Perdeu o debate na Globo? Saiba em 8 pontos como foi discussão entre Tarcísio e Haddad
O último debate entre os candidatos ao Governo de São Paulo antes do primeiro turno, promovido pela TV Globo na noite desta terça-feira (29), foi marcado pela troca de ataques entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT).
Os dois alternaram temas estaduais com a disputa nacional. Haddad foi ministro da Fazenda do governo Lula até março, e Tarcísio é aliado da família Bolsonaro, que tem no senador Flávio Bolsonaro (PL) o adversário do PT na disputa pela Presidência.
Segundo pesquisa Datafolha divulgada na quinta (24), Tarcísio tem 50% das intenções de voto, contra 30% de Haddad, e pode vencer no primeiro turno. Veja os principais fatos que marcaram o encontro:
Haddad questionou Tarcísio por ter pedido votos para os filhos do ex-vereador Milton Leite (União Brasil), preso em 18 de setembro em operação que investiga suspeita de envolvimento do PCC com o transporte coletivo. O petista chamou Leite de uma espécie de "prefeito sombra". Tarcísio respondeu que a família Leite não tem nada no governo paulista.
Já o governador afirmou que o petista esteve em palanque com uma liderança do PCC na Favela do Moinho, no centro de São Paulo.
Saúde e pandemia
Na saúde, Haddad afirmou que o governo Lula herdou um caos em razão da gestão da pandemia de Covid no governo Jair Bolsonaro, citou o estoque de procedimentos represados e disse que a fila do SUS está aumentando em São Paulo.
Tarcísio rebateu com críticas à gestão do petista na prefeitura. O governador afirmou que Haddad descumpriu 9 de 10 metas da saúde e que sua gestão na área foi mal avaliada por 80% das pessoas. "Quero perguntar pra Ricardo Nunes qual legado ele pegou", disse, em referência ao prefeito de São Paulo.
Tarcísio compara adversário a Pinóquio
Haddad disse que o dia mais triste de sua campanha foi quando ouviu mães de crianças atípicas da capital. Segundo o petista, elas passam o dia inteiro com os filhos porque o governo acabou com o atendimento especializado nas escolas e eliminou os profissionais que acompanhavam essas crianças.
Tarcísio respondeu: "Haddad, você me lembra aquele personagem do desenho animado que tinha um senhorzinho que era bonzinho que fez um boneco e, quando o boneco mentia, o nariz crescia".
O governador afirmou que manteve e ampliou as contratações de profissionais de apoio e que as escolas estaduais passarão a ter salas sensoriais, para acolher os alunos em situações de crise.
Casas Bahia e Milei
Tarcísio citou as crises das Casas Bahia, da Tok&Stok e do Habib's ao questionar Haddad sobre o número recorde de pedidos de recuperação judicial no governo Lula 3.
Haddad respondeu com deboche sobre a rede varejista e disse que não iria "ficar defendendo empresário que é criminoso". "Ele que pague pelo que ele fez."
O candidato à reeleição respondeu que o problema é tratar mal os empreendedores.
Contas públicas
Sobre o ajuste fiscal, Haddad afirmou ter recebido um país quebrado de Paulo Guedes, ministro da Economia do governo Bolsonaro. "Vocês dilaceraram a Petrobras, venderam a BR Distribuidora e o gás. E vem cobrar ajuste?", disse.
Tarcísio criticou o arcabouço fiscal. "A gente poderia classificar isso de negacionismo fiscal", afirmou.
O petista defendeu a reforma tributária, que conduziu como ministro, e insinuou que o governador gostaria de uma gestão como a do presidente argentino, Javier Milei, referenciando também a gestão Bolsonaro.
"Vocês querem o Milei aqui, né? Vocês forneciam o osso e agora querem carne de burro em São Paulo?", disse.
Tarcísio afirmou que o argentino pegou uma situação muito complexa e está indo bem e que gostaria que a despesa primária fosse menor.
Cristo Redentor
Ao tratar de transporte e infraestrutura, Haddad defendeu a integração do Bilhete Único na região metropolitana, e citou feitos de gestões petistas no estado e no país.
Tarcísio criticou as referências constantes do adversário ao governo federal. "Tenho medo de vocês dizerem que fizeram o farol de Salvador, o Cristo Redentor, porque tudo é o governo federal", disse.
Silêncio de Haddad
Quando o tema foi educação, Haddad citou a queda de São Paulo no ranking do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), e Tarcísio respondeu destacando a avaliação positiva do estado no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes).
Contudo, quando Haddad abordou o fato de São Paulo ter ficado abaixo da média nacional no índice de alfabetização de crianças, Tarcísio respondeu destacando que o estado havia recebido o selo ouro do Ministério da Educação para a área. Após silêncio, o candidato do PT afirmou que não se lembrava do selo, entregue pelo ministério que ele já comandou.
Flávio e Banco Master
Nas considerações finais, Haddad voltou a nacionalizar o debate com críticas a Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. "É uma ameaça para o país. Ele está envolvido em absolutamente todos os escândalos que estão sendo investigados", disse, citando o caso "Dark Horse" e a proximidade de Flávio com o advogado Willer Tomaz, investigado no caso do INSS.
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