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Sunday, August 16, 2026

Análise: Botafogo sucumbe na altitude e terá missão quase impossível para avançar na Sul-Americana

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O objetivo dos times brasileiros na altitude costuma ser sempre o mesmo: se adaptar à maior velocidade da bola, gerenciar a falta de ar e sair esportivamente vivo. Não foi diferente para o Botafogo, nesta quinta-feira, pela ida das oitavas de final da Sul-Americana, contra o Cienciano. O time alvinegro, no entanto, sucumbiu em Cusco e foi goleado por 6 a 1 - e agora terá uma missão quase impossível, tendo que reverter uma desvantagem de cinco gols, se quiser avançar às quartas.

Franclim Carvalho optou por mandar a campo um time misto na defesa e no ataque, mas errou nas escolhas, leves em excesso e pouco combativas no meio. Ponte e Marçal assumiram as vagas nas laterais de Vitinho e Alex Telles, enquanto Matheus Martins e Kadir foram as opções no último terço.

Escalação do Botafogo: Warleson; Ponte, Justino, Ferraresi e Marçal; Huguinho, Medina, Danilo e Montoro; Matheus Martins e Kadir.

Justino em Cienciano x Botafogo — Foto: Vitor Silva / Botafogo

Na entrevista coletiva, Franclim justificou as trocas dos laterais pelo estilo de jogo do Cienciano, que costuma abusar de cruzamentos na altitude. Na prática, as duas modificações saíram pela culatra, e os laterais foram pontos de desequilíbrio, permitindo bolas alçadas muitas vezes na área.

Aos sete minutos de jogo, Marçal já havia sinalizado falta de ar à comissão do Botafogo. Dos seis gols do Cienciano, quatro saíram de cruzamentos.

— Sabemos da dificuldade de jogar aqui, estávamos avisados do adversário, das bolas na área, falamos sobre isso, tentamos evitar, não conseguimos — afirmou o treinador.

No primeiro momento de apagão da defesa, Succar se livrou de Justino na marcação e mergulhou para cabecear, fazendo 1 a 0. Dois minutos depois, o Cienciano ampliou em lance controverso, que demandou cinco minutos de paralisação e uma checagem no monitor do VAR. Na cobrança de falta ensaiada, Amondarain cabeceou para o meio da área, e Bandiera - que teve um possível toque de mão investigado - desviou para o gol vazio.

Botafogo posado Cienciano — Foto: Jose Angulo/AFP

O Cienciano precisou de um período de 15 minutos - dos 19 aos 34 do primeiro tempo - para transformar o jogo em um atropelamento. Warleson falhou no lance do terceiro gol, deixando escapar para Succar chutar e marcar meio desequilibrado. O quarto gol foi um chute indefensável de Martinich de fora da área.

A tentativa de correção veio ainda na etapa inicial, com Arthur Cabral e Kauan Toledo entrando nas vagas de Kadir e Montoro. Na prática, pouco mudou, e o Botafogo não levou real perigo a Espinoza no primeiro tempo.

O gol de Matheus Martins de bola parada, já no segundo tempo, quase deu uma sobrevida ao Botafogo. Arthur Cabral surgiu como opção de correria e arriscou fazer o segundo, chutando de longe. Ainda que o Botafogo tenha crescido de forma muito discreta, o cenário continuou sendo "erro zero", visto que qualquer gol sofrido a mais complicaria a vida do Botafogo no Rio de Janeiro. O problema é que a defesa voltou a deixar buracos, e Hohberg enfiou para Bandiera dominar tranquilo e fazer o quinto.

Olhar apenas para os números por vezes pode mascarar um resultado, mas as estatísticas desta vez são fidedignas. Não houve um único escanteio para o Botafogo no jogo, contra 14 do Cienciano, deixando explícita a dificuldade alvinegra de chegar à área e gerar perigo de fato.

Franclim Carvalho em Cienciano x Botafogo, pela Sul-Americana 2026 — Foto: Vitor Silva/BFR

Edenilson e Santi Rodríguez também pouco encorparam um meio-campo que seguiu aberto e convidativo. O Cienciano voltou a ser superior, conseguindo chegar à área do Botafogo e também arriscando de fora. Houve ao menos duas finalizações de muito perigo para Warleson, que acabaram saindo próximas à trave, antes de Succar fazer o sexto.

Na semana do aniversário do Botafogo, o clube acaba ganhando um presente de grego - e uma vergonha, como dito pelo próprio Franclim, que ficará marcada na história. Um possível avanço será inédito: nunca antes, na história da Sul-Americana, um time saiu perdendo na eliminatória por cinco ou mais gols e conseguiu reverter a desvantagem.

Antes do jogo de volta contra o Cienciano, na próxima quinta-feira, o Botafogo terá pela frente o Vitória, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro. A delegação alvinegra seguirá direto para Salvador.

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