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Tuesday, September 22, 2026

Análise: Cuiabá atrai marcação, ataca pelas laterais e sufoca o adversário

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O Náutico terminou com mais tempo com a bola, principalmente na segunda etapa, quando precisou sair em busca do resultado. Mesmo assim, encontrou dificuldades para transformar esse volume em oportunidades claras, enquanto o Cuiabá conseguiu levar perigo com frequência.

No primeiro tempo, foram 17 finalizações do Cuiabá contra apenas três do Náutico. Depois do intervalo, o cenário mudou: o time pernambucano passou a ter mais a bola e finalizou nove vezes, contra 11 do Cuiabá. A diferença estava na maneira de atacar. O Náutico precisou buscar o jogo, enquanto o Cuiabá continuou encontrando espaços para acelerar e chegar à área.

Treinador completou um ano no comando do Cuiabá

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Velocidade pelos lados

O Náutico tentou fazer pressão sobre a saída do Cuiabá e adiantar as linhas. A resposta foi subir também o bloco e, depois da recuperação, acelerar principalmente pelas laterais. Em outros momentos, a equipe da casa segurava a bola e atraía a marcação para dentro, fazendo o adversário avançar e abrindo espaços nos lados.

Destaque: Fábio Gomes

O centroavante baixava para participar da construção e funcionava praticamente como um segundo meia ao lado de David Miguel. Com a bola, ajudava a criar superioridade por dentro e atraía marcadores. Sem a posse, Jean Dias e Kauan Cristtyan formavam a primeira linha de pressão, enquanto Fábio Gomes ocupava uma faixa mais recuada.

A equipe também mantinha muitos jogadores próximos da área adversária, chegando a colocar cerca de quatro atletas dentro da área para atacar cruzamentos e jogadas construídas pelos lados.

O primeiro gol é um bom retrato desse funcionamento. Foram 23 toques na bola e 10 passes até a conclusão de Lorenzo. Fábio Gomes recuou, enquanto Lorenzo atacou o espaço deixado pelo centroavante e avançou para ocupar a posição mais adiantada. A movimentação abriu caminho para a chegada do lateral-esquerdo dentro da área, que apareceu para marcar de cabeça.

Fábio Gomes participou diretamente dos dois primeiros gols. No segundo, deu o passe de calcanhar para Kauan Cristtyan finalizar. O atacante também terminou a partida com 14 passes certos em 14 tentativas e venceu seis duelos de oito.

Lorenzo e Kauan Cristtyan — Foto: Francisco Alves/AGIF

Bolas aéreas levam perigo, mas resposta é imediata

O Náutico teve duas situações de maior perigo no primeiro tempo, uma em cobrança de falta de Jean Carlos, defendida por João Carlos, e outra durante a saída momentânea de Fábio Gomes para atendimento, quando o Cuiabá baixou as linhas e permitiu uma grande chance ao adversário.

Na segunda etapa, o Náutico passou a explorar mais as bolas aéreas e criou cerca de três situações de perigo, com João Carlos fazendo defesa de reflexo após finalização de Kauã Maranhão e Jean Carlos quase marcando um gol olímpico.

Imediatamente após a pressão inicial do Náutico, o time mato-grossense ampliou a vantagem.Lorenzo participou das movimentações ofensivas, alternando a posição central com ataques pelo lado e combinações com Jean Dias, enquanto Igor Inocêncio avançava para fazer cruzamentos e chegar à linha de fundo.

A movimentação dos dois pelos lados dificultou o encaixe defensivo do Náutico, que já havia apresentado problemas naquele setor no primeiro tempo. Foi por esse caminho que surgiu o terceiro gol.

Jogadores comemoram primeiro gol do Cuiabá contra o Náutico — Foto: AssCom Dourado

Recuperação e força física

O Cuiabá também conseguiu levar vantagem nas disputas e nas recuperações. Depois da partida contra o Náutico, a equipe chegou a 274 interceptações na competição, segunda melhor marca da Série B. João Basso lidera o quesito individualmente, com 47 interceptações.

A recuperação da bola foi importante para acelerar os ataques antes que o Náutico conseguisse reorganizar a defesa. João Basso e Vitor Mendes participaram bem desse processo, enquanto Calebe ajudou na saída e na circulação. O Cuiabá conseguiu adiantar as linhas e manter o adversário distante da própria área na maior parte do jogo.

Fisicamente, a equipe também levou vantagem. O Cuiabá sustentou o ritmo, competiu nas disputas e conseguiu pressionar a saída adversária em vários momentos. Mesmo quando o Náutico teve mais posse, não conseguiu transformar o controle da bola em domínio.

Posse não foi sinônimo de domínio

O Náutico teve mais posse em determinados momentos, especialmente depois do intervalo, mas o time da casa continuou encontrando espaços, recuperando a bola e chegando ao ataque com velocidade.

A diferença esteve na maneira como cada equipe utilizou a posse. O Náutico precisou trocar passes para tentar avançar, enquanto o Cuiabá alternou circulação, atração da marcação e aceleração. Quando encontrava o espaço, atacava com vários jogadores e colocava a defesa adversária em situações de um contra um ou com pouca proteção.

Segundo turno do Cuiabá

São 16 gols marcados em 10 partidas, com cinco vitórias e apenas uma derrota. O ataque melhorou, enquanto a defesa sofreu 22 gols em 29 rodadas, segunda melhor marca da Série B. Com 43 pontos, o time chegou a três do G-6 e mostrou, diante do Náutico, que pode controlar uma partida sem depender exclusivamente da posse de bola: atrai a marcação, encontra os lados, acelera as jogadas e transforma os espaços em chances de gol.

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