Quero mesmo isto ou estou a imitar alguém?

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Não é fácil, eu sei, mas, amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume. Olá, sejam bem-vindos a mais um episódio. E bem-vindos de volta, porque entretanto passou o quê? Um mês e meio desde a última vez que saiu o episódio. Na verdade, se calhar para aí dois meses desde a última vez que eu gravei podcast. O que é bastante estranho, porque eu estou a fazer podcast já há dois anos. Se contarmos com o "Amiga Dá as Casa", há três anos, e é aquela rotina de pelo menos todas as semanas ter um momento de vir aqui falar, que parece uma eternidade. Este mês e meio sem gravar ou este mês e meio sem publicar, parece que passou muito mais tempo e aconteceu tanta coisa neste tempo que eu preciso aqui também de vir falar e de vir contar e de vir partilhar um bocadinho convosco. E eu pensei em fazer este episódio a solo. Eu acho que já não faço um episódio a solo desde que corri a minha primeira meia maratona. Acho que é capaz de ser isso. E parece que não sei fazer isto, porque estou tão habituada a ter as minhas amigas e ser tipo uma bengala, que parece que é um bocadinho mais pressão de estar aqui a falar sozinha. Mas a verdade é que também ao longo de todos os anos que eu estive na internet e no YouTube e tudo mais, eu sempre tive este registo e eu adoro e sinto falta disso. E eu olho para esta nova, não uma nova temporada, mas é uma continuação do podcast, mas eu ao longo deste verão tenho estado a pensar e a estruturar aquilo que quero fazer com o podcast e tudo mais, e acabo por chamar a isto de "Amiga Faz Parte 3.0". Portanto, cada ano que passa, cada setembro é um recomeço. Isto porque eu lancei o "Amiga Faz Parte" em setembro, portanto há dois anos atrás, e já o ano passado foi tipo: "Ok, agora vai ser o Amiga Faz Parte 2.0", que foi quando eu criei este estúdio, este cenário novo, em que eu trouxe a dinâmica de trazer amigas comigo e entrou mais a Inês em episódios. E agora eu olho para isto como um 3.0. São pequenas mudanças, pequenas coisas que vamos limando e vamos trabalhando de acordo com, primeiro, aquilo que eu mudo e também aquilo que eu recebo de quem me acompanha em termos de feedback e tentar também polir e ir um bocadinho mais nesse caminho. E entretanto, que mudanças é que eu pensei fazer e que fiz? Não sei se repararam, mas temos um novo jingle. Está praticamente igual, portanto é possível que não tenham reparado, mas eu estou diferente. Basicamente, eu há dois anos atrás, quando lancei o "Amiga Faz Parte", fiz uma sessão fotográfica, filmei também o vídeo do jingle, e eu agora olhava para aquilo, para a capa e para o vídeo, e eu não me reconheço, porque apesar de se puserem para trás e virem, provavelmente não notam assim tanta diferença. Eu depois ao comparar, por exemplo, mudei também a capa do podcast porque fiz uma nova sessão agora no mês passado. Eu a olhar para as capas, eu tipo: "Eu estou tão diferente!" E no dia a dia, como as mudanças são bué pequenas, parece que nem reparamos. Mas eu olhava para aquela capa antiga e para o jingle antigo e pensava: "Pá, não sou eu." Eu já estou uma pessoa completamente diferente e preciso mudar isto. Portanto, é uma mudança que provavelmente para fora não passa e não vai ter assim tanto impacto, mas para mim, olhando para a minha capa, para a imagem do podcast, eu sentia que era preciso fazer essa mudança. E eu acho que isto representa mesmo aquilo que, quando eu decidi mudar e decidi dar uma volta à minha vida e que bateu também na altura em lançar o "Amiga Faz Parte", foi tudo nesse verão/setembro. Antes de lançar o "Amiga Faz Parte", foi aquele verão que eu tive o mês todo de agosto. Quem me acompanha na altura provavelmente lembra-se. Eu fui o mês todo para Maiorca e fui viver este mês sozinha, porque queria estar na minha, queria ter uma experiência diferente. Fui para um co-living, que é um conceito de ir viver com outras pessoas, quase como se fosse uma residência, mas ninguém está a estudar, estão todos a trabalhar. Então é um regime de existem eventos, muito à volta da comunidade, as pessoas estão a trabalhar durante o dia e depois ao final do dia juntam-se todos e fazem coisas juntos. E vais para lá numa ótica de sozinha, mas tens uma comunidade num espaço, num sítio diferente. Eu gosto muito deste conceito, apesar de ser a primeira vez que eu experimentei e não adorei a experiência em si que eu tive em Maiorca, mas foi um mês bué importante para eu estruturar a minha vida e ser um recomeço. E mais do que ser um recomeço de setembro, foi um recomeço da minha vida e da minha mudança e de tudo aquilo que eu acabei por mudar na minha vida, seja começar o desporto, seja tomar a decisão de mudar de cidade, mudar muita coisa em relação ao meu trabalho, lançar um novo podcast, estruturar isso. Estava na altura também a fechar ainda a marca que eu tinha, a Flair, a marca de roupa, portanto, foi um mês também muito de estrutura, de planear uns eventos que eu fiz depois mais tarde para me libertar de todo o stock que eu tinha acumulado da marca. Portanto, foi um mês que eu precisei mesmo para estruturar a minha vida. Foi o mês em que eu li "Habits Atômicos", o livro que eu falo muitas vezes, porque também fala muito destas pequenas mudanças, deste 1%. E foi o mês em que eu sinto que na minha cabeça houve um chip qualquer que mudou para eu não quero ter uma mudança na minha vida para amanhã, eu quero ter uma mudança consistente a longo prazo e principalmente no que toca ao meu lifestyle, ao meu estilo de vida, ao treino, à alimentação, hábitos saudáveis. Foi um shift que aconteceu comigo, que hoje em dia me permite ter este estilo de vida que é sustentável. E eu acho que foi a partir desse momento que na minha cabeça mudou qualquer coisa de: "Ok, eu não quero perder peso para amanhã, para estar melhor, para me sentir melhor comigo. Eu quero mesmo mudar o meu estilo de vida e ser mais saudável." E foi nesse mês que eu preparei tudo isso E ao longo destes dois anos foram mudanças literal invisíveis de 1%, que eu agora olho para trás e olho para esta capa, para o jingle antigo e para tudo isso e penso: "Fogo, eu estou mesmo diferente e no dia a dia nem percebo que estas coisas estão a acontecer." E acho que isto ajuda a pôr tudo em perspetiva, ajuda a perceber que estamos no caminho certo. Muitas vezes também faço essa análise de ir só ao meu rolo de câmara e olhar para mim tipo cinco, seis meses atrás. Bem, eu lembro como é que me estava a sentir na altura. Eu estava uma pessoa diferente. Estamos todos os dias a melhorar pequenas coisinhas e ajuda a perceber e a acalmar e a perceber que estamos no caminho certo. Portanto, esta mudança de nova sessão fotográfica também partiu um bocadinho nesse sentido. E relativamente ao "Amiga Faz Parte 3.0" também não vou haver assim tantas mudanças quanto isso, mas eu quero trazer cá para o podcast algumas pessoas que já fizeram parte destes dois anos. Trazer para fazer partes dois, que acho que houve muita gente que me vê aqui, que eu gostei muito das conversas e que gostava de me sentar outra vez passado um ano, passado dois anos, para trazer outros temas diferentes com essas mesmas pessoas. Quero novos convidados, obviamente, e também continuar com o registro de trazer amigas, seja a Inês Prata, a Mónica, o Ricardo ou outras pessoas que se vão sentando aqui comigo. E também episódios a solo, que eu acho que é uma coisa que eu sempre gostei e fui deixando um bocadinho de fazer, não sei porquê. Acho que é mais por entrar na minha zona de conforto. É bengala. Ter aqui outra pessoa, seja a entrevistar ou seja a ter aqui uma amiga para ter uma conversa, acaba por ser mais fácil, menos desafiante, acho eu, do que estar aqui a falar sozinha. Ou melhor, é um desafio diferente, porque temos aqui outra pessoa, também estamos a debater perspetivas e se calhar em termos de opiniões acaba por ser mais interessante. Mas é um desafio bom também de sentar-me aqui sozinha e tentar estruturar aquilo que me vai na cabeça, os meus pensamentos e tudo, e tentar trazer cá para fora de uma forma coerente e com uma linha que faça sentido. É um desafio que não é assim tão fácil. Quero também trazer de volta os conselhos de amiga, que era um segmento que eu tinha no início do "Amiga Faz Parte" e que eu até na altura, quando eu lancei o "Amiga Faz Parte", eu acho que até fazia alguns episódios a solo, sozinha, com o tema conselhos de amiga. Eu não quero ter episódios assim só à volta disso, mas quero trazer esse segmento para o podcast numa ótica de vocês poderem também partilhar comigo, ou seja, envolver mais quem está a assistir. Podem mandar perguntas, dilemas, coisas, temas que queiram que nós falemos aqui, seja eu sozinha, seja quando está aqui a Inês, quando está aqui a Mónica. Tenho um e-mail do "Amiga Faz Parte", que é amigafazparte@gmail.com, ou então podem mandar também para o Instagram do "Amiga Faz Parte" tudo aquilo que queiram que nós abordemos aqui ou estão a passar por algum dilema, alguma decisão na vida, alguma coisa que queiram falar, têm alguma curiosidade, alguma pergunta, podem deixar. É safe space este e-mail ou o Instagram. E a ideia é, com base nos temas que eu vá abordando com elas nos episódios, também trazer uma coisinha ou outra, um dilema ou outro, que vão chegando para estes dois canais. Essencialmente, aquilo que também percebi em termos de análise de podcast e este tempo que tive também para pensar um bocadinho sobre isto, foi que eu quero dar um bocadinho mais de mim e que eu tenho sentido que me tenho fechado um bocadinho. E vamos passar para a rosa, espinho e semente, e eu vou já entrar por aqui e este vai ser o meu espinho dos últimos tempos, diria que até os últimos meses, em que eu sinto que, na verdade, eu até trouxe isto para um jantar que tive com umas amigas. Já vos contei aqui que eu fiz o friendstorm. Acho que contei isto quando fui no episódio com a Mónica, que fiz o friendstorm, que foi um jantar em que eu juntei amigas minhas que não se conheciam de lado nenhum, mas que são super minhas amigas e que eu senti que ao juntá-las num jantar poderia fazer sentido, porque a vibe é parecida. E fizemos um jantar e esta vibe destas minhas amigas é muito... São pessoas que ou têm os seus próprios negócios ou têm ambição, são pessoas que pensam fora da caixa e que querem mais do que só trabalhar para outrem. E têm essas ambições de explorar coisas por elas e criar projetinhos e meter-se em coisas novas e diferentes. Todas elas que eu escolhi para estarem ali têm um bocadinho disso. E então nós tivemos este jantar, eu criei uma dinâmica, fiz algumas perguntas, criei assim uns cartõezinhos em que íamos falando sobre algumas questões assim um bocadinho mais deep, todas muito à volta não só de negócios e de futuro e de projetos, mas também muito de desenvolvimento pessoal, de ambição, de sucesso, o que queremos atingir. E também lancei o desafio de, com base naquela conversa toda que nós estávamos a ter ao jantar, de cada uma de nós definir um objetivo que queria alcançar até ao próximo jantar de friendstorm. Portanto, nós fizemos este jantar em julho, o próximo vamos fazer em setembro, que ainda não marquei, mas vou marcar entretanto, que é basicamente definir um objetivo para depois no próximo jantar, nós termos esta accountability enquanto grupo de que íamos fazer isto acontecer. E aquilo que eu percebi ali no jantar, e que muitas vezes eu acho que nós estamos tão a viver a nossa vida, piloto automático, que nem sequer paramos para pensar no que é que podíamos melhorar ou o que é que nos está a afetar mais, seja em termos de trabalho, seja em termos pessoais. E eu até acho que faço esse exercício muito consciente, seja em terapia, seja na escrita, em journaling, mas acho que para mim, falar em voz alta e estar rodeada de pessoas que puxem por esse meu lado ajuda-me A chegar mais diretamente ao ponto da questão. E eu cheguei à conclusão nesse friendstorm que havia uma coisa que eu gostava de trabalhar em mim, que me andava a incomodar nos últimos tempos, diria, que é ser mais eu e dar mais opinião nas redes sociais. Eu sinto que quando eu comecei há oito, nove anos atrás, eu era um bocado I don't give a fuck para tudo. Não queria mesmo saber e foi por isso que fui para o YouTube, comecei vídeos cringe enquanto estava na FEUP a estudar e eu não queria saber se as pessoas falavam de mim. Mas à medida que fui crescendo, eu não sei porquê, mas eu fui me fechando um bocadinho mais ou polindo mais ou tendo mais cuidado. E é normal, porque também tenho mais exposição, é normal que isso me assuste mais e que eu tenha mais cuidado com aquilo que partilho. Mas, por exemplo, tenho aqui pessoas que eu trago, como estas férias estivemos a ouvir em conjunto, que eu fui de férias com as minhas amigas e estávamos a ouvir no carro o episódio do Dr. Love, que é um episódio que eu gosto muito, que eu gostei muito da conversa com ele. E eu estava a ouvir e eu tinha tanto para dizer sobre tanta coisa e fiquei calada. E é um bocadinho isto que me irrita, porque eu sinto que me estou a balizar muito na forma como eu comunico, naquilo que eu digo, porque penso o que os outros vão pensar, o que os outros vão achar de eu estar a dizer isto, isto e isto. Tudo aquilo que envolve opiniões não fora da caixa, mas opiniões e que seja um bocadinho mais aberto, eu tenho receio e balizo-me muito. E sinto que apesar de eu ser eu e tentar ser desde sempre o máximo autêntica consigo na net e na vida, eu sinto que há ali uma parte de mim que não está a passar. E eu cheguei a esta conclusão então neste jantar com as minhas amigas e estávamos a definir os nossos objetivos e eu defini que ia trabalhar isto em terapia, que iria ser esse o meu próximo objetivo de trazer este tema, de perceber porquê, se eu me balizo porque penso em outras pessoas, pessoas específicas que vão ver o meu conteúdo, ou se é só porque tenho medo do que as pessoas vão dizer sobre determinada opinião que eu tenha. Porque genuinamente, eu hoje em dia até olho para pessoas que falam na net ou que expõem as suas opiniões, pessoas que não querem saber e que são só tipo "é assim que eu sou, estou me a cagar e não tenho limites" e eu acho isso tão cool, acho isso tão atrativo, não sei. Acho que é por ser uma característica tanto que eu gostava de ter em mim, que eu acho isso mesmo atraente. E olho para esse conteúdo e para essas pessoas e para essa postura na vida e fico tipo, eu também quero não ter essa baliza, não quero sentir que me estou a prender, que estou a tentar encaixar num lugar ou num papel que eu própria criei para mim mesma. E eu estou aqui a falar disso relativamente a redes sociais, mas acho que isso também facilmente se faz um paralelismo para qualquer aspecto na vida. E acho que isto, como as redes sociais e eu está tão ligado desde sempre, eu sinto que uma parte de mim está sempre presa. Sempre ali escondida. E eu tenho muito mais para partilhar, tenho muito mais espaço para ser eu, ainda mais. E este é o meu espinho, foi uma coisa que eu reparei que preciso de trabalhar e que com o "Amiga" faz parte 3.6, espero também conseguir libertar-me um bocadinho mais e ser cada vez mais eu. E é uma coisa que eu também tenho tentado trabalhar em terapia para perceber onde é que está a questão, onde é que está o problema e de que forma é que eu consigo contrariar cada vez mais isso. Porque por mais que pareça que uma pessoa que está na net tem de ter costas largas e está super habituada e não tem medos e está se a cagar para o que os outros dizem, se calhar não é bem assim. Se calhar é isso, nem tudo o que parece nas redes sociais é. E acho que at this point, nesta altura do campeonato, já todos devíamos saber isso. Portanto, eu sou muito agradecida pela Mariana de 20 anos, que começou na internet sem querer absolutamente saber de nada que os outros andavam a dizer, que ia para a internet fazer os vídeos de 15 factos sobre mim. Não gosto de futebol. Vídeos cringe, que as minhas amigas ainda me gozam hoje em dia, mas sou muito grata a essa Mariana, porque me fez chegar onde estou hoje. E também sou muito grata a esta que consegue vir para aqui e ser vulnerável desta forma, que eu acho que foi muito disso que também o "Amiga" faz parte, veio trazer, foi mais este meu lado mais emocional, mais deep, mais intenso, mas ao mesmo tempo, acho que ainda podia ser um bocadinho mais. Portanto, esse é o meu espinho, é uma coisa que eu também quero trabalhar. E nesta linha, antes de entrar na Rosa, uma coisa que também acho que afeta tudo isto é o fato de que eu não gosto muito de que o meu trabalho dependa de quantas pessoas gostam de mim. E eu estava a ouvir um episódio de podcast sobre isto esta semana e fez bué sentido. Isto lixa-nos mesmo a cabeça, principalmente a quem trabalha neste meio e que trabalha com exposição. Apesar de eu ter vários temas que eu comunico, no final do dia, eu tenho mais trabalho, ganho mais, tenho melhores resultados, quanto mais pessoas gostarem de mim. Isto é assustador de pensar, já viram? É assustador, porque num trabalho normal, precisam de agradar os vossos chefes, a vossa equipa, mas vocês têm o vosso trabalho e os vossos clientes têm o vosso trabalho Não depende da opinião que outras pessoas tenham vossas, da mesma mesma forma que o meu depende. É um bocado confuso, às vezes, na minha cabeça, de como é que eu consigo separar ambas as coisas, como é que eu consigo não me deixar afetar, por exemplo, não deixar que a minha vida pessoal afete o meu trabalho diretamente e não deixar de entrar neste loop de que eu tenho de agradar outras pessoas, eu tenho que fazer com que as outras pessoas gostem de mim. E por isso é que depois, a repercussão disto é, se eu quero que outras pessoas gostem de mim, então eu tenho de ao máximo controlar aquilo que ponho cá para fora, tenho de balizar imenso aquilo que estou a dizer, porque toda a gente tem de gostar de mim e tenho de ser gostada por todo o mundo, então eu tenho de ser o mais vanilla possível e não partilhar as minhas opiniões para agradar a toda a gente e depois ter mais trabalho e ser mais bem-sucedida. Estão a perceber a lógica? Isto é wild. Isto lixa-me a cabeça, juro. Eu amo o que faço, adoro isto, adoro estar aqui sentada. Adoro mesmo o meu trabalho, hoje ter sido sair de casa, vir para o estúdio e estar aqui a gravar, a falar e dizer aquilo que me apetece. Por outro lado, só estou a tentar partilhar um bocadinho daquilo que vai na minha confusão, na minha cabeça, no que toca a isto, a partilha, a isto da exposição, a isto de eu querer no máximo vos deixar entrar, mas também ter os meus limites. Entretanto, em relação à minha rosa, o que é que tem corrido bem nos últimos tempos? Para vos dar um contexto, eu estou a gravar isto a meio de agosto e este episódio está a sair praticamente um mês depois de gravar. Eu ainda vou de férias, eu cheguei agora a semana passada das minhas férias com as minhas amigas, que fui fazer a costa italiana. Fomos eu e mais duas amigas da faculdade, que costumamos fazer sempre as férias assim grandes em conjunto. E foi muito bom, porque nós durante o ano, vida corrida, é difícil termos tempo de qualidade em conjunto as três. E é aquele meu grupinho de faculdade, que é o core. Então foi muito bom nós termos duas semanas inteiras só para nós, só para estarmos as três juntas, que no meio da confusão é mesmo difícil que isto aconteça. Portanto, foi ótimo. E aquilo que eu queria também falar em termos de rosa, foi que, não sei se ouviram o último episódio antes de ir de férias, que eu acho que até deixei talvez como espinho a ansiedade que eu estava a sentir pré-férias sobre não poder treinar tanto, que estas férias em Itália iam afetar a minha rotina de treinos, que eu estou superconsistente na corrida e que me estava a sentir superbem. Estava superbem no ginásio, senti-me muito forte, muito consistente, muito disciplinada e muitas vezes, lá está, neste loop de cabeça de quem já esteve em muitos ciclos oito ou 80 na vida, em dietas, estilos de vida, treinos, etc. Causava-me imensa ansiedade eu ir duas semanas e ir para um sítio em que eu não sei se consigo correr, em que eu não sei se consigo treinar, em que provavelmente não vou conseguir fazer grande coisa. Então estava mesmo muito ansiosa. E a minha rosa é que, apesar de eu não ter conseguido fazer muita coisa, não consegui praticamente correr nada direito. Fiz algum tipo de exercício assim num terraço, pouca coisa, mas apesar disso tudo e de ter descambado, bebi álcool, mudei horários de sono, rotinas, dormidas. Apesar disso tudo, eu estive mega tranquila em relação a isso e não entrei num loop negativo. E isso deixa-me muito feliz, muito contente, porque eu sei perfeitamente que há dois anos, ou mesmo o ano passado, quando fui para Bali e isso aconteceu, afetou-me muito mais. Portanto, isto é mesmo um building brick by brick. E sinto que hoje em dia, eu saber que consigo sair da rotina duas semanas e estar bem com isso, e agora acabei de voltar e fui correr e estava ótima na corrida, senti-me superbem, superforte. Fui para o ginásio, também estava bem. Ou seja, em duas semanas não descambei ou não estraguei estes últimos dois anos que tenho vindo a trabalhar em termos de desporto e de rotina, descansa-me imenso, porque dá-me a liberdade para eu poder também ter momentos de pausa, para eu poder ter momentos em que vou só viver a vida e saber que consigo voltar rapidamente à minha vida, à minha rotina, à minha disciplina e que nada mudou. Portanto, é um descanso enorme. Para mim é uma rosa gigante, porque era uma coisa que me estava a trazer muita ansiedade. E acho que isto acontece porque é uma mudança de identidade, que provavelmente há dois anos ou o ano passado, se calhar, ainda não estava nesse ponto em que isto já sou eu, isto já faz parte da minha vida, então eu precisava de muito mais esforço para voltar à rotina, para me obrigar a voltar a correr, obrigar a ir ao ginásio, obrigar a voltar aos meus hábitos saudáveis. Como isto já faz parte de mim, eu já sei o que tenho de fazer e já só faço sem questionar duas vezes. Não fico deitada na cama a pensar: "Apetece-me, não me apetece ir." Já só vou. Eu acho que é por já fazer parte de mim que isso já deixa de ser uma questão. E é um alívio enorme. Portanto, sem dúvida que para além de ter adorado as férias, a minha rosa é esta sensação de liberdade que a rotina me está a trazer nos últimos tempos e que me descansa imenso. Relativamente à minha semente, uma coisa que a viagem a Itália me trouxe foi vontade de cozinhar, mas eu sei Eu sei que eu já falei aqui várias vezes que eu quero muito começar a cozinhar, cooking era e essas cenas todas. E já me comprometi aqui várias vezes, aliás, já estava com este bichinho antes, mas eu saí de lá com uma vontade de tirar um curso de culinária. Eu estou com esta vontade, está me aparecendo imensos cursos lá fora, giros, uma semana intensiva aprender a cozinhar. E eu saí de Itália, que é comida muito à base de aquilo que nós estávamos sempre a concluir era: a comida lá é muito simples, porque os ingredientes são bons e é só juntar bons ingredientes e as coisas resultam. Não é preciso complicar muito, não é preciso fazer coisas mirabolantes. Eu gosto disso na cozinha, de coisas mais simples, mas que depois todas juntas resultam. E é por aí que eu gostava, não tanto de aprender a fazer bolos, mas aprender a, no dia a dia, ter soluções e brincar mais com a cozinha no dia a dia, mesmo pela minha saúde, porque eu sinto que todos os meus hábitos estão superlimados e estou superrotina consistente de treino e tudo mais. E a nível de alimentação, apesar de eu estar com uma alimentação muito melhor do que eu estava, eu sou muito preguiçosa e acho que também tem a ver com o fato de cozinhar só para mim. Quando eu estava numa relação, a namorar, acabava por, ao jantar, principalmente, eu cozinhava sempre para os dois. Então acabava por me esforçar um bocadinho mais, porque eu tenho uma love language de acts of service e de cozinhar. Adoro receber as minhas amigas em casa e preparar entrada, prato, sobremesa, e esforço-me imenso e sou capaz de ir para a cozinha três horas e reservar esse final de tarde para estar ali três horas a ir ao supermercado, a preparar tudo, a receber as minhas amigas. Adoro isso porque é uma das minhas formas de mostrar amor. Mas no que toca a cozinhar para mim, eu tenho muita preguiça e acabo por fazer sempre ou cenas muito simples, que é frango e arroz, ou o desenrasque e às vezes até prejudicar a minha alimentação, porque vou comer torradas, que eu já falei aqui também uma vez, torradas e leite com chocolate. E não pode ser, somos adultas, tenho 28 anos e eu adoro cozinhar. Essa é a cena. É que se eu não gostasse e tivesse que me obrigar. Eu adoro. E no outro dia, do nada, foi um dia que me apeteceu imenso e peguei numa receita, que eu até partilhei no Instagram, uma receita de uma massa que até trouxe de Itália e fiz isso. Depois fiz granola, depois fiz panquecas. Foi um dia que eu cozinhei, fiz o jantar também. Fiz de manhã à noite, todas as coisas que eu tinha que fazer, eu cozinhei e fiz coisas diferentes. Não fiz frango e arroz. E eu adoro passar tempo na cozinha. Para mim é superterapêutico. Tenho só preguiça. E então eu cheguei de Itália com essa vontade. Tem me aparecido imensos cursos giros. Não sei se vai ser por aí ou se a minha semente vai partir só por eu começar efetivamente em casa a esforçar mais, a definir que quero experimentar uma ou duas receitas por semana e entrar por aí, mas é uma coisa que eu quero mesmo explorar e acho que agora também o outono, o entrar agora setembro, outubro, fall vibes, estou a ver de fazer banana bread e estas receitas na panela e coisas assim mais quentinhas e mais cozy, acho que me vai dar ainda mais vontade. E tenho que parar de achar que cozinhar é só quando recebo pessoas e quando estou com alguém. Também mereço comer coisas boas, cozinhadas por mim. Portanto, essa é a minha semente. E Itália ajudou um bocadinho nisso, portanto, ainda bem. E vamos fazer uma pausa no episódio de hoje para vos falar do patrocinador que está aqui de volta, que é a Aboutu, uma loja online multimarca, tem mais de 1500 marcas de roupa para várias ocasiões diferentes, seja desporto, coisas mais formais, casuais, encontram de tudo. Tem Levi's, tem Adidas, tem Nike, tem imensas marcas diferentes e é uma plataforma que acaba por ser muito mais conveniente se estivermos, principalmente agora nesta fase do outono, a querer renovar o nosso armário ou procurar coisas novas. Eu estou nessa fase, honestamente, em renovação. Estou a fazer aquelas coisas que eu estou sempre a dizer que preciso fazer aquela arrumação a sério. Eu estou a fazer agora porque setembro chega, é um novo ano, é um recomeço e nós chegamos com mais vontade de fazer acontecer. Portanto, estou agora nessa fase e estou também em encontrar coisas novas para acrescentar ao meu armário. Portanto, é uma boa sugestão para estarmos em casa, no nosso computador, no nosso conforto, podermos mandar vir e escolher com calma. E também tem uma vantagem grande de podermos devolver gratuitamente e também facilita em termos de pagamento. Não sei se vocês conhecem o método da Klarna, mas é basicamente poderem pagar em três prestações diferentes ou então 30 dias, o que acaba por ajudar, obviamente, para gerir orçamento, caso as compras sejam em quantidade. E para além disso, eu tenho também um código de desconto para partilhar convosco, que é AMIGA20, tudo em caps lock. Eu vou deixar também na descrição todas as informações deste desconto para vocês conseguirem ver e também o link para a Aboutu, mas fica aqui a minha sugestão, se estiverem também nesta fase, como eu estou, de renovação de armário ou não, ou se estiverem à procura de coisas novas ou eventos ou casamentos, que também agora parece que está toda a gente a casar. Mas é isso, fica aqui a minha sugestão e espero que ajude. E entretanto, eu queria falar aqui de um vídeo que eu vi esta semana e que me deixou imensa a pensar e acho que é um excelente tema para nós também debatermos aqui, porque é mesmo uma coisa que nós, enquanto sociedade, enquanto geração, redes sociais, sofremos bastante. E eu acho que nós temos que estar mais conscientes sobre isso e se calhar ter outra postura nas decisões que tomamos na vida. É um vídeo à volta da mimetic theory O título do vídeo do YouTube é: "Why Everyone is Living the Same Life?" Porque é que nós estamos todos a viver a mesma vida? Basicamente, a grande pergunta é: eu gosto das coisas que estou a escolher, a comprar, a viver, ou estou simplesmente a imitar tudo aquilo que eu vejo? E isto é harsh truth, é difícil de perceber e de questionar, mas basicamente é um filósofo que se chama René Girard, que veio com este conceito da mimetic theory, que é a teoria da mímica. E ele diz isto: "You don't want what you want because of who you are, you want what you want because the people you want to be have them." Tu não queres aquilo que tu queres por seres quem és, tu queres aquilo que tu queres, porque tu queres ser como as pessoas que as têm. Ou seja, vou pôr num nível extremo. Tu não queres um Ferrari, porque a tua personalidade, tu em ti, cresceste com este sonho de ter um Ferrari. Tu queres porque as pessoas com as quais tu te identificas e que tu te imaginas a ser, têm essa coisa que tu queres, têm esse Ferrari, então tu também o queres. E estou a usar o exemplo gigantesco, mas isto dá perfeitamente para percebermos relativamente a modas, a coisas pequeninas. Por que é que, de repente, qualquer pessoa aleatória quer um Labubu? O que é isso? O que são esses bonecos? Por que tu queres isso? Porque alguém que tem isso, tem um estilo de vida e tu queres ter e tu queres ser essa pessoa e por isso tu vais imitar e também querer esse boneco. Coisas como, por exemplo, a Whoop. Se entramos aqui em cenas de esporte, a Whoop, como a garrafa Stanley. Por que foi uma febre? Por que toda gente a quer? É porque é uma garrafa boa, sim, mas existem mil garrafas boas. Por que todos queremos a mesma coisa? Porque existe um estilo de pessoas que têm essa garrafa e que tu te imaginas que tu também queres ser essa pessoa e tu, na tua cabeça, apesar de nós sermos pessoas inteligentes e sabermos que isto não funciona assim, na nossa cabeça, então se eu tiver a garrafa, eu vou estar mais próxima de ser parecida com aquela pessoa e ter aquelas qualidades e, portanto, no final do dia, eu sinto que aquela pessoa é mais saudável, é mais feliz, é mais amada que eu e o meu objetivo da vida é ser mais amada e que as pessoas gostem de mim, e ser mais feliz. E se eu sinto que aquela pessoa que tem aquele estilo de vida, e que tem aqueles objetivos e já atingiu aquilo tudo, tem mais disso, então eu também vou ter de comprar aquela garrafa para ser mais parecida e estar mais perto de chegar lá. Faz sentido? E isto digo com uma garrafa, como digo com ir ao Japão, como digo até comprar uma casa. Isto depende do ambiente em que nós estamos inseridos. Em Portugal, é muito normal que um stepping stone na tua carreira, no teu percurso e na tua vida, seja comprar uma casa, é acabar o curso, arranjar um trabalho, ter um namorado, comprar uma casa. É um stepping stone. E se tu não tens esse stepping stone, então tu estás a ficar para trás e tu queres fazer parte desse grupo de pessoas que está a andar para frente. Mas se tu fores a outro país qualquer, mesmo aqui na Europa, há muita mentalidade de não comprar casa, preferir arrendar e pôr esse dinheiro a render noutro lado. Mas se tu tivesses essa postura em Portugal, tu vais te sentir para trás, tu vais sentir que não estás onde tu devias estar. Então tu acabas por, se calhar, tomar decisões na tua vida por mímica, porque estás a imitar as pessoas à tua volta e as pessoas que tu acreditas que estão à tua frente e que tu também queres fazer parte desse movimento. Estás a imitar pelos teus surroundings, pelas pessoas que tens à tua volta, pela tua circunstância. E tomamos decisões, como comprar uma garrafa da Stanley ou decisões grandes como comprar uma casa, com base na mímica. E é isto que este vídeo explica. Isto até me deixou a pensar: será que eu quero mesmo andar de bicicleta? Será que eu quero fazer um Ironman? Será que eu quero correr uma meia maratona? Todas estas coisas, isto aqui é mímica daquilo que eu ando a ver. Será que era eu, a minha personalidade, se eu não visse aquilo que vejo nas redes sociais, será que eu ia estar a fazer um Ironman? Será que é para mim? Todas estas decisões que acabam por impactar e ter um peso enorme na minha vida, será que estou a tomá-las por mim ou estou só a imitar aquilo que estou a ver? Pronto, e ele debate muito isto, debate muito esta teoria da mímica, que me faz todo sentido, porque é verdade, se calhar, antigamente, os nossos pais, as gerações anteriores sem redes sociais também imitavam outras pessoas, imitavam as pessoas que estavam à sua volta, na sua vila, comparavam-se e faziam essa mímica. Mas hoje em dia eu acho que as redes sociais extrapolam tudo isto e levam a um nível de rebanho, de efeito manada mesmo, que é surreal. Ao ponto de tu sentires FOMO por uma coisa que se calhar nem querias. Mesmo a cena do eclipse que aconteceu agora há uns tempos. Eu não vi o eclipse porque eu estava em Itália. Eu senti FOMO por não estar em Portugal para ver a porcaria do eclipse. Claro que é um evento astrológico que acontece só muito raramente e que provavelmente nunca mais vou ver nada assim na minha vida, mas também não era tudo isso. E este efeito manada, este efeito de criar um FOMO de coisas que se calhar nem querias. Não sei, deixou-me mesmo a pensar, porque acho que faz mesmo bastante sentido nós nos questionarmos sobre isto e nós percebermos Se estamos a tomar decisões por nós ou se estamos só a deixar-nos levar pelo efeito manada, pela mímica que o ambiente à nossa volta nos está a causar. Mesmo, por exemplo, nos últimos tempos tem me apetecido nunca partei aqui, acho eu. Tem me apetecido ir para a Austrália. Estou com esta, agora estou com esta. Estou com esta que apetece-me. Não sei se vou fazer ainda. E este vídeo também me fez questionar o porquê de eu querer ir para a Austrália. Mas apetece-me ir dois meses para a Austrália. Estou com muita vontade de fazer isto, de ir, largar tudo, ir sozinha, viajar, ter uma experiência. Por que me apetece a Austrália em específico? Porque eu identifico muito estilo vida saudável, pessoas muito motivadas, proativas, bem ambiciosas. Ao mesmo tempo super vibe de corrida, de bem-estar. Associo muito a Austrália a isso. Com base em quê? Naquilo que vi nas redes sociais. Agora, por que eu quero ir para a Austrália? Quero imitar alguém que eu tenha visto? Muito provavelmente. E isto é uma cena que é tão inconsciente que se nós não pararmos para pensar, nem sabemos de onde isso está a vir. Às vezes acordo e me apetece fazer um Aerox. Por quê? Porque se calhar ontem vi um vídeo de alguém que fez um Aerox e que parecia mega feliz. E na vida nós queremos ser todos mais amados e mais felizes. E isto vai para além destes objetivozinhos, vai para além disto, de fazer estas coisas, de correr estas meias maratonas e de comprar estas garrafas. Vai muito também para os objetivos que nós definimos na nossa vida. Estamos a defini-los porque é aquilo que nós queremos ou estamos a defini-los porque estamos a imitar alguém, porque estamos a querer ser outra pessoa que não somos, e então vamos pensar nos objetivos que essa pessoa iria definir para ela própria, para nós um dia conseguirmos estar mais perto dessa pessoa. Estão a perceber aquilo que eu quero dizer? Acho que nós todos queremos fazer parte de uma comunidade, todos queremos pertencer, todos queremos ter este objetivo final de que mais pessoas gostem de nós, sentirmos amados, sentir que somos bem-sucedidos e sentir aquela sensação de pertença. E acho que tudo aquilo que se calhar estamos a escolher é muito inconscientemente, com base em comparações que vamos fazendo e maior parte delas são irreais, porque nem sequer estamos a ter consciência do que está do outro lado. Isto porque, falando em comparações em redes sociais e mesmo fora delas, muitas vezes nós ambicionamos certa coisa. Eu ambiciono correr aquela meia maratona, porque aquela pessoa parece super feliz ao correr aquela meia maratona, porque pôs um vídeo de um minuto em que pareceu mega feliz e contou a sua experiência. E depois tu vais correr aquela meia maratona, com aquela expectativa de ter aquela sensação mega êxtase, que aquele vídeo de um minuto te passou daquela pessoa, e entrar naquele estado de espírito que aquela pessoa também te pareceu estar. E corres essa meia maratona, acabas a prova e pensas: "Por que eu não estou a sentir êxtase? Por que eu não estou a sentir assim? Por que não estou a viver aquilo que aquela pessoa viveu?" Porque se calhar aquela pessoa também não viveu aquilo daquela forma, montou as coisas daquela forma para te passar essa energia e essa vibe. Portanto, nós estamos nos a comparar com coisas que nem sequer são a realidade. E estou a falar sobre redes sociais, como também comparares com a pessoa que estudou contigo no secundário e que agora está a partilhar na net ou a partilhar contigo numa conversa que se vai casar e que não sei o quê, que isto ou aquilo, e tu também queres viver aquilo, também queres ter aquela sensação que aquela pessoa te está a passar e se calhar em casa ela nem sequer está assim tão feliz sobre essa relação ou não sequer está assim tão feliz com essa maratona, ou está a ter outros problemas, outras questões, e nós nunca sabemos o que está do outro lado. E estamos constantemente, a todo segundo, a comparar-nos com aquilo que nós vemos e não vemos. Portanto, o vídeo fala muito disto e fala muito sobre o fato de que se nós estamos todos a imitar os mesmos modelos e estamos todos a tentar correr para o mesmo lugar, por que depois estranhamos sentirmos tão vazios quando atingimos uma coisa que se calhar nem era aquilo que nós queríamos? E esta é a reflexão. Onde é que nós saímos deste ciclo, onde é que nós quebramos estes padrões de estar constantemente a tomar decisões que não são por nós? O que ele explica no vídeo que acha que deve partir por aí a solução, que não há bem uma solução, porque estamos todos um bocado envolvidos nisto, mas tentar um bocadinho conscientemente quebrar esse padrão. Ele chama a isto como é viver uma vida "anti-mimemic life", portanto, uma vida antimímica. Como é que conseguimos criar aqui uma solução para isto não ser a nossa realidade? Primeiro, ele diz que é inevitável nós compararmos, é inevitável essa comparação acontecer. Portanto, primeiro lugar, definir melhor os role models, portanto, definir melhor as pessoas com quem nos queremos comparar, porque muitas vezes, se calhar, inconscientemente, acabamos por fazer essas comparações com pessoas, por exemplo, vou dar um exemplo bem concreto. Eu tenho duas vertentes, dois segmentos bem fortes na minha vida neste momento, em termos profissionais e pessoais, que é o desporto, que sou super ambiciosa, que tenho objetivos e quero correr mais rápido e tudo mais, e provas, etc. E tenho a parte do meu trabalho, portanto, ser melhor podcaster, ter melhor qualidade de conteúdo, trabalhar com melhores marcas. Sou super ambiciosa nestas duas áreas e muitas vezes, inconscientemente, acabo a comparar com pessoas que têm um trabalho normal, que se calhar nem gostam Não estão a adorar a sua vida, mas têm ali a parte do desporto e focam-se 100% nisso e estão a atingir objetivos mais rápidos em termos de desporto, estão a conseguir chegar mais longe, correr mais rápido. Parece que têm mais disciplina do que eu, que treinam mais que eu e que estão a fazer mais que eu. E eu olho para a vida delas e eu não trocaria. Eu prefiro mil vezes a minha vida e aquilo que eu estou a fazer, porque eu estou a construir em dois lados, mas eu estou-me a comparar com uma pessoa que está mais à frente que eu no desporto e que, se calhar, até já faz desporto há mais anos. Inconscientemente, estou-me a comparar e estou a deixar desmotivar por causa disso. Portanto, escolher melhor os role models. Se vamos nos comparar, e isto é inevitável, então vamos escolher melhor as pessoas com quem nos estamos a comparar ou ambicionar ou a seguir, a acompanhar. E seja na vida pessoal, seja na net. Acho que é super importante e isto é um trabalho também que tenho vindo a fazer nos últimos tempos de tentar me policiar quando vejo que isto está a acontecer e que, se calhar, eu nem sequer queria a vida daquela pessoa. Depois, o exercício de tentar ver as coisas de fora e de questionarmos todas as decisões que tomamos na vida e aqui no podcast acabo por também partilhar muito disto. Acho que o nós nos conhecermos e nós questionarmos aquilo que estamos a fazer é das coisas mais importantes. Por isso é que para mim o journaling, que é a minha ferramenta principal para fazer isso, me ajuda muito. É o falar em voz alta. Mesmo aqui o podcast é uma terapia para mim, de eu me questionar e de eu trazer estas questões para cima. Acho que é super importante nós percebermos porque é que estamos a fazer aquilo que estamos a fazer. Seja tomar decisões, porque é que eu quero ir para a Austrália, porque é que eu quero comprar uma casa, porque é que eu quero ir para aquele trabalho, seguir aquele caminho, porque é que eu quero comunicar daquela forma, porque é que eu quero competir aquela prova. Questionarmos porque é que estamos a fazer isso, se é por nós, porque queremos mesmo, ou se queremos parecer que estamos a seguir o caminho para chegar àquela pessoa que nós idealizamos. E depois no final do dia, uma coisa que ele fala muito é ter core values tão fortes que transcendem tudo isso. Então se o teu core value na vida, o teu valor principal, é tu procurares e trazeres amor para tudo aquilo que tu fazes, então todas as decisões, tudo aquilo que tu vais decidir na tua vida, desde as mais pequenas às maiores, vão ter como base: "Isto está a magnify love in my life, está a aumentar o amor na minha vida. Sempre que este é o meu objetivo principal, está a fazer esse caminho ou não?" Se o meu maior objetivo é sentir-me realizada. Definir muito bem quais são os teus valores intrínsecos e a partir daí todas as tomadas de decisão, saber que as estás a tomar para seguir em linha com isso. E eu acho que inconscientemente é uma coisa que eu tenho vindo a fazer nos últimos tempos, que eu acho que um dos meus maiores objetivos na vida, o maior clichê de sempre, mas é mesmo ter paz e estar feliz, que é uma coisa que se calhar não tive sempre na minha vida. E quando tu encontras um momento ou uma fase da vida em que tu estás mega tranquila, encontras essa paz e essa felicidade só no dia a dia e não só no êxtase de grandes coisas. Eu acho que sempre que eu tomo decisões agora na minha vida, eu tenho sempre isso bem presente. Eu estou a fazer isto porque me está a fazer feliz agora, sim ou não? Para tentar também acalmar as ansiedades do futuro. Estou a fazer isto porque é uma coisa que me vai trazer mesmo felicidade, vai me trazer paz, vai me fazer sentir bem, que eu quero é isso. Eu quero me sentir bem comigo, sentir bem em tudo aquilo que eu faço. Então todas as decisões que eu vou tomar vão ser focadas em: isto faz-me sentir bem, é por aqui o caminho, é isto mesmo que eu quero, que me vai trazer felicidade neste momento. Então se sim, é um sim claro. Se não, então é porque se calhar estou a tomar a decisão com base noutras pessoas e não em mim. Há aquela frase clichê que se diz muitas vezes, mas que é verdade, que é: "We buy stuff we don't need to impress people we don't like with money we don't have." E é isto, é viver uma vida de aparências, de tentar ao máximo mostrar uma coisa que nós não somos. Lá está, acho que também um dos meus principais core values é ser unapologetically yourself, é ser 100% eu em tudo aquilo que faço, daí o meu espinho também ser aquele de eu sentir-me presa por não estar a ser eu. Daí as decisões que, se calhar, quando estou a escolher alguém para estar comigo, um parceiro, seja um dos principais critérios, eu conseguir ser 100% eu com essa pessoa. Mesmo em amizades, idem. É um barómetro para mim, de pessoas que eu escolho, de decisões que eu tomo, de decisões que eu tomo no meu percurso profissional, na minha vida pessoal, é eu garantir que consigo ser 100% eu e que não estou a fingir para me encaixar. E esse core value é para mim um barómetro para eu tomar as decisões na minha vida. Portanto, acho que, resumindo, se calhar isto está a ser um bocado confuso, mas resumindo, o que o vídeo explica é um bocadinho trazer esta realidade e pôr-nos a questionar mais, de que se calhar estamos a tomar decisões que não são bem aquilo que nós queremos e só nos estamos a deixar levar e para pararmos de andar em efeito manada. E depois, por outro lado, sabendo que isto é um problema, sabendo que isto é uma realidade, o que é que tu podes fazer para contrariar isto? E acho que é isto, é ter consciência e é saberes muito bem quais são os teus valores e o que é que tu queres para ti. E a partir daí, todas as decisões parece que são mais fáceis de tomar. Porque tiras o peso de tudo o que os outros vão pensar, o que vão dizer, o que vão achar. Não interessa. É por aí que tu sentes que é o teu caminho e que os teus valores te dizem que é por ali, então é porque é. Portanto, o vídeo no YouTube aconselho muito a ver. Acho que para mim, deu mesmo que pensar. E é uma coisa que, não só por este vídeo, mas é uma coisa que eu também penso bastante e que tenho vindo também ao longo deste trabalho que tenho feito mais em mim e em terapia e tudo mais, a tentar descolar o que os outros vão pensar, o que os outros pensam de mim, descolar desta sensação. Isto está tudo interligado e vai, obviamente, ligar-se com o ponto que falei no início. Portanto, é isto, é a reflexão que eu deixo aqui para hoje. Espero que tenha feito algum sentido. Espero que também traga algum tipo de questões para vocês. É também importante isto, eu quando saí deste vídeo do YouTube fiquei mais confusa do que eu entrei, mas ao mesmo tempo acho que é importante nós nos questionarmos daquilo que estamos a fazer, das decisões que estamos a tomar e questionarmos a nossa vida e não deixarmos só estar em piloto automático e continuar, e se calhar nem estamos a continuar no caminho certo. Portanto, é isto. Estou muito entusiasmada com o regresso do podcast. Estou muito entusiasmada com ter aqui amigas minhas, ter conversas interessantes, temas diferentes. Tenho muitas ideias que eu quero para os próximos tempos, para este "Amiga, faz parte 3.0". Já sabem que têm aqui um espaço, um safe space aberto também para vocês mandarem as vossas coisas, os vossos dilemas. amigafazparte@gmail.com ou no Instagram do @amigafazparte. E é isso. Por hoje vai ser isto. Espero que tenham gostado desta reflexão, de perceber e de entrar um bocadinho nesta cabeça caótica e confusa. Mas é isso que se passa neste momento e entusiasmada com este recomeço de setembro e com os próximos tempos. Portanto, vemo-nos no próximo episódio. Não é fácil, eu sei, mas, amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume?
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