44% dos abortos em Portugal são de mães estrangeiras

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Nos próximos minutos passamos em revista os destaques da imprensa nacional e internacional. Eu sou o Miguel Gato, hoje a edição da conferência de imprensa é com o jornalista Miguel Pina Andrade. Bom dia, Miguel.
Olá, Miguel, bom dia.
Começamos com a manchete do Jornal de Notícias, que diz esta manhã que as prestações das casas portuguesas aumentaram mais de 100 € desde o início do conflito no Médio Oriente.
Por isso, desde que os Estados Unidos iniciaram os ataques ao Irão, no final de fevereiro, o Banco Central Europeu aumentou duas vezes as taxas de juro. Diz o JN que quem tem crédito à habitação com taxa variável viu as prestações aumentarem, em alguns casos, para lá dos 100 €. Vamos às contas feitas pelo Jornal de Notícias para créditos com capital em dívida de 50, 100 e 200 mil €. A despesa mensal no início do conflito variava entre um mínimo de cerca de 211 € e 867 €. Pouco mais de meio ano depois, a prestação mínima cresceu para 227 € e a máxima para bem perto dos mil. Nuno Rico, economista da DECO Proteste, especializado em produtos bancários, considera que o cenário vem agravar as finanças pessoais e familiares dos portugueses.
Seguimos agora com El Público, Miguel, que dá destaque à estabilização do número de interrupções voluntárias de gravidez. O ano passado houve cerca de 18,2 mil abortos por opção da mulher.
Sim, esta estabilização contraria os aumentos observados nos três anos anteriores. São dados de um relatório da Direção-Geral da Saúde, divulgado ontem, que mostra que cerca de 44% dos abortos foram feitos por mulheres de nacionalidade estrangeira. Este aumento, segundo o documento, enquadra-se no crescimento da população feminina em idade fértil, de nacionalidade não portuguesa e do número de nados vivos de mães estrangeiras. A DGS alerta no relatório para a necessidade de assegurar no SNS respostas acessíveis, inclusivas e adequadas à diversidade linguística, social e cultural, isto com o objetivo de reduzir as barreiras no acesso à informação e aos cuidados de saúde sexual e reprodutiva.
O destaque do Correio da Manhã esta manhã vai para o tema quente do dia, as acusações no caso das gémeas. Escreve o Correio da Manhã que o Ministério Público ignorou Cunhas de Belém.
Sim, exatamente. A primeira frase do artigo diz mesmo que Marcelo Rebelo de Sousa sabia de tudo, dos pedidos do filho, das diligências feitas pela Casa Civil e até que a família não morava em Portugal. Pode ler-se no artigo que na acusação do Ministério Público se ignoraram todas as diligências feitas por Belém e que os procuradores não atribuíram relevância penal ao comportamento de Marcelo Rebelo de Sousa, Frutuoso de Melo e Maria João Roela. Quanto aos acusados, o Correio da Manhã destaca que a mãe das gémeas está no Brasil e não pode ser extraditada, por isso o processo vai ter de ser julgado no outro lado do Atlântico.
Olhamos ainda, Miguel, para a manchete do Diário de Notícias, que diz que os salários atuais estão a abrandar e que no futuro o emprego ainda pode sofrer por causa da inteligência artificial.
Sim, a evolução dos salários está a dar sinais de algum arrefecimento, mesmo com o atual choque energético em curso e sem fim à vista, o que é considerado um indicador favorável em termos de inflação e que ajuda também a acalmar os preços da economia. Isto são posições da presidente do Banco Central Europeu aos deputados da Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu em Bruxelas, sobre o crescimento da inteligência artificial. Christine Lagarde admite ter ainda algumas dúvidas. Sublinha que a Europa está muito atrasada no investimento, na difusão e na utilização eficaz da tecnologia. Diz a presidente do BCE que ainda é cedo para saber se a IA vai destruir empregos.
Vamos ainda, Miguel, à imprensa internacional. Damos destaque às eleições intercalares norte-americanas. O Washington Post diz que no estado do Iowa, os republicanos estão a sentir pressão e que por isso tentam neste momento motivar um eleitorado que está frustrado.
Sim, o clima político em torno do partido tem levantado um alarme generalizado. O Washington Post destaca as preocupações dos republicanos de que a guerra com o Irão e os efeitos económicos possam desmotivar os eleitores republicanos do Iowa, um estado muito importante precisamente quando o partido mais precisa deles. Um estratega republicano do Iowa diz mesmo que o ambiente não é bom. Admite a forte possibilidade de uma derrota esmagadora, um cenário em que os democratas ganham com grande vantagem, como aconteceu nas intercalares de 2006. Os norte-americanos vão às urnas daqui a pouco mais de um mês, dia 3 de novembro. Os democratas precisam de quatro lugares para ganhar controle no Senado. Para a maioria, precisam de virar vários estados em que Trump ganhou, alguns por margens de dois dígitos em 2024. Já na Câmara dos Representantes precisam de três lugares, uma tarefa que foi complicada pela redistribuição dos círculos eleitorais levada a cabo pelos republicanos neste mandato de Donald Trump.
Miguel Pina Andrade, a edição de hoje da conferência de imprensa.
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