Starbucks exige consumo obrigatório para ocupar lugar

A cadeia norte-americana Starbucks vai passar a exigir que os clientes efetuem uma compra para ocupar lugares nas mais de oito mil cafetarias que possui na China, decisão que está a dividir os consumidores chineses.
A Starbucks China confirmou esta quarta-feira ao jornal local The Paper que a nova política entrará em vigor na quinta-feira, em todos os estabelecimentos do país, onde serão colocados avisos para informar os clientes.
A empresa garantiu que vai dar instruções uniformes aos funcionários para aplicarem a regra de forma cordial e flexível, sobretudo em situações excecionais ou quando mulheres grávidas e pessoas com mobilidade reduzida necessitem de assistência.
O anúncio provocou reações divergentes entre os consumidores chineses, com alguns a defenderem que os lugares devem ser reservados a clientes que efetuam compras, enquanto outros consideram que a restrição prejudica a imagem da marca e limita a função das cafetarias como espaços de encontro e descanso.
A decisão surge após vários episódios polémicos relacionados com a ocupação prolongada de mesas por pessoas que não efetuavam qualquer consumo.
Em 2024, funcionários de uma cafetaria em Xi’an, no centro da China, pediram a vários clientes que abandonassem o estabelecimento por não terem efetuado compras.
Em julho de 2025, uma loja em Tianjin, no norte do país, retirou avisos que exigiam o consumo obrigatório para ocupar lugares, após críticas dos clientes.
[Annie consegue estar presente nos últimos anos do pai, que não vai viver tempo suficiente para conhecer a sua sentença no julgamento do homicídio de Humberto Delgado. Entretanto, também ela vai ficar gravemente doente. Já pode ouvir o último episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]
Noutro caso, em Nanchong, no sudoeste da China, uma cafetaria chegou a prender com correntes as mesas e cadeiras exteriores, devido à ocupação frequente por pessoas que não compravam qualquer produto.
A medida já tem precedentes nos Estados Unidos e no Canadá, onde a Starbucks voltou a exigir, em janeiro de 2025, que os clientes efetuassem compras para utilizar as instalações, incluindo as casas de banho.
A decisão pôs fim a uma política de acesso livre adotada em 2018, após a polémica detenção de dois homens negros numa cafetaria da cadeia em Filadélfia, nos Estados Unidos.
A nova regra reacendeu também o debate sobre o conceito de “terceiro espaço”, utilizado tradicionalmente pela Starbucks para apresentar os seus estabelecimentos como locais de convívio e descanso, para além da casa e do trabalho.
A cadeia norte-americana, que no final de setembro contava com 8.342 cafetarias na China, enfrenta uma concorrência crescente de marcas locais que praticam preços mais baixos.
Em abril, a Starbucks concluiu uma parceria com a sociedade de investimento Boyu Capital, acordada em novembro de 2025, para gerir o negócio no mercado chinês.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.