO da Bits Academy, e representantes de fundos como Caravela Capital e da rede Insper Angels.

Depois do troféu, a corrida por um CNPJ

A vitória acelerou o que era um projeto acadêmico. Nas semanas seguintes ao Pitch Day, as fundadoras passaram a negociar com fornecedores de matéria-prima, laboratórios, além de advogado e contador para formalizar a empresa. A startup está em processo de abrir CNPJ e depositar a patente do sensor, e já conta com um espaço para realizar testes.

A meta é começar a vender ainda neste ano. O primeiro cliente já está fechado: o açougue da família de Livia, que confirmou às fundadoras a dor real que o produto resolve. A urgência também é estratégica: as duas citam o risco de uma empresa maior lançar algo parecido antes que a Biotech Safe consiga se estruturar.

Para as fundadoras, o Pitch Day não rendeu só o troféu. A proximidade com jurados do mercado financeiro e de venture capital abriu uma rede de contatos que, segundo elas, vale tanto quanto o prêmio em si.

O sensor que começou como projeto de feira de ciências agora mira uma prateleira de açougue antes do fim do ano.

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