14h. UE condena ataques dos colonos a diplomatas europeus
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Vamos às notícias. Notícias na Rádio Observador com os de Rafael Lopes e começamos com os manifestantes acampados em Lisboa e no Porto, que pretendem manter-se em protesto ao longo deste domingo.
Ontem já passaram a noite quer no Rossio, em Lisboa, quer na Praça Dom João I, no Porto. Hoje pretendem continuar acampados em protesto pelo preço da habitação. A esta hora, o ambiente está calmo, com relatos de que os manifestantes estão mesmo a limpar o espaço que ocupam. Na capital, dezenas de pessoas prometem passar mais uma noite na rua, um cenário que vai ser decidido em nova assembleia popular agendada para às 19h, sendo que há apelos para que as pessoas desmobilizem. A ex-deputada do Bloco de Esquerda, que substituiu o Fabian Figueiredo temporariamente no Parlamento, está no local. Andreia Galvão passou a última noite com os manifestantes e garante que vai voltar a pernoitar na Praça do Rossio. Diz que o desejo é que o protesto decorra sem incidentes, mas avisa que há o objetivo de incomodar quem contribui para a especulação imobiliária, incluindo o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas.
Nós dizemos que seja um protesto pacífico, mas, na verdade, o impacto deste protesto é também o seu prolongamento. Ou seja, se fosse um dia e nós depois vamos para casa, não teria o impacto, que é um efeito prolongado de incômodo. Precisamente, incomodar o Carlos Moedas é uma coisa que nós não temos problemas nenhuns em provocar, tendo em conta o incômodo que ele provoca com a especulação imobiliária e o incômodo que provoca, como por exemplo, não regular o alojamento local, o incômodo que provoca aos inquilinos que não conseguem alugar uma casa e as pessoas têm que emigrar. Portanto, se o efeito colateral é incomodar as pessoas que provocam a especulação imobiliária, então é isso.
O Bloco de Esquerda defende que o governo recue na nova lei do arrendamento. Sobre uma eventual reação do executivo, a ex-deputada bloquista deixa críticas a Luís Montenegro e diz que essa reação do governo já chegou.
O governo já reagiu, que foi através da repressão policial a um problema que é estrutural, tentando desviar sistematicamente o debate para um debate sobre a polícia e sobre a violência. Não é esse o debate que nós queremos fazer. Nós sabemos que há uma nova lei do arrendamento, que foi aprovada, está a ser negociada na especialidade e que vai haver uma aprovação final global. Nós queremos que essa lei seja travada. Isso, por exemplo, é o nosso ponto de começo, mas isso é tentar atenuar a crise já muito intensa que estamos a viver. Nós queremos que haja soluções no arrendamento acessível.
Andreia Galvão, do Bloco de Esquerda, que faz parte desta manifestação que junta dezenas de jovens que prometem ocupar com tendas durante mais uma noite a Praça do Rossio.
No Porto, o acampamento foi montado na Praça Dom João I.
Os manifestantes pela habitação na Cidade Invicta acreditam que o acampamento em Lisboa reflete também o impacto do movimento, que já está a ser temido pelo governo. Romeu Gonçalves, um dos jovens que passou a última noite na Praça Dom João I, saúda a mobilização no Porto e na capital e diz que tanto Luís Montenegro como Pedro Duarte já se retraíram nas primeiras críticas que fizeram aos manifestantes.
O governo está com medo da situação. Por quê? O governo usou palavras de brutalidade extrema e já se estão a retrair. E isso diz tudo. O primeiro-ministro é uma pessoa extremamente orgulhosa, é uma pessoa com um ego enorme e que tem a lata de dizer que nós somos egoístas. E é notável ver que ele teve de se retrair e o Pedro Duarte também procurou retrair isso, apesar de tentar ser brutal na mesma.
Romeu Gonçalves, um dos manifestantes, em conversa com Miguel Pinheiro Correia, depois de uma noite sem dormir, com receio de uma possível carga policial, que não chegou a acontecer nem no Porto nem em Lisboa, admite este manifestante que se sentiu motivado a alinhar no movimento depois ter visto as imagens da investida policial da madrugada de quinta-feira.
E o ministro da Habitação diz ver estes protestos com enorme preocupação.
Mas Miguel Pinto Luz diz também que o atual governo não pode ser responsabilizado pela crise no setor.
Olhe, com enorme preocupação. Acho que a população quando se manifesta, manifesta-se com razão, porque sente, porque dói, porque há dor. Hoje, o problema da habitação é um problema que aflige muita, muita gente. O governo está absolutamente ciente disso. E, portanto, este governo pode ser acusado de muitas coisas, mas não pode ser acusado que as medidas de facilitação da vida dos senhorios, de diminuição da carga fiscal, é que impactaram no valor das rendas. Não, porque elas não estão em vigor.
Miguel Pinto Luz, em entrevista à Antena Um e ao Jornal de Negócios, saiu ainda em defesa do presidente da Câmara do Porto, diz o ministro que Pedro Duarte está a fazer um bom trabalho na autarquia.
Mudamos de tema. Segunda-feira traz mexidas no preço dos combustíveis. A gasolina vai descer, mas o gasóleo volta a subir.
O gasóleo simples vai subir cinco cêntimos, enquanto a gasolina desce um cêntimo e meio. São os valores divulgados pela ANAREC e já têm em conta o ajustamento do apoio extraordinário do valor do ISP. Isto significa que a partir de amanhã o preço do gasóleo simples vai estar nos €2,19, a gasolina nos €2,09. Estes valores são referência e podem alterar dependendo da bomba de combustível.
E o Papa Leão XIV apareceu hoje pela primeira vez em público, depois de ter sido diagnosticado com câncer no pulmão, recebido com euforia por milhares de pessoas.
O líder da Igreja Católica mostrou-se hoje de manhã aos fiéis na janela do apartamento na Praça de São Pedro, no Vaticano. Ainda antes de fazer a oração do Angelus, foi recebido com fortes aplausos da multidão. Após um dia, apenas um dia depois de Leão XIV ter saído do hospital de uma operação que confirmou as suspeitas de câncer do pulmão, nesta primeira aparição em público, o Papa informou que vai regressar às atividades de forma gradual e deixou um agradecimento aos médicos do Hospital Gemelli, em Roma, onde esteve internado nesta última semana.
Superada esta fase delicada, como sabem, agora vou retomar gradualmente as minhas atividades, sempre com a ajuda de Deus e das vossas orações. Mais uma vez, obrigado. Grazie ancora.
O agradecimento do Papa Leão XIV na habitual oração de domingo no Vaticano, apenas um dia depois de ter tido alta hospitalar, foi ovacionado pelas milhares de pessoas que estavam esta manhã na Praça de São Pedro, no Vaticano.
Em França, o número de detidos depois dos protestos subiu para mais de 1800.
Número provisório divulgado pelo ministro francês do Interior na rede social X, numa publicação em que Laurent Nunez sublinha que os atos de violência foram cometidos por milhares de indivíduos de extrema-esquerda, à semelhança do que tinha dito ontem o primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu. Laurent Nunez acrescenta que há ainda 500 membros das forças da autoridade feridos. O ministro francês do Interior escreve que nada pode justificar o que aconteceu ao longo do dia de ontem e que não se pode realizar um protesto semeando a desordem e a violência de forma coordenada. O primeiro-ministro francês vai hoje presidir a uma célula interministerial de crise para analisar os tumultos de ontem. Sébastien Lecornu pediu às procuradorias que requeressem prisão preventiva para todas as pessoas que foram detidas. São mais de 1800. A imprensa em França adianta ainda que há pelo menos cinco feridos em estado crítico nos hospitais depois da violência que se registou em França.
No Médio Oriente, o novo ministro da Defesa do Irão promete ripostar contra vizinhos em caso de novos ataques dos Estados Unidos.
O novo governante do Irão tomou hoje posse após uma votação no Parlamento iraniano e nas primeiras palavras deixou já esse aviso. Diz o ministro da Defesa que os ataques iranianos seriam capazes de causar danos consideráveis no Médio Oriente. Após o discurso, o novo membro do governo recebeu um voto de confiança do Parlamento iraniano e deixou mais um aviso ligado a Donald Trump. Diz o novo ministro para que o presidente norte-americano se concentre apenas em garantir que as forças americanas são retiradas em segurança do Médio Oriente.
A União Europeia condenou os ataques sofridos por diplomatas às mãos dos colonos israelitas numa viagem à Cisjordânia.
A nota de repúdio foi conhecida hoje em comunicado da porta-voz da União Europeia para os negócios estrangeiros e pede que os colonos sejam responsabilizados. Em causa está o ataque que aconteceu ontem a uma delegação europeia que visitava a Cisjordânia ocupada. Um autarca francês que fazia parte da comitiva chegou mesmo a ser agredido. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de França também já reagiu. Pede às autoridades israelitas que tomem as medidas necessárias para garantir a segurança da população civil e também das missões diplomáticas, como é exigido pelo direito internacional. Além dos franceses, estavam também diplomatas belgas e polacos nessa comitiva.
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