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Thursday, October 22, 2026

Especialista explica desafios do TSE no ambiente digital: “Lei é analógica”

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O Tribunal Superior Eleitoral enfrenta crescentes dificuldades para acompanhar o avanço das plataformas digitais e combater irregularidades na propaganda eleitoral. O debate ganhou força após a discussão interna na Corte sobre a possibilidade de restringir canais de WhatsApp durante o segundo turno das eleições de 2026.

O cientista político Lucas de Aragão, sócio da consultoria Arko Advice, avaliou que o descompasso entre a legislação eleitoral e as novas ferramentas digitais é estrutural.

"Os problemas que podem vir de tecnologia, inteligência artificial, deepfake, grupos de WhatsApp, esses problemas são digitais. A lei é analógica, você não consegue combater na mesma velocidade", afirmou Aragão durante o Hora H desta quarta-feira (21).

Aragão destacou ainda que esse cenário de demora no TSE não é inédito, citando casos anteriores de candidaturas que enfrentaram questionamentos por parte da Corte após as eleições.

"A gente viu em 2014, a chapa Dilma-Temer respondendo por abuso de poder econômico. A chapa de Jair Bolsonaro, em 2018, também respondeu por algumas questões", relembrou o especialista. Para ele, a tendência é que a situação se repita com frequência.

"Hoje, a gente tem essa questão do 'Exército do Lula' e da 'Tropa do Flávio', que podem vir a ser um problema lá na frente. É impossível a lei acompanhar a velocidade dos problemas digitais que vêm dessas novas ferramentas", reforçou.

TSE, canais de WhatsApp e denúncias contra a Meta

A proposta de restrição a canais de WhatsApp cogitada internamente no TSE previa a suspensão de canais com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas anteriores ao pleito e nas 24 horas seguintes à votação.

Diante da repercussão da discussão, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou à CNN que qualquer mudança nas regras está fora de cogitação para as eleições de 2026 e que eventuais restrições deverão ser debatidas apenas a partir das eleições municipais de 2028.

Segundo informações apuradas pela CNN, há um racha entre os sete ministros do TSE sobre o tema. Nunes Marques sinalizou, no entanto, que a maioria da Corte também entende que o momento para mudanças já passou, e que os canais deverão permanecer em funcionamento, uma vez que nenhuma regra anterior proibia sua operação.

Paralelamente, o TSE também se debruça sobre denúncias de favorecimento por parte da Meta — empresa dona do Instagram, do Facebook e do WhatsApp — à campanha de Flávio Bolsonaro (PL).

A Meta negou qualquer tipo de interferência ou irregularidade, atribuindo eventuais problemas a questões técnicas e comprometendo-se a realizar uma revisão humana sobre a distribuição de conteúdos, de modo a garantir tratamento igualitário entre os candidatos.

Em sentido contrário, o comitê supervisor independente da própria empresa afirmou que houve falhas recorrentes e cobrou apuração do suposto favorecimento. O TSE solicitou manifestação do Ministério Público Eleitoral sobre o caso.

Perspectivas para a regulamentação

Sobre os próximos passos, Aragão prevê que haverá tentativas de regulamentar o uso das big techs nas campanhas eleitorais, incluindo discussões sobre financiamento e limites de utilização dessas plataformas.

O cientista político mencionou que a regulamentação da inteligência artificial, que tramita no Congresso Nacional sob relatoria do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), não foi concluída em 2024 e deverá avançar no ano seguinte, possivelmente em articulação com os tribunais superiores para contemplar questões eleitorais.

"A justiça eleitoral, assim como a justiça, quando se coloca esses desafios digitais, vai estar sempre correndo um pouquinho atrás", ponderou Aragão.

Ele acrescentou que a qualidade do debate regulatório tende a ser fortemente influenciada pela polarização política e pelos interesses das próprias campanhas em utilizar essas ferramentas.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.

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