Mudança para voto distrital pode empoderar caciques e privilegiar reeleição

O especialista destaca ainda que essa divisão é muito desafiadora em função das desigualdades demográficas e territoriais do Brasil, com regiões metropolitanas densamente povoadas e extensas áreas do interior com populações dispersas. "A definição dos distritos precisaria conciliar critérios populacionais, continuidade territorial, características regionais e, sobretudo, a igualdade do peso do voto", afirma.
Apesar de debatida há anos no Congresso — proposta semelhante já foi até aprovada no Senado, em 2017 —, não há clareza nem consenso sobre as regras para essa divisão ou mesmo quem a comandará, se a Justiça Eleitoral ou os próprios parlamentares.
A cientista politica Graziella Testa classifica a definição dos distritos como um ponto nevrálgico dentro da proposta de mudança do sistema eleitoral. "Há um risco de essa delimitação ser arbitrária para que haja uma perpetuação daqueles representantes que já estão no Parlamento", afirma.
Professora da Universidade Federal do Paraná e doutora em ciência política, Graziella destaca ainda que os candidatos a serem beneficiados com o voto distrital são aqueles que entendem que sua eleição depende, por exemplo, de emendas parlamentares individuais.
O distrito oficializa o curral eleitoral. Quem mais vai ganhar com isso? Os parlamentares que buscam o voto em uma única região a partir de estratégias fisiológicas, de raiz localistas. Ou seja: o centrão. Graziella Testa, cientista política
Lista fechada tende a prejudicar minorias e favorecer reeleição
No sistema distrital misto, o segundo voto do eleitor não vai para um candidato, mas para um partido politico, que passa a ter mais poder na escolha final dos eleitos. Isso porque cabe à legenda definir, a partir de uma lista fechada, quem vai se beneficiar dos votos dados na sigla.
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